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Matemática
Contribuído por BladeRunner em 22-08-02 12:03
do departamento low-level
Portugal Eu sei que já não é a primeira vez que se fala aqui neste assunto, mas parece que só piora com o tempo.
Segundo este artigo do Público, 86% dos alunos do 12º ano tiveram negativa na primeira fase das provas de Matemática do acesso ao ensino superior.
45% não chegaram sequer a ultrapassar os 4 valores e a média nacional cifra-se em 5.2 valores.
Isto é um AUTÊNTICO ESCÂNDALO.
Quando é que alguém neste país vai deitar a mão a esta situação ?
Realmente... estamos de tanga e pior do que no pilim... estamos também na massa cinzenta.
Quo vadis Portugal ? Que engenheiros, cientistas, economistas vão estar no mercado de trabalho daqui por meia dúzia de anos ?
*sigh*

Jurassic Park - Atraccao especial, Ze' o Mamute.. | "O" teste de primalidade  >

 

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    E depois.... (Pontos:2)
    por mlopes em 22-08-02 12:21 GMT (#1)
    (Utilizador Info)
    ... quando eu faço posts a dizer que acho que a população em geral é pouco inteligente (ou estupida mesmo), ainda há quem venha dizer que não!

    Ou citando um post noutra discussão aqui a decorrer "(...)Isso aconteceu porque os portugueses são um povo fabuloso com uma coragem e inteligencia muito acima da média.(...)", só posso mesmo dizer está-se a ver!

    If you don't have time to do it right, where are you going to find the time to do it over?

    Re:E depois.... (Pontos:2)
    por rollerball em 22-08-02 13:15 GMT (#7)
    (Utilizador Info)
    Fui eu que fiz o post que citaste e quero dizer que toda a realidade pode ser vista de várias perspectivas.

    Se em vez de pensares que os alunos são pouco inteligentes pensares que o sistema de ensino está mal organizado e que a falta de excelencia de cada um se deve ao "deixa andar" tipico do portugueses a analise muda de figura.

    O ensino em Portugal está muito mal e é preciso alguem com a "coragem e inteligencia" para o mudar. E não tenhas duvidas que mais ano menos ano isso vai acontecer.

    Nuno Paulino aka Rollerball
    Re:E depois.... (Pontos:2)
    por joao em 22-08-02 13:28 GMT (#11)
    (Utilizador Info) http://www.nonio.com
    E estás tu a tentar mostrar que os portugueses têm uma inteligência e uma coragem acima da média?

    Será que não são os portugueses que se auto-governam?

    ----
    joao
    nonio.com - ciência, tecnologia e cultura
    Bom ponto! (Pontos:2)
    por rollerball em 22-08-02 13:42 GMT (#17)
    (Utilizador Info)
    Focaste um ponto muito interessante!

    Como escrevi num post anterior, parece-me que as gerações que detem poder neste momento vivem sobre dois traumas mt grandes.

    Primeiro, o trauma de tantos anos numa ditadura e depois o trauma do 25 de Abril. Estes dois traumas condicionam todas as acções governativas. Parece-me que a minha geração (1977) já não vai sofrer disso e vai ser capaz de tomar atitudes muito corajosas e necessárias.

    A coragem tem que ser avaliada sempre inserida no contexto, logo não tenho duvidas que o povo portugues é muito corajoso.

    Em relação à inteligencia, parece-me que se está a confundir ter boas notas com ser inteligente. Claro que é mais fácil para um aluno inteligente ter boas notas mas não ter boas notas não implica falta de inteligencia. E a inteligencia de um povo é avaliada pelos seus actos que mais uma vez estão inseridos num contexto.

    Parace-me que no futuro a coragem e a inteligencia dos portugueses vai estar mais visivel aos olhos de todos e aí se vai verificar que é realmente acima da média!

    Nuno Paulino aka Rollerball
    Re:E depois.... (Pontos:2)
    por mlopes em 22-08-02 14:16 GMT (#36)
    (Utilizador Info)

    "o sistema de ensino está mal organizado" - Culpa de quem? Desses mesmos portugueses!

    "a falta de excelencia de cada um se deve ao "deixa andar" tipico do portugueses" - Mais uma vez não me parece uma atitude inteligente!


    If you don't have time to do it right, where are you going to find the time to do it over?

    Re:E depois.... (Pontos:2)
    por rollerball em 22-08-02 14:22 GMT (#39)
    (Utilizador Info)
    A justificação para a situação actual é descrita aqui

    Nuno Paulino aka Rollerball
    Na verdade... (Pontos:4, Interessante)
    por Gamito em 22-08-02 12:23 GMT (#2)
    (Utilizador Info) http://www.gamito.org/
    ... é todo um péssimo paradigma de ensino que está enraizado no nosso sistema educativo ao nível das ciências em geral e da Matemática em particular.

    Os nossos alunos passam 12 anos de escolaridade a responder a problemas de resposta fechada. Nãoé preciso raciocinar, basta encornar as fórmulas e fazerem os (péssimos e inócuos) exercícios dos livrinhos que custam uma carrada de contos de reis: "Calcule a derivada de f(x); Resolva a equação trigonométrica xpto" e assim por diante.

    Ao fim de 12 anos vão para um exame e não se desenrascam porque as perguntas são de resposta aberta e interligam as matérias - outra coisa a que não estão habituados. Não basta saber as fórmulas. Seria preciso ter desenvolvido processos de raciocínio lógico (não é disso que trata a Matemática ?) que tirando aqueles 1% que já nascem com a Matemática nos genes se conseguem à custa de muito trabalho.

    Trabalho que diga-se em abono da verdade os nossos alunos não fazem.

    A GENERALIDADE DOS NOSSOS ALUNOS NÃO TRABALHA.
    Sai das aulas, vai para a explicação resolver o tpc e no fim do dia vai para casa e arruma os livros a um canto. NÃO TRABALHA.

    Ora esta combinação explosiva de deficiências do nosso sistema de ensino onde os culpados começam nos ministros, passam pelos cretinos das teorias pedagógicas da treta (tive que engolir algumas), muitas escritas por quem não dá uma aula no secundário há anos e anos e não conhece os nossos jovens com a preguiça dos nossos alunos dá no que dá: uma massa mole de analfabetos funcionais.

    Que vão ser os futuros quadros do país.

    Mário Gamito
    www.gamito.org
    Re:Na verdade... (Pontos:2)
    por mlopes em 22-08-02 12:29 GMT (#3)
    (Utilizador Info)
    Muitos já são os actuais quadros do país!

    If you don't have time to do it right, where are you going to find the time to do it over?

    Re:Na verdade... (Pontos:2)
    por Gamito em 22-08-02 12:40 GMT (#5)
    (Utilizador Info) http://www.gamito.org/
    Nem mais.

    Ainda há dias uma engenheira(???) de 20 e poucos anos me chamou porque num gráfico do Excel, os pontos que ela tinha enfiado na folha não estavam na recta.
    A ignorante não sabia o que é uma regressão linear e mais grave do que isso, um coeficiente de correlação.

