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Censura na Internet (III), Bertelsmann et al.
Contribuído por jmce em 21-09-99 18:17
do departamento MUITO-SÉRIO
Internet Continuam as discussões em torno das conferências de Munique: trata-se da tentativa mais séria, até hoje, de impor um sistema de censura na Internet, agora global, sob uma capa de "auto-regulação" e de "protecção" do público. Ver por exemplo o Slashdot [S1, S2, S3], o Technocrat [T1], o Barrapunto [B1, B2], e o Gildot [G1, G2]. O memorando da conferência foi convertido para ASCII. Para alguns calafrios, recomendo uma visita às páginas do Plano de Acção para a Internet da União Europeia, recomendando até hotlines para denúncias (o Fahrenheit 451 parecia delirante?). A Comissão Europeia terá reservado cerca de 11 milhões de dólares para este projecto [S2]. Personagens? Microsoft, AOL, IBM, MCI, British Telecom, Deutsche Telecom, vários outros e... o grupo Bertelsmann, que teve um papel central. Começam a ser difundidos dados interessantes sobre este grupo... [continua no desenvolvimento]

Occorreram de facto duas conferências em Munique: a mais comentada, patrocinada pela Bertelsmann, e outra da INCORE (um projecto europeu de classificação de conteúdos patrocinado pela Microsoft e pela MCI) (vejam um questionário...). Jens Waltermann, o director da Fundação Bertelsmann tem um papel fundamental na INCORE [S2].

A Comissão Europeia (DG XIII) criou um orçamento de 10 milhões de Euros dedicado aos "problemas" da Internet, nomeadamente ao estudo de "ameaças às leis nacionais", dinheiro que, alegadamente, foi direitinho para a Bertelsmann 'através de uma "old boys network" controlando a DG XIII' [S2]. Segundo o mesmo comentador, a proposta apresentada pela Bertelsmann 'defende os seus interesses como a maior casa editora na Europa, bem como o papel de accionista em dúzias de ISPs incluindo a AOL'. O grupo controla várias das maiores editoras americanas e é o maior detentor de material sob copyright nos EUA.

Segundo diversos comentadores, a Bertelsmann, editora dos manifestos Nazis, enriqueceu na década de 30 e adoptou uma política de "auto-censura" mesmo antes de o partido Nazi ter poder legislativo. Quando o NSDAP subiu ao poder, as editoras que defendiam a liberdade de expressão foram fechadas e o seu património foi transferido para a Bertelsmann. Depois da Segunda Guerra Mundial, o grupo não só permaneceu quase intacto como também usou fundos do plano Marshall para se modernizar, tendo possívelmente contratado mais criminosos de guerra ex-Nazis do que qualquer outra empresa [T1]. Ironicamente, as novas propostas censurariam conteúdos racistas, mas isso não deve surpreender. O que interessa é apenas o dinheiro. Enquanto o politicamente correcto vender, vende-se.

Para perceber o poder actual do grupo Bertelsmann e até para (caso seja possível) se participar num eventual boicote aos seus produtos, como já foi proposto, pode ser interessante consultar a lista de empresas do grupo.

O grupo Bertelsmann, a Microsoft, etc., sabem que têm, na Internet, por um lado informação a escapar-lhes por entre os dedos e por outro lado um enorme potencial para negócios, especialmente se a conseguirem controlar. É claro que controlar a Internet não é tarefa trivial. Mas depois das primeiras tentativas patéticas chegaram os profissionais. Os profissionais não estão a dormir e tem poder suficiente para conseguir o que querem, poder superior ao de muitos governos, especialmente se os "consumidores" (sendo assim que nos vêem) ficarem quietinhos e sorridentes. Fazer o controle via Estado -> ISPs -> individuos, ao mesmo tempo que organizações paralelas, com poderes acima das leis correntes, decidem sobre o que deve ser censurado com hotlines para denúncias, não parece um futuro particularmente brilhante. A não ser para quem tem da Internet a noção de alguns "especialistas" dos media que (metaforicamente) apenas sabem falar de produtos "cool" e "sites" como os da Coca-Cola e da Playboy.

Adenda: um documento apresentado à OCDE em Março e a declaração apresentada à conferência de Munique, ambas pela GILC, talvez ajudem a perceber melhor os perigos envolvidos nestas propostas.

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