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Imprensa, Gildot, responsabilidade, respeito
Contribuído por jmce em 27-03-00 23:24
do departamento We're-not-in-Kansas-any-more
Notícias Evito geralmente aproveitar o "estatuto" de editor para colocar como artigo uma resposta (por mais longa que seja) a uma mensagem de um "thread" anterior. Tomei agora essa liberdade por achar a questão das relações entre os media clássicos e os novos fóruns online suficientemente importante para uma discussão já com pouco a ver com críticas específicas a um artigo de jornal. No desenvolvimento está apenas a opinião pessoal de um dos editores (pena não ter tido tempo para a deixar mais curta). Longe de mim tentar falar em nome de todos os outros editores e participantes que (muito mais intensamente) tanto fizeram para criar e desenvolver o Gildot.
"Worse is contempt for audience, designing as if readers were obtuse and uncaring. In fact, consumers of graphics are often more intelligent about the information at hand than those who fabricate the data decoration. And, no matter what, the opening moral premise of information design should be that our readers are alert and caring; they may be busy, eager to get on with it, but they are not stupid. Clarity and simplicity are completely opposite simple-mindedness."
-- Edward Tufte, Envisioning Information: Narratives of Space and Time
"simple-mindedness: simplicidade de espírito; ingenuidade"
-- Dicionário de Inglês-Português, Porto Editora (1966?)

O texto citado acima, do Edward Tufte, refere-se directamente à apresentação gráfica de dados, não a jornalismo (pelo menos, jornalismo em geral). Mas parece-me acertadíssima para qualquer tarefa que envolva apresentar honestamente informação a outros, incluindo jornalismo e divulgação tecnológica e científica. Substituindo "consumers of graphics" por "consumers of news" e "data decoration" por "news article", obtemos um lema que não ficaria nada mal na parede da redacção de um jornal.

O jornalismo e a divulgação não me parecem trabalhos menores, nem o papel dos jornalistas um papel de segunda. Há jornalistas que conseguem fazer trabalho notável em termos de rigor e de isenção, apesar de raramente poderem ser tão especializados nos domínios de que falam como os participantes mais directos neles (o que não diminui só por si o respeito pela actividade), e apesar das limitações dos media clássicos: constrangimentos económicos e políticos que fabricam consensos e limites implícitos nem sempre notados pelos próprios jornalistas e emprego dos media como atractores de olhos para publicidade e mecanismos de "fabrico de consentimentos".

O jornalista Paulo Querido, em resposta a comentários ao seu recente artigo sobre IRC no Expresso, lamentava que

"um artigo de um semanário de informação geral sobre aspectos gerais/curiosos/engraçados - obviamente destinado a um público que é pouco ou nada conhecedor das profundezas técnicas da net [fosse] discutido nos seus ínfimos detalhes por membros anónimos de uma comunidade que se supõe tecnologicamente avançada..."

e aconselhava os editores do Gildot a

"[...] chamar a vossa comunidade à razão. Andar a cascar no Paulo Querido do Expresso pode ser giro para promover alguns cobardes anónimos desejosos de publicidade, e a malta (incluindo o visado) até se ri um bocado... mas se o Gildot acaba a viver só dessas querelas, então perde a sua força."

"Cascar" em jornalistas não é supostamente um desporto oficial do Gildot, e dificilmente ajudará a promover alguém (o problema técnico de como conseguir promoção mantendo o anonimato fica como exercício para os leitores). Mas é plausível que o nível de tolerância da "comunidade" para incorrecções factuais (ou perspectivas que pareçam distorcidas) seja bastante mais baixo que o esperado classicamente pela classe jornalística. Talvez seja uma atitude adquirida por interacção intensa com computadores, pouco sensíveis a instruções "quase" correctas e nada sensíveis a bluff, e ao mesmo tempo por interacção intensa com pessoas (amigos, clientes, familiares, ...) que foram mal informadas e mal formadas durante anos sobre tecnologias cada vez mais inseparáveis das nossas vidas.

Mas ao contrário do que a resposta do Paulo Querido sugeria, algumas "imprecisões técnicas" como a questão do número de canais talvez não tenham sido a principal motivação para críticas. Errar é próprio dos humanos, incluindo jornalistas e programadores. As questões em causa, sem querer empolar a importância daquele artigo específico ou sequer referi-lo mais, parecem-me mais fundamentais.

Creio que, bem mais relevante que algum alegado sadismo anti-media ou exibicionismo de "gabarito tecnológico", e mesmo por detrás de alguns dos comentários mais bizarros, há uma preocupação genuína e legítima por parte da "comunidade" no que toca à forma como as tecnologias que conhece (e as culturas associadas) são apresentadas ao tal público "pouco ou nada conhecedor" por uma entidade com o alcance e as responsabilidades de um jornal como o Expresso.