    Mais grave do que não saber, é utilizar sem saber e deste modo, sem ter espírito crítico sobre os resultados obtidos.

    Siga a bola...

    Mário Gamito
    www.gamito.org
    Re:Na verdade... (Pontos:2)
    por jazzy em 22-08-02 13:15 GMT (#8)
    (Utilizador Info) http://www.gildot.org
    Concordo em absoluto contigo. O actual sistema de ensino é uma pouca vergonha: a aplicação prática da matemática e da física (apenas exemplos) fechou-se na gaveta por serem demasiado "puxadas" para a maturidade dos meninos, em nome das estatísticas para mostrar em Bruxelas cultivou-se a filosofia do relaxamento (os alunos não chumbam por faltas, podem passar com 4 (sim, QUATRO) negativas, retira-se autoridade aos professores, etc.).
    Perante este quadro, o que é que acontece? Os alunos relaxam, para não dizer baldam-se e,perante tal culto da mediocridade, os alunos com capacidades (sim, porque também os há!) inevitavelmente acabam por ser prejudicados por dois motivos: acabam por ser influenciados pelo ambiente reinante e as próprias aulas também não têm a qualidade que poderiam e deveriam ter.

    Actualmente, qualquer adolescente sabe exactamente os horários e os canais em que passam filmes para adultos, muitos vêem-nos efectivamente no sossego do seu quarto enquanto os pais estão na sala a vêr um qualquer outro programa. Isto tem dois problemas: vêem conteúdos que não são adequados para a sua idade e substituem o contacto social/familiar pelo isolamento do quarto.
    Isto, para acrescentar outro grupo ao rol dos responsáveis: os pais. Outro aspecto a apontar aos pais: dei aulas há algum tempo atrás e só conseguia falar com os pais dos alunos quando estes eram informados de que os meninos iam reprovar, apesar de haver casos em que esses pais recebiam várias cartas a informar de excesso de faltas e a pedirem para comparecer na escola em horário a combinar com eles. Nunca recebi resposta a nehuma das muitas cartas que enviei.

    Já agora, também vão ser estas mentes brilhantes que vão ensinar matemática aos meus filhos...

    Como diria o outro: oh meuzzz amigozzzzz. Não havia nexexidade...


    Jazzy
    Re:Na verdade... (Pontos:2)
    por Gamito em 22-08-02 13:33 GMT (#13)
    (Utilizador Info) http://www.gamito.org/
    "Outro aspecto a apontar aos pais: dei aulas há algum tempo atrás e só conseguia falar com os pais dos alunos quando estes eram informados de que os meninos iam reprovar, apesar de haver casos em que esses pais recebiam várias cartas a informar de excesso de faltas e a pedirem para comparecer na escola em horário a combinar com eles. Nunca recebi resposta a nehuma das muitas cartas que enviei."

    A minha mulher que dá aulas no Secundário tem uma história fabulosa.
    Um dia numa aula uma aluna atendeu o telemóvel. A minha mulher mandou-a desligá-lo, ao que ela repetidamente se recusou.
    A minha mulher apreendeu-lhe o telemóvel e mandou uma convocatória para o pai ir no dia seguinte falar com ela.
    Esse pai mandou um bilhete à minha mulher em que lhe dizia para devolver o telemóvel à filha e que ela não o quisesse conhecer.

    sic transit gloria mundi...

    Mário Gamito
    www.gamito.org
    Re:Na verdade... (Pontos:2)
    por Psiwar em 22-08-02 13:42 GMT (#16)
    (Utilizador Info) http://www.netcode.pt
    Um dia numa aula uma aluna atendeu o telemóvel.

    Ui, ui... isso já é o pão nosso de cada dia nas escolas portuguesas... E digo-te já, por certas histórias que tenho ouvido, a tua mulher teve sorte em não levar um murro ou uma lambada do aluno/a. Mas a culpa é sem dúvida dos pais desses alunos...

    Ai, ai, que rica geração está a ser criada, lembra tanto os mentecaptos teenagers americanos... geez...
    Re:Na verdade... (Pontos:2)
    por rollerball em 22-08-02 13:45 GMT (#18)
    (Utilizador Info)
    A culpa não é só dos pais. O Estado tb tem que educar os pais. Para isso existem as leis e o sistema judicial. Se esse pai tivesse que, por exemplo, pagar uma multa avultada, certamente não repeteria a gracinha!

    Nuno Paulino aka Rollerball
    Re:Na verdade... (Pontos:2)
    por Psiwar em 22-08-02 13:50 GMT (#22)
    (Utilizador Info) http://www.netcode.pt
    Sim, sim... em teoria isso seria muito interessante. Mas quero-te ver a fazer vingar essa ideia em Portugal. Apenas actualmente alguns dos países mais avançados estão a criar leis desse género... quanto tempo achas que demora a chegar esse conceito a PT? =)
    Re:Na verdade... (Pontos:2)
    por rollerball em 22-08-02 13:53 GMT (#23)
    (Utilizador Info)
    É uma questão de coragem politica!

    Nuno Paulino aka Rollerball
    Re:Na verdade... (Pontos:2)
    por Psiwar em 22-08-02 14:02 GMT (#27)
    (Utilizador Info) http://www.netcode.pt
    Não te adianta!

    Em Portugal, Coragem Politica = Fascismo.
    Basta veres o actual governo a ter coragem politica e a descer nas sondagens. São os traumas! E é por isso mesmo que temos a Extrema Esquerda com lugar no parlamento.
    Re:Na verdade... (Pontos:2)
    por rollerball em 22-08-02 14:07 GMT (#30)
    (Utilizador Info)
    Ah ! Alguem que partilha a minha teoria dos traumas. Como eu disse aqui esse é o grande problema deste país e só por isso é que Portugal está como está!!

    Nuno Paulino aka Rollerball
    Re:Na verdade... (Pontos:2)
    por BlueNote em 22-08-02 14:11 GMT (#33)
    (Utilizador Info)
    Referindo-me ao que disseste ali, então o problema eterniza-se porque os putos que nasceram em 1977 podem ser de acção mas como já são um produto muito mal formado e muito mal educado e regra geral, têm muito pouca cultura em todos os aspectos, vão passar à acção mas sem saber porquê nem para onde...

    P.S.: não estou a armar em superior, só sou mais velho 3 anos e posso estender à minha "geração" o mesmo comentário...

    Re:Na verdade... (Pontos:2)
    por rollerball em 22-08-02 14:17 GMT (#37)
    (Utilizador Info)
    Em parte tens razão!

    Acredito que os meus filhos vão ter mais potencial para contribuir para melhorar Portugal do que eu.

    Em relação à acção que os putos de 77 e "arredores" podem fazer depende da capacidade de alguns deles liderarem e encaminharem-na para um bom objectivo. Mas acho que nota-se uma grande diferença de mentalidade entre os que agora tem mais do que 30 e os que tem menos.

