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Os ladrões e as portas abertas
Contribuído por ajc em 23-06-99 17:41
do departamento ganhem-juízo
Teenagers com demasiado tempo livre... As frequentes dicussões sobre os ataques feitos a este ou aquele site têm dado origem a muitos comentários no GilDot. Muitas dessas opiniões vão no sentido de desculpar os ataques, enunciando falhas na segurança das vítimas, ou outros defeitos que lhes fazem merecer essa punição. Este editorial prentende afirmar o oposto. Vejam mais na continuação.
Há vários equívocos nas posições defendidas pelos apoiantes dos crackers:
- assumem que as regras de comportamento da sociedade em geral não se aplicam on-line
- pensam que falta de segurança equivale a licença para invadir
- acham que tudo é relativo

O primeiro ponto é comum em muitos ambientes povoados por jovens, mas é normalmente errado, como eles acabam invariavelmente por descobrir. A diferença é se descobrem sem que lhes chegue a acontecer algo de muito desagradável.

Uma das regras fundamentais que se parece estar a esquecer é que não se pode agredir as outras pessoas ou instituições de modo a provocar-lhes prejuízos de qualquer espécie. Isto aplica-se tanto se as vítimas forem fortes ou fracas, crianças ou adultos, pessoas ou empresas. Não é um princípio relativo: é absoluto. Não admite excepções.

Outro equívoco que parece bastante disseminado é o de que as fracas medidas de segurança de certos sites justificam que sejam atacados e humilhados publicamente, quando mais não seja para fazer aumentar a segurança. Este é um dos argumentos mais imbecis, como facilmente se demonstra. Em primeiro lugar, a segurança não é uma obrigação. Ninguém é obrigado a ter portas blindadas em casa, ou a andar com guardas-costas pela rua. O argumento de que é válido atacar os mais indefesos, para lhes ensinar a defender-se é inconcebível quando aplicado ao mundo em geral. Como é que se pode pensar que não o é quando aplicado à informática ?

Imaginem que se criava um clube da segurança doméstica que se dedicava a tentar entrar nas casas alheias, só para demonstrar a sua competência e a incapacidade dos moradores em proteger as suas casas. Não seriam ladrões, nem sequer deitariam sempre fogo à casa... Normalmente apenas desarrumavam tudo, bisbilhotavam nos armários, e punham bandeiras nas janelas a dizer F0rCasa esteve aqui! Estes tipos não se sabem proteger. Em caso de emergência lá seriam obrigados a incendiar a casa para apagar os vestígios da sua entrada. As vítimas só teriam que agradecer pois mostravam-lhes os seus erros e contribuiam para o aumento geral da segurança doméstica.

Parece inacreditável, mas é isto que os crackers fazem. E acham que são uns heróis. Não compreendem que o facto de as pessoas não tomarem medidas eficazes de protecção não dá a ninguém o direito de as atacar. Não o dá na rua, nem em casa, nem na escola, nem na Internet. Não se pode atacar terceiros! Nunca!

No caso do Netc, se bem percebi, as páginas deles permitiam ver informação que devia estar bem guardada e que poderia ser usada para crackar o site. Nesta circunstância o que é aceitável fazer? É fácil... imaginem uma situação da vida real: um fulano sai de casa e deixa cair a chave no passeio. O que é aceitável fazer? Entrar em casa dele? Tirar cópias da chave e oferecê-las aos amigos? Ou avisar o fulano e dar-lhe a chave? Estou mesmo a ver um assaltante, apanhado dentro da casa a dizer: Sr. Agente! Eu não sou criminoso... Não arrombei nada... A culpa é do gajo que deixou a chave no passeio!

Por fim algumas considerações práticas.... Estes portais que agora aparecem, bem como outros sites comerciais importantes vão ser a desgraça dos crackers. Pode ser que todo o dinheiro envolvido não dê para ter segurança total, mas dá para perseguir os culpados. Os prejuízos que se provocam a um portal ou jornal ao pôr fora de acção os seus servidores são o género de coisas que faz despertar a atenção das autoridades. E a justiça é lenta. Conheço pessoas que já passaram a fase das borbulhas e do cracking, que já acabaram cursos e têm bons empregos mas que estão ainda a começar a sofrer as consequências das suas brincadeiras... E lembrem-se, nas cadeias não há bons acessos à Internet.

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