    Nuno Paulino aka Rollerball
    Re:Na verdade... (Pontos:2)
    por jazzy em 22-08-02 13:53 GMT (#24)
    (Utilizador Info) http://www.gildot.org
    Acontece que o Estado (via Min. Educação) tem vindo a retirar autoridade aos professores (por exemplo: actualmente, um aluno só pode ser suspenso com consentimento dos pais), com este belo resultado. Parece que este governo está a dar passos no sentido inverso: finalmente.


    Jazzy
    Re:Na verdade... (Pontos:2)
    por jazzy em 22-08-02 14:09 GMT (#31)
    (Utilizador Info) http://www.gildot.org
    Não, não, a culpa é da mulher do Gamito, que implicou que a malta não pode atender o telemóvel (ou mandar SMSs) durante a aula...


    Jazzy
    Re:Na verdade... (Pontos:2)
    por higuita em 22-08-02 13:58 GMT (#25)
    (Utilizador Info) http://raff.fe.up.pt/~eq92025/
    concordo plenamente

    e ainda adiciono mais uma razao...

    no passado, tempos de salazar, os professores era pouco mas tinham de ser bons, pois apenas estudava a elite e os melhores

    no meus tempo de aluno do secundario vi cada vez a chegar mais professores com menos capacidades, inclusive uma professora de matematica que sabia tao pouco que acabou por ser obrigada a apenas fazer trabalho de secretaria APENAS

    o pessoal deixou de ir para professor por dedicacao/vocacao, ia para professor porque as medias dos cursos de ensino tinham e teem medias ridiculas, logo captam os piores alunos (sim, tambem alguns bons, mas a maioria sao maus) e porque quando nao se arranjava emprego, ia-se para professor, mesmo que nao se tenha capacidade nenhuma para ensinar e as vezes tambem nem os conhecimentos minimos

    o mesmo para os profs universitarios, nao em termos de conhecimentos (usualmente isto e') mas em termos de capacidade de ensinar, la' porque alguem sabe do assunta nao implica minimamente que consiga transmitir esse conhecimento

    logo alunos piores, maus profs universitarios, pessoas sem vocacao nenhuma para ensino, tudo vai se juntar ao que ja' foi dito e piorar ainda mais o problema

    como querem que os putos aprendam algo se existem professores que sao maus, sabem pouco, nao sabem explicar
    basta um ano com um mau professor para essa cadeira ficar logo aleijada
    para cadeiras em que a exigencia do conhecimento dos anos anteriores e fundamental, tal como a matematica, basta um aluno ter um ano ou mesmo meses que nao percebe a materia que muito dificilmente vai conseguir compreender as materias dos anos seguintes

    os alunos de hoje em dia sao o trabalho de muitos anos de falhancos e desleixo do ensino, em que em vez de se solucionar os problemas remedeia-se, adia-se ou disfarca-se (para nao dizer esconde-se) os problemas

    um dos maiores problemas da educacao e' que e' um problema de longo prazo, os governos querem resolver as coisas para os 4 anos, quando tudo o que fazem apenas realmente ira' dar resultados visiveis e globais passados uns 10 -20 anos depois

    tendo um dos pais com professor, entretanto ja' reformado e varios conhecimentos no ensino posso dizer que a queixa comum dos professores e' :
    eles cada vez sabem menos de tras

    infelizmente resolver isto apenas se consegue lentamente e os actuais alunos com problemas provavelmente nunca se ira' conseguir corrigir por ser ja' demasiado tarde


    Higuita
    Re:Na verdade... (Pontos:2)
    por BlueNote em 22-08-02 14:06 GMT (#29)
    (Utilizador Info)
    no passado, tempos de salazar, os professores era pouco mas tinham de ser bons, pois apenas estudava a elite e os melhores

    Isto não é exacto para todos os professores. Isso só se passava com os professores de liceu, que eram poucos e era um ensino restrito a uma pequena parte da população. A maioria da população só estudava (quando estudava) até à 4.ª classe. A maioria dos professores primários tinham apenas o curso da escola preparatória (actual 6.o ano) ou o actual 9.o ano.

    Só nos finais dos anos 60 passaram a ter de fazer um curso para professores antes de irem dar aulas, mas ainda assim, as qualificações dos professores não iam além do liceu.

    O atraso de portugal no campo educativo vem muito de trás.

    Re:Na verdade... (Pontos:2)
    por higuita em 22-08-02 23:17 GMT (#54)
    (Utilizador Info) http://raff.fe.up.pt/~eq92025/
    sim, estava a pensar no liceu (secundario actualmente e talvez o preparatorio ou la' como se chama)

    e tambem e' verdade que o atrazo e' antigo, como se diz, "populacao ignorante e' mais simples de controlar"

    talvez por isso se quiseram fazer tantos cursos, criar a ideia que todos devem ser doutores e engenheiros e que acreditar que se resolviam pelo menos 25 anos de atraso no ensino em apenas uns miseros 4 anos

    Higuita
    Re:Na verdade... (Pontos:2)
    por nmarques em 22-08-02 13:45 GMT (#19)
    (Utilizador Info) http://morgul.xpto.org
    E' escandaloso, e concordo com razoes que dizes... Mas a culpa nao pode ser so dos alunos, e' dos professores e do sistema tambem...Eu fui das pessoas que entrou no ano da primeira reforma, fui uma das cobaias, e safei-me assim como tantos outros... mas a realidade e' uma, extensos programas para os professores cumprirem, e' muita carga para os professores e alunos... e aconteceu-me alguns professores darem aulas apos as aulas terem terminado sem serem reembolsados, apenas para que o pessoal nao levasse surpresas no exame porque alguma materia nao tinha sido lecionada... Decerto muita gente que passou pelo secundario nos ultimos 3/4 anos deve-se lembrar disto... Um aluno de 12.o ano tem uma carga brutal em cima... Compreendo alguns... Eu proprio tomei a opcao de fazer quase todas as disciplinas num ano, e fazer Quimica e Matematica apenas no ano a seguir porque tinha a sensacao que nao me ia safar... e Fisica foi tipo lotaria, anulei a matricula, continuei a assistir as aulas, e resolvi tudo num exame com um modesto 16... que foi um pouco injusto eu levar nota final 16 quando na realidade muitos colegas meus ficaram com 12 e 11's quando trabalharam muito durante o ano inteiro e eu contava fazer fisica junto com quimica e matematica no ano a seguir... Funciona muito a' base da lotaria... Mas o pouco que se poderia mudar nao esta ao nosso alcance...

    --------------------------------------------
    If there is such a thing as too much power...
    I've not discovered it.../I
    Re:Na verdade... (Pontos:1)
    por elmig em 22-08-02 13:59 GMT (#26)
    (Utilizador Info) http://www.alunos.ipb.pt/~ee3931/
    sem ofensa mas...
    carga brutal os tomates! O pessoal agora preocupa-se mais em mudar o penteado/roupa/musica do que com estudar. Não estão habituados a trabalhar. Não todos mas a maioria.

    "Big brother is watching you, and little brother is too. When big brother goes to sleep, little brother goes through his stuff."

    Re:Na verdade... (Pontos:2)
    por Maeglin em 22-08-02 13:46 GMT (#20)
    (Utilizador Info)
    CLAP,CLAP

    Até que enfim que alguem "concorda" comigo...


    "When I answered where I wanted to go today, they just hung up" (Unknown Author)
    Re:Na verdade... (Pontos:1)
    por {C00L|Z3R0} em 22-08-02 17:26 GMT (#46)
    (Utilizador Info) http://www.coolzero.org
    Olha, eu quando saiu da escola, meto os livros a um canto e tive 19 no exame de matemática na 1º chamada, por isso acho que não é preciso trabalhar mt para ter boas notas a matemática, é preciso e tentar aprender...

    ...
    Em terra de cegos, quem tem olho é rei.. (Pontos:2)
    por jazzy em 23-08-02 9:18 GMT (#65)
    (Utilizador Info) http://www.gildot.org
    Não te quero desanimar, mas com o facilitismo reinante, qualquer um com dois dedos de testa e que esteja atento nas aulas consegue esses feitos.


    Jazzy
    Insucesso escolar a Matemática e subdesenvolviment (Pontos:3, Interessante)
    por Astrónomo em 22-08-02 12:31 GMT (#4)
    (Utilizador Info)
    Pode, com efeito, estabelecer-se uma correlação directa entre o atraso tecnológico (e consequentemente todo o "outro" atraso) e esse mesmo insucesso escolar na Matemática.

    Se a isto juntarmos que Portugal é o país da Europa que mais televisão vê e menos livros lê, teremos a justificação para todo o cenário: um país que não produz alta tecnologia e que importa tudo o que nessa área precisa.

    Tem vindo a desenvolveu-se uma "cultura" em que as pessoas deixaram de ter qualquer vergonha de exibirem a sua ignorância. Quantos de nós não estão fartos de ouvir frases como "Matemática, ai que horror!" ou "Eu não percebo nada de computadores!".

    O vestir e falar de uma certa maneira, os locais em que se vai à noite, as pessoas com quem se anda, o ser "cool", é que são os valores de referência para a juventude actual. «Isso de ficar em casa a ler um livro ou a fazer software é para os tótós. A malta o que gosta é de divertir-se.»

    Os feitos científicos e tecnológicos não surgem por milagre, eles são o resultado de entusiasmo e dedicação. É algo que não surge entre dois tragos de cerveja numa discoteca à noite, mas sim de horas de dedicação, a maior parte delas em solidão com os livros, o papel ou o computador. Parece pouco sedutor? Para quem gosta, é um prazer. Mas enquanto esta atitude não conquistar os portugueses, Portugal não poderá ambicionar deixar o lote dos países tecnologicamente subdesenvolvidos.

    ----
    aqui porque não deves utilizar IE, Outlook, Windows Media e Messenger.

    Re:Insucesso escolar a Matemática e subdesenvolvim (Pontos:2)
    por ribeiro em 23-08-02 8:44 GMT (#58)
    (Utilizador Info) http://ruka12.tripod.com
    A questão de menos livros ler, não é só um problema de cultura.
    Os livros estão carissimos. Exigir cerca de 30EUR por um livro não é vender, é roubar. Não temos também uma cultura enraizada de comprar e vender livros em 2a. mão, como por exemplo os britânicos.
    Eu só leio livros em inglês. Além de desenvolver a língua, ainda os arranjo *bastante* mais baratos, mesmo que sejam importados. (livros, não revistas. Comprar uma revista estrangeira em .pt é o mesmo que ser assaltado)
    Rui
    --
    Re:Insucesso escolar a Matemática e subdesenvolvim (Pontos:1)
    por joaorf em 23-08-02 10:12 GMT (#68)
    (Utilizador Info)
    Não vês que os livros estão mais caros porque precisamente se vendem cada vez menos? Ou, para ser mais rigoroso, as tiragens são cada vez menores. Quando um livro tem uma tiragem de apenas 1500 ou 2000 exemplares, como se tornou habitual em Portugal, é impensável teres livros ao preços da Grã Bretanha, onde as tiragens são dez vezes maiores. Para além do facto de serem países mais populosos, com mais hábitos de leitura, as edições inglesas vendem-se nos EUA sem problemas, e vice-versa. Comparem com a dificuldade de vender edições portuguesas no Brasil e vice-versa...

    O preço dos livros é, normalmente, uma desculpa esfarrapada. Muitos desses jovenzinhos pagam 5 cts numa discoteca à noite por duas bebidas, e não se queixam do preço. Isto para já não falar dos 8 e 10 cts por mês de chamadas de telemóvel (e do aparelho último modelo). É tudo uma questão de opção.

    Re:Insucesso escolar a Matemática e subdesenvolvim (Pontos:2)
    por ribeiro em 23-08-02 10:44 GMT (#71)
    (Utilizador Info) http://ruka12.tripod.com
    Não sei se será uma desculpa esfarrapada. Que experimentem baixar os preços em livros de qualidade.
    --
    Re:Insucesso escolar a Matemática e subdesenvolvim (Pontos:2)
    por ribeiro em 23-08-02 10:50 GMT (#73)
    (Utilizador Info) http://ruka12.tripod.com
    E digo mais. Tudo está caro, incluindo os livros, porque hoje em dia o pessoal tem sede de dinheiro, e quer ganhar com um cliente o que de outra forma ganharia com 2 ou 3.
    São os gajos dos livros, e da industria dos CDs. Estão a perder clientela por serem gananciosos, e depois, claro, a culpa é da população que é inculta, ou pirata CDs.
    --
    E também temos "bons" professores (Pontos:1)
    por Vitor Domingues em 22-08-02 13:17 GMT (#9)
    (Utilizador Info)
    Imaginem como eu devo ter ficado satisfeito em saber que o meu filho de 14 anos pode vir a ter, no 9ºano, como prof. de Mat. um cerebro que leva para as aulas testes já corrigidos por outros visto ele não ter "tempo" para os corrigir.
    Re:E também temos "bons" professores (Pontos:2)
    por jazzy em 22-08-02 13:21 GMT (#10)
    (Utilizador Info) http://www.gildot.org
    Isso é permitido? Essa situação não mereceria ser aprofundada?
    Não valeria a pena ir à escola falar com o dito professor?


    Jazzy
    Re:E também temos "bons" professores (Pontos:1)
    por Vitor Domingues em 24-08-02 22:05 GMT (#78)
    (Utilizador Info)
    Vou dar a resposta sobre a forma duma anedota, ve lá se a percebes. Um agricultor do interior, bem do interior do Ribatejo, tinha o melhor touro da região. O touro era o seu único património. Os agricultores locais descobriram que o tal touro era o melhor animal reprodutor das redondezas, e começaram a alugar o bicho para cruzar com as suas vacas, pois com esse touro, sempre nasceriam os melhores bezerros. Era só colocar uma vaca perto do touro e o bicho não perdoava uma. O único sustento do agricultor vinha da posse desse touro. Os agricultores da região reuniram-se e decidiram comprar o touro. Escolheram um representante que foi até a casa do agricultor para falar com o ele com a sua esposa: - Diga um preço para o bicho que nós vamos comprá-lo! O agricultor, aproveitando-se da situação, pediu um preço absurdo. Os outros agricultores não aceitaram a proposta e foram-se lamentar ao Presidente da Câmara. Este, sensibilizado com o problema, resolveu comprar o animal com o dinheiro da Câmara, e registou o bicho como património da cidade. Resolveu então fazer uma festa para apresentar o touro a toda a população. >No dia da festa os agricultores trouxeram suas vacas para o touro cobrir. Seria tudo de graça. Na hora da primeira vaca, o touro bocejou, cheirou a vaca e nada! - Deve ser culpa da vaca - disse um agricultor. Ela é muito magra! Trouxeram uma vaca holandesa, a mais bonita da região. O touro bocejou, cheirou a vaca e nada! O Presidente da Câmara, já bastante chateado, chamou o ex-dono do animal e perguntou-lhe o que é que estava a acontecer. - Não sei... - disse o agricultor! Ele nunca fez uma cena destas! Deixe estar que eu vou conversar com o touro. E o agricultor, aproximando-se do bicho, perguntou: - O que há contigo? Já não estás mais disposto trabalhar? O touro, dando uma espreguiçadela, respondeu: - Não me chateies! Agora eu sou funcionário público...
    Re:E também temos "bons" professores (Pontos:2)
    por ribeiro em 23-08-02 8:47 GMT (#60)
    (Utilizador Info) http://ruka12.tripod.com
    Imagina que eu do 7o ao 9o tive professoras de Matemática, que tinham afazeres tão importantes, que apareceiam a uma aula em cada três.
    O resultado é que de aluno de 19 passei para aluno de 8 no 10o.
    Foi o cabo dos trabalhos para recuperar.
    Infelizmente, à medida que ele for subindo, e especialmente quando entrar na faculdade, a situação só vai piorar.
    Se tens posses, envio para Salamanca ou para o UK na faculdade.
    --
    Re:E também temos "bons" professores (Pontos:2)
    por ribeiro em 23-08-02 10:46 GMT (#72)
    (Utilizador Info) http://ruka12.tripod.com
    Estas gralhas... queria dizer eu, se eu estivesse no teu lugar e tivesse posses, mandava os meus filhos para Salamanca ou para o UK.
    --
    Contrariar o destino? (Pontos:2)
    por Psiwar em 22-08-02 13:30 GMT (#12)
    (Utilizador Info) http://www.netcode.pt
    Faço minhas (se eles deixarem) as palavras do Gamito e do Astronomo... e não pondo em causa a importância do artigo e o problema que este relata, devo fazer o reparo de que este mal não é de agora.

    Já diz o mvalente que somos um povo de líricos e já dizia eu numa outra discussão que se perdemos o que ganhamos como impérico, foi por inaptidão crónica a gestão (logo matemática).

    Já o nosso último primeiro-ministro, que tirou o curso de engenharia electrotécnica, há já algum tempo e com média de 19, se enganava nas contas. E bem vemos o que os enganos dele e do seu governo fez pela nossa nação.

    Em suma, se como individuos, não existe ninguém que perceba de tudo, nem é forçoso que todos tenhamos compreensão de matemática porque não se pode isso aplicar ao conjunto de um povo e dizer que o Português simplesmente não tem jeito para as matemáticas e as ciências?

    E outra coisa... já pensaram que pode ser essa a politica da UE? Imaginem se a UE fosse um país... onde queriam vocês que fosse o Algarve desse país? E precisamos nós que o Algarve tenha mais do que bom tempo, bons hóteis e um povo acolhedor e simpático onde se possa fazer bom turismo?
    O destino somos nós que o fazemos (Pontos:2)
    por jazzy em 22-08-02 13:38 GMT (#15)
    (Utilizador Info) http://www.gildot.org
    o Português simplesmente não tem jeito para as matemáticas e as ciências.
    Por acaso estás a dizer que é um problema cultural ou genético? Não me parece que isso seja demonstrável.

    O destino somos nós que o preparamos, essa história do fado/destino roça a crendice popular, não?


    Jazzy
    Re:O destino somos nós que o fazemos (Pontos:2)
    por Psiwar em 22-08-02 13:47 GMT (#21)
    (Utilizador Info) http://www.netcode.pt
    Cultura? Sem dúvida...
    Genético? Que exagero... :)

    O destino somos nós que o preparamos, essa história do fado/destino roça a crendice popular, não?

    Eu só sou estou a pôr a questão... não mates o mensageiro. :P
    Além disso, o destino de um povo passa pela maioria que forma a sua cultura, e se essa maioria gostar da crendice popular e de fazer pouco das ciências, qual achas que será o destino?
    Re:O destino somos nós que o fazemos (Pontos:2)
    por jazzy em 22-08-02 14:03 GMT (#28)
    (Utilizador Info) http://www.gildot.org
    Além disso, o destino de um povo passa pela maioria que forma a sua cultura, e se essa maioria gostar da crendice popular e de fazer pouco das ciências, qual achas que será o destino?
    Não acho que seja essa a situação portuguesa, no entanto, e em relação ao problema da falta de conhecimentos dos alunos, parece-me que isso se resolveria com 3 ou 4 medidas:
  • Repôr a ordem e a autoridade - ver thread "Na verdade..."
  • Voltar a subir o grau de exigência nas matérias estudadas.
  • Ajustar os programas curriculares - há programas muito extensos e outros manifestamente curtos.
  • ...


    Jazzy
  • E só falta alguem para implementar ... (Pontos:2)
    por rollerball em 22-08-02 14:09 GMT (#32)
    (Utilizador Info)
    As tuas medidas são optimas. Só falta quem implemente!

    Nuno Paulino aka Rollerball
    Re:E só falta alguem para implementar ... (Pontos:2)
    por BlueNote em 22-08-02 14:15 GMT (#34)
    (Utilizador Info)
    Não há. Gostamos demasiado de viver como vivemos para mudar. Já somos assim pelo menos desde o século XVIII!
    Re:E só falta alguem para implementar ... (Pontos:2)
    por rollerball em 22-08-02 14:20 GMT (#38)
    (Utilizador Info)
    Andamos a concordar muito :o) !!

    Como eu disse aqui, acredito que essa situação vai mudar em breve. E a justificação para eu acreditar nisso está no comentário sobre as gerações na outra thread.

    Nuno Paulino aka Rollerball
    Re:Contrariar o destino? -- o mal está lá em cima! (Pontos:1)
    por sixer em 23-08-02 9:56 GMT (#67)
    (Utilizador Info)
    O desastre disto tudo está no facto de sermos governados por advogados! Ou quando passamos curtos períodos sem o sermos, eles andarem por lá a rondar, e em última análise serem os bitaites deles que produzem na mesma os efeitos!
    Há bem poucos meses até tivemos o caso de um advogado (com cheiro a peixe podre!) que disse na praça pública que um determinado economista não percebia nada de economia!!!

    -- Just my 3 cents...
    media nacional (Pontos:3, Interessante)
    por racme em 22-08-02 14:15 GMT (#35)
    (Utilizador Info)
    45% não chegaram sequer a ultrapassar os 4 valores e a média nacional cifra-se em 5.2 valores.

    Nao sejam pessimistas acho que estamos a fazer progressos. 5.0 valores nao foi a media nacional da 1ª chamada!?
    Por isto se ve o desenvolvimento do pais.

    Mas ja no meu tempo a média nacional era tb de 5 valores. Ainda hoje a comentar com alguem depois de ser publicada esta noticia, recordome que na minha Escola Secundaria em 4 turmas do 12º ano com cerca de 30 alunos na altura das provas globais soo 8 passaram a matematica. Da minha turma so fomos 2.

    Uma colega minha que esta agora a terminar farmacia tirou 16, burros como eu ja ficam contentes com 12



    ...no reino de Quelthalas...
    im awake, im awake!
    Re:media nacional (Pontos:2)
    por Maeglin em 22-08-02 14:26 GMT (#40)
    (Utilizador Info)
    e não foi em portugues... :-)))


    "When I answered where I wanted to go today, they just hung up" (Unknown Author)
    Irreversibilidades (Pontos:3, Esclarecedor)
    por cgd em 22-08-02 14:49 GMT (#41)
    (Utilizador Info)

    Tenham calma jovens, as coisas não são irreversíveis. Alguns desses alunos que chumbaram podem muito bem vir a acabar o curso (se entrarem) com boas médias e bons resultados a matemática.

    As pessoas tem capacidade para pensar, e essa capacidade não se perde com a idade -- está provado, apesar de se perder memória a partir dos vinte e poucos anos -- logo é uma questão continuar/começar a pensar a sério em resolver problemas (difíceis).

    Mas já que existe tanta gente inteligente por estas bandas, digam sinceramente, quantos problemas conseguem resolver desta página... (problemas abertos, baseados em matemática, que exigem muiiito pensamento...).

    cya


    -- carlos

    Que interesante... (Pontos:0, Engraçado)
    por Anonimo Cobarde em 22-08-02 14:52 GMT (#42)
    ...é a primeira vez que a comunidade Gildot está plenamente de acordo! :-)

    Eu também concordo com tudo o que foi dito

    Isso é novidade? (Pontos:2, Interessante)
    por Endymion em 22-08-02 16:10 GMT (#43)
    (Utilizador Info)
    Eu acabei o meu 12º ano em 1997 aquando de uma das "reformas do ensino" com 11 valores no exame final de matematica. Em toda a escola, entre 4 turmas da area cientifico-natural, apenas 5 alunos tiveram nota positiva. Mas isso teve explicações racionais:

    1)A maioria dos alunos é preguiçosa. E isso não é nada de surpreendente qdo têm de engolir (des)informação de uma data de cadeiras que só servem para "marrar" e esquecer mais tarde. "Estudos Sociais" começam e acabam na primária e puff, já não há mais nada. Nada de aulas de civismo, nada de aulas de literacia *qtas pessoas com o 12º ano n sabem preencher documentos oficiais/ignoram totalmente esse aspecto*, nada de educação a nivel de coisas que serao NECESSARIAS mais tarde. Sem contar que têm de passar varias horas diariamente a engolir tudo, sem processar devidamente a informação que lhes é dada. Apenas memorizar.

    2)A maioria dos alunos é demasiado jovem para pensar SERIAMENTE em termos profissionais. NO 10/11º ano, muita malta não têm essa consciencia ainda

    3)Matematica é dada de forma a que muita gente não goste de matematica. E porque haveriam de gostar de um monte de equações num quadro negro? Matematica, assim como outras disciplinas deveria ter uma forte componente ludica e experimental, que atrai-se o interesse dos jovens. Mas enfim, aqui o que interessa é preparar as massas para servirem de mulas de carga semi-inteligente para o mercado de trabalho. Porque haveriam de apresentar a matematica ou outras disciplinas de uma forma atraente, de modo a que os alunos gostassem desta?

    4)A escola acaba após as aulas. Estao surpresos que os alunos vao para casa e estudem apenas uma hora/façam o tpc? Ser jovem tb implica ter uma vida social, ter outros tipos de experiencias. E sim, tb há jovens que lêm... Passando tanto tempo numa escola, carregando mochilas com o "peso da cultura" às costas dias a fio de modo a adaptar a "maquina humana" à "maquina social" requer momentos de pausa indispensaveis.

    5)Os cursos sao dados em "acelerado". Logo não existe tempo para pensar criativamente/adaptar problemas a novas situações. Apenas memorizar. Adoptar um padrao, ater-se a ele e rezar para que resulte no exame.

    Basicamente, é isto a educação hje em dia.

    Re:Isso é novidade? (Pontos:2)
    por Branc0 em 22-08-02 20:10 GMT (#48)
    (Utilizador Info) http://www.syners.org
    Estao surpresos que os alunos vao para casa e estudem apenas uma hora/ façam o tpc? Andas muito desactualizado, o que anda na moda agora é ir para casa jantar e depois ir para a rua fumar ganzas com os amigos, depois volta-se para casa, tecla-se no IRC ou vai-se ver porno chachada (para os machos) ou então ver os "gaijos bons" das bandas de música na TV ... com uma vida destas quem tem tempo para o TPC?


    "Se vi mais além do que outro, é porque estava nos ombros de gigantes."
    Sir Isaac Newton

    Re:Isso é novidade? (Pontos:2)
    por ribeiro em 23-08-02 8:53 GMT (#61)
    (Utilizador Info) http://ruka12.tripod.com
    Tens razão, o conteudo didatico é uma palhaçada. Espanta-me é que se continue a insistir em aumentar o periodo do ano lectivo, em vez de se *melhorar* a qualidade.
    Recordo-me perfeitamente quando tinhamos aquelas *enormes* férias do verão. Recordo também, quando algures pelo meu 9o ou 10o, diminuiram-nas porque na Europa eram mais "curtas"....yeah, mas não nós tinhamos nem temos um mês de Pascoa e Natal de férias (metem asco este governantes...).
    Agora ainda querem reduzir mais o tempo de férias aos desgraçados dos estudantes.
    E isto para quê? O que interessa é QUALIDADE, não QUANTIDADE.
    Rui
    --
    Re:Isso é novidade? (Pontos:2)
    por jazzy em 23-08-02 9:13 GMT (#64)
    (Utilizador Info) http://www.gildot.org
    Estes governantes, são os mesmos que aumentaram a carga diária aos docentes do pré-primário, "porque é importante os estabelecimentos do pré primário estarem mais tempo a funcionar por causa dos meninos, mas não fizeram o mesmo no primário, digo agora eu que porque crianças de 6 anos já não têm essa necessidade.
    Isto é tudo uma questão de lobbies: os professores do 1º ciclo são os que têm o lobbie mais forte, logo os nossos governantes não os tiveram no sítio para lhes aplicar a mesma medida que aos do pré primário.

    Como tu dizes, metem asco este governantes...


    Jazzy
    Re:Isso é novidade? (Pontos:2)
    por jazzy em 23-08-02 10:31 GMT (#70)
    (Utilizador Info) http://www.gildot.org
    Correcção: onde se lê aumentaram, deve-se ler pretendem aumentar.

    Podem ler aqui a notícia do Público.


    Jazzy
    Teoria vs prática (Pontos:4, Esclarecedor)
    por CrLf em 22-08-02 16:21 GMT (#44)
    (Utilizador Info) http://students.fct.unl.pt/~cer09566
    Apesar de toda a discussão acerca de os alunos não trabalharem, convém também ter em conta que os alunos portugueses não são diferentes dos outros alunos do resto da Europa. Então porque é que em Portugal se assistem a coisas destas?

    O nosso sistema de ensino não só não incentiva o raciocinio próprio dos alunos como o impede. Não é invulgar os alunos ao serem confrontados com um problema tentarem imaginar o que o professor quer que eles respondam em vez de se concentrarem no que devia ser o objectivo, resolver o problema.

    Além disso as matérias mais complicadas (Física e Matemática) são ensinadas sempre como conhecimentos fechados sem sequer os tentarem ligar com a realidade. Tendo a maioria das pessoas um instinto que as leva a aprender muito mais rápidamente coisas que consideram que lhes possam vir a ser úteis, invariávelmente ouvimos "isto não serve para nada". Realmente é difícil acreditar que a matemática serve para alguma coisa quando se leva com apenas abstracções em cima.

    Quando se diz que os alunos não trabalham há que lembrar uma frase "se os tratares como estúpidos, não levará muito tempo até que apenas consigam agir como estúpidos".

    O pior é que muitas destas técnicas de ensino são também aplicadas no ensino superior, onde em certas faculdades se assistem a taxas de reprovação em cadeiras de matemática que rondam os valores indicados no artigo. O mais curioso é comparar a prestação dos alunos nessas cadeiras com a prestação nas restantes que frequentam/frequentaram, as diferenças são muitas vezes como da noite para o dia. A justificação de que são os alunos que não trabalham não pega quando estes são capazes de se aplicar a fundo noutras cadeiras. Mais curioso ainda é muitos alunos que chumbam miserávelmente nessas cadeiras passarem com boas notas em cadeiras onde essa matéria é aplicada.

    Mas voltando ao secundário porque já estou a divagar.
    Por mais que os políticos tenham boas intenções (que não tentam levar a termo muitas vezes), muitos professores também não estão para se chatear. É mais fácil ensinar como se calculam derivadas e depois corrigir testes sem se preocuparem em de vez em quando dar exemplos de onde isto se aplica para tentar que os alunos não absorvam a ideia de que é uma perda de tempo. Maior problema seria se os professores não o fizessem por eles próprios não os saberem.

    Manter o sistema como está é incentivar o esquema:
    1. aprender
    2. passar
    3. esquecer
    4. nova matéria, voltar a 1.

    A conclusão é que nem todos os alunos têm genes de matemático e a maioria está mais interessada em resolver problemas do que na forma como são resolvidos, a velha história de teoria vs. prática. A razão está algures no meio e o sistema de ensino actual, como bom sistema jurássico que é, dá ênfase excessivo à teoria.

    -- Carlos Rodrigues
    Re:Teoria vs prática (Pontos:2)
    por Branc0 em 22-08-02 20:12 GMT (#49)
    (Utilizador Info) http://www.syners.org
    Não é invulgar os alunos ao serem confrontados com um problema tentarem imaginar o que o professor quer que eles respondam em vez de se concentrarem no que devia ser o objectivo, resolver o problema.

    O problema é que no nosso ensino ou respondes como o professor quer ou arriscas-te a levares com um traço por cima da tua resposta... isto não tem a ver com o sistema, tem a ver com a qualidade do professor.


    "Se vi mais além do que outro, é porque estava nos ombros de gigantes."
    Sir Isaac Newton

    Re:Teoria vs prática (Pontos:2)
    por CrLf em 22-08-02 21:30 GMT (#52)
    (Utilizador Info) http://students.fct.unl.pt/~cer09566
    (...)isto não tem a ver com o sistema, tem a ver com a qualidade do professor.

    Quando a prática é generalizada é o sistema.

    -- Carlos Rodrigues
    Re:Teoria vs prática (Pontos:2)
    por Branc0 em 23-08-02 8:15 GMT (#56)
    (Utilizador Info) http://www.syners.org
    No secundário não direi que é sistema mas em muitas faculdades sim (maravilhoso... o exemplo até vem de "cima") e normalmente acontece naqueles departamentos como Matemática... não se percebe como é que uma cadeira supostamente de ciências passa um traço por cima de uma resposta de um aluno só porque foi feita de maneira diferente... isto é que é ciência ... ou inventas as coisas como nós queremos ou não inventas!

    Viva o espirito critico das nossas faculdades!


    "Se vi mais além do que outro, é porque estava nos ombros de gigantes."
    Sir Isaac Newton

    Re:Teoria vs prática (Pontos:2)
    por jmce em 23-08-02 11:59 GMT (#74)
    (Utilizador Info) http://jmce.artenumerica.org/
    Ah, isso faz-me lembrar um exame de Mecânica Quântica na FCUL, corria talvez o ano 1988... Pedia-se a demonstração de uma certa igualdade (para abreviar, A=B), e em vez de partir da expressão A para a transformar em B parti de A e de B transformando-as numa mesma expressão intermédia C: A -> C <- B. Desculpa do assistente-com-excesso-de-zelo (de cuja qualidade científica eu até aí nunca tinha duvidado) para considerar a resposta inválida: aquilo não era, dizia ele, uma "demonstração". De vez em quando até os docentes universitários (astrofísicos incluídos) parecem precisar de alguma reavaliação e reciclagem da mais básica...
    Re:Teoria vs prática (Pontos:2)
    por ribeiro em 23-08-02 8:54 GMT (#62)
    (Utilizador Info) http://ruka12.tripod.com
    Ou és marginalizado por pensares diferente e o mostrares, como eu fui.
    --
    É tudo tão lindo... (Pontos:3, Esclarecedor)
    por ^magico^ em 22-08-02 17:06 GMT (#45)
    (Utilizador Info)
    Pelos vistos toda a gente está de acordo de que o sistema de ensino vai mal...

    A minha opinião sobre o sistema educativo português (SEP) é de que é de facto o mais competitivo da Europa (eventualmente do mundo).

    Ora vejamos:
    * um aluno tem de se esforçar ao máximo por arranjar conhecimentos (leia-se conhecidos), pois é sempre necessária uma boa cunha para resolver um problema.

    * o ponto anterior ainda implica que o aluno tenha de envolver toda a família no seu trabalho escolar. Regularmente é preciso a ajuda da família para arranjar mais uma cunhazita ou favorecimento a terceiros.

    * o SEP obriga um aluno a ter imensas actividades extra-curriculares (salão de jogos, bares, discotecas) que praticamente não têm tempo para o trabalho curricular. Ultimamente, e pensando neste problema, o SEP permitiu que os alunos usufruam do horário escolar para essas tarefas extra-curriculares (sem prejuizo no final do ano) facilitando os tão "dificeis" (provavelmente os mais dificeis) conteúdos leccionados.

    * devido a traumas detectados nos alunos, foi implementado o sistema de que o aluno tem sempre razão. É importante criar condições para que os alunos se sintam bem consigo mesmos. Por exemplo, um aluno quando faz greve e consegue que as suas reinvindicações sejam ouvidas (e implementadas) sente-se muito melhor pois tem a certeza de que está a conseguir efectuar um bom trabalho.

    * devido à necessidade de promover o uso das novas tecnologias, desde de muito cedo foi incentivado o uso de poderosos sistemas RAM em detrimento de sistemas NVRAM com o auxilio de CPU. Assim, resulta que um aluno deve absorver toda a informação que consiga de modo a despejar essa informação no exame. Como os exames normalmente são de resposta fechada, estes alunos de facto são melhores de que os que têm uma NVRAM mais modesta e que depois não podem usar o CPU para processar as respostas.
    Alguns alunos mais inteligentes ainda tentam usar um método de compressão na informação (de modo a armazenar mais informação na sua NVRAM) para tentar dar algum uso ao CPU, mas é de todo irrelevante os resultados conseguidos.
     
    Com tudo isto, alguém se atreve a afirmar que o SEP é flexivel, relaxante, inadequado, permissivo?

    A história:
    Durante o meu percurso no ensino, eu sempre achei de que o SEP era bastante mau. Ano após ano cada vez tinha mais certeza de o SEP era péssimo.
    Ao ver as atrocidades cometidas pelo SEP acabei por decidir em não ir para a universidade. Para quê? Para continuar a alimentar um sistema de ensino corrupto?

    O problema é que toda a gente fala, fala, mas todos continuam a manter-se no sistema... por isso o que eu concluo de toda esta discussão é que é muito bonito falar, e como todos sabem, o "falar" vai para /dev/null

    Se em vez de se fazerem manifestações e greves pelo relaxamento e facilistismo, se os alunos (e as pessoas em geral) que realmente acham que se deve dificultar (ou pelo menos exigir) mais dos alunos de modo a criar competitivade fizessem manifestações por isso mesmo, talvez um SEP mais evoluido fosse em frente.

    Eu, apesar de não ter um curso universitário, sinto-me bem, trabalho naquilo que gosto, e sou reconhecido por esse mesmo trabalho.
    Tenho de admitir que tive sorte em encontrar este trabalho, mas nunca desisto pelas causas que acredito. E se há coisa em que acredito, é que não é preciso ter um curso universitário obtido neste sistema de ensino que mais parece um rede da máfia.
    Re:É tudo tão lindo... (Pontos:1)
    por ApPLeE em 22-08-02 20:02 GMT (#47)
    (Utilizador Info)

    Já falei com muitos professores meus acerca do caso do ensino, e reparei que nenhum esta de acordo com este sistema em espiral...

    e neste ultimo ano, ouve alguem que teve a brilhante idea de avaliar professores, e como se fazia isso:

    era por um professor universitario, a avaliar os professores do secundario, (a coisa mais ridiculo que ja vi) os prof. das univ. ainda são os piores, muitos não sabem dar aulas, muitos nunca irão dar notas superiores á que eles tiveram nos seus tempos, e na disciplina que ensinam...

    o sistema em espiral é uma coisa ridicula, portugal, usa modelos, que ja foram testados em outros paises, e que não resultaram... (mas tenta sp usalos)

    Este sistema de ensino é mesmo uma rede de mafia, e concordo plenamente, em vex de se ver manifestações so para n ter aulas, pelo simples gozo de puxar pela alma e gritar bem alto, aulas de 90 min não!, isto assim nunca vai a lado nenhum, onde é que estava a voz alta a mostrar uma resolução...?...


    ... (Pontos:3, Informativo)
    por CrLf em 22-08-02 21:36 GMT (#53)
    (Utilizador Info) http://students.fct.unl.pt/~cer09566
    (...)Que engenheiros, cientistas, economistas vão estar no mercado de trabalho daqui por meia dúzia de anos?(...)

    Provávelmente profissionais de qualidade porque os "burros" esses serão filtrados pelo mercado, e os de qualidade não serão necessáriamente os que tiveram boas notas a matemática no secundário... O que mostra bem como o sistema não avalia o que deveria avaliar. Fá-los pensar que sabes é o lema do nosso ensino.

    -- Carlos Rodrigues
    Re:... (Pontos:2)
    por jazzy em 23-08-02 9:07 GMT (#63)
    (Utilizador Info) http://www.gildot.org
    Queres tu dizer que os "burros" vão ser excluídos do mercado??? Hmmm, não me parece...


    Jazzy
    Re:... (Pontos:2)
    por ribeiro em 23-08-02 9:21 GMT (#66)
    (Utilizador Info) http://ruka12.tripod.com
    Deviam ser...deviam ser...
    Os burros vão para consultores escrever relatórios bonitos. Nuff said...
    --
    Re:... (Pontos:2)
    por CrLf em 23-08-02 16:35 GMT (#75)
    (Utilizador Info) http://students.fct.unl.pt/~cer09566
    Respondendo a mim próprio, eu não disse que os "burros" seriam excluídos, mas que seriam filtrados, é que há lugar para toda a gente, mesmo a fazer trabalhos menores. Quanto aos "burros" em lugares de chefia... de certeza que não foi demostrando qualidades técnicas ou científicas que lá conseguiram chegar...

    -- Carlos Rodrigues
    Re:... (Pontos:0, Engraçado)
    por Anonimo Cobarde em 24-08-02 17:35 GMT (#77)
    filtros? Quando chegares ao mundo real terás uma surpresa e das bem duras. É espantoso a quantidade de gente mal começa a trabalhar já cumpre o principio de peter. (http://www.bartleby.com/61/4/P0220400.html)
    Notas (Pontos:1)
    por Perthro em 23-08-02 8:20 GMT (#57)
    (Utilizador Info)
    Pois, mas de quem será a culpa, os professores tambem a têm. Por exemplo, eu até ao 9º ano tive notas razoáveis a matemática. A partir do 10º anos as minhas notas cairam por ai a baixo, isto porque não tive professores que explicassem bem a matéria.
    Re:Notas (Pontos:0, Interessante)
    por Anonimo Cobarde em 23-08-02 10:20 GMT (#69)
    Tens uma certa razão, mas a causa principal não será de que até ao 9.º ano a exigência era tão baixa e os testes pediam respostas tipo-chapa-5-igualzinho-à-pergunta-da-última-aula que não tiveste pedalada para te adaptar a outro grau de exigência?
    Re:Notas (Pontos:1)
    por Prisoner em 23-08-02 20:35 GMT (#76)
    (Utilizador Info)
    Comigo foi diferente: até ao 9º ano andei literalmente a passear, a partir do 10º comecei a sentir dificuldades, mas apesar de tudo mantive as boas notas. De qualquer forma, ficou a ideia "até ao 9º ano só não passa quem não quer". È verdade... Tive um professor (não de Matemática mas na área de informática) que uma vez, em plena aula disse que 24 + 6 eram 29 (a contar pelos dedos). Esse também conta?

     

     

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