Isto porque a tal "comunidade" é muito mais rica do que uma simples massa amorfa de jovens acríticos e fanáticos incondicionais de tudo o que é novidade tecnológica, um retrato estereotipado querido a algum jornalismo mais superficial. Com toda a variedade de defeitos e virtudes, a "comunidade" (ou comunidades) não está apenas muito "por dentro" das questões puramente tecnológicas, mas também de algumas implicações sociais, boas ou más, de tecnologias que para os media dominantes parecem oscilar entre:

  • objectos a merecer glorificação incondicional (frequentemente indistinta de publicidade);
  • potenciais culpados ou agentes de todos os males;
  • ingredientes ideais para secções leves de "fait divers".

Assim, é natural que a "comunidade" ache que um artigo de jornal sobre um assunto que lhe é familiar também mereça "discussões acaloradas e trocas de informação". Um jornalista pode escrever honestamente artigos sobre "TI" sem ser um "nerd em TI" (continuando a citar do comentário), mas conhecendo o tremendo poder da imprensa perante o público, a "comunidade" espera que o jornalista também esteja consciente dessse poder e das responsabilidades associadas, nomeadamente a de se informar o melhor possível sobre aquilo que vai mostrar ao público.

Se um artigo é escrito a pensar num público com pouca familiaridade com um domínio, maior ainda a responsabilidade. Pode bem ser o primeiro (e durante muito tempo, único) contacto de bastantes leitores com o objecto da notícia, e deixará necessariamente marcas.

Se eu escrever aqui no Gildot algum comentário disparatado (e já escrevi muitos cujos bytes mais valia reciclar) espero ser rapidamente corrigido, com ou sem "flames" (bem vindos à Internet). Qualquer erro factual ou mostra de incompetência técnica serão imediatamente esmagados, se o fórum estiver a funcionar bem. Mas se eu fosse jornalista, beneficiário da confiança que tanta gente parece ter na classe, a escrever do "alto" de um jornal mais ou menos respeitado, as eventuais respostas, mesmo que aparecessem publicadas, raramente surgiriam com o mesmo peso do meu artigo. Num jornal clássico há sempre uma "firewall" protectora (no sentido usado no Cluetrain Manifesto), uma assimetria enorme entre produtores e consumidores de informação, e, frequentemente, a compreensível ausência na audiência de boa parte daqueles que poderiam enviar comentários mais fundamentados. Será que, por exemplo, a maioria dos participantes no Gildot ou dos programadores deste país se dá ao trabalho de sequer folhear tantas revistas que passam por publicações especializadas de informática perante público menos informado? Ou ler cuidadosamente artigos de informática do Expresso? Os leitores que não tenham acesso a outra via para se informarem ficam à mercê do material com que os grupos de media inundam o quiosque ao lado da paragem do autocarro. Os outros dão ao pior material a não-atenção que ele merece.

Quanto a "chamarmos a comunidade à razão"... Os leitores do Gildot não são "nossos", no sentido possessivo ou de sermos os seus "guias", para termos o direito de os "chamar à razão" de forma paternalista. O Gildot é um fórum que lhes é proporcionado, com muita liberdade de expressão e alguns deveres simples, e o máximo que podemos fazer é:

  • sugerir-lhes que aproveitem este meio da forma mais rica possível, aproveitando a oportunidade de falar para realmente dizer alguma coisa (o melhor para a comunidade e os próprios comentadores);
  • rejeitar, em casos extremos, comentários que violem algumas regras essenciais.

Posso não concordar com a forma como um ou outro leitor comenta, mas não tenho o direito de me sentir superior a ele. À partida, a minha obrigação é de respeita-lo. Por detrás de um comentário dos mais infelizes pode estar alguém que conhece o IRC, por exemplo, muito melhor que eu e qualquer jornalista português, tanto do ponto de vista técnico como social. Apenas posso lamentar a forma de um comentário que, se fosse menos descuidado, falaria mais alto.

O nível do Gildot será o que resultar de tudo o que os editores e a "comunidade" a ele fizerem chegar. Ninguém impede os jornalistas de fazer parte da "comunidade" e dar contribuições valiosas para as discussões (técnicas ou não), ao mesmo tempo que se informam para melhor informarem os seus leitores (a "comunidade" agradece). Podem ir muito além do direito de resposta às críticas sobre o respectivo trabalho. Não se admirem se o que dizem e como o dizem dentro e fora do Gildot for alvo de especial atenção; ao contrário de quase todos os outros participantes, vocês, jornalistas, são afinal profissionais da comunicação.

E não se esqueçam que, como disse o Tufte, clareza e simplicidade são opostos, não sinónimos, de ingenuidade e descuido.

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Esta discussão foi arquivada. Não se pode acrescentar nenhum comentário.
(Cyclops) Upgrade ao slash... (Pontos:0)
por Utilizador do gildot em 28-03-00 0:29 GMT (#8)
(Utilizador Info)
... era uma solucao para muitos problemas.

Para ja, e possivel cancelar os leitores Anonimos, mas no entanto, um leitor registado pode ainda assim fazer um post anonimo. Claro esta que isto serve para caso haja algum problema legal, sob mandato, se poder apontar o dedo.

Nao e a atitude que mais gosto, mas por outro lado, gosto menos de espertalhoes anonimos e maldizentes.

Outra grande vantagem, e moderacao e meta-moderacao.
Nao somos muito leitores, exceptuando pelas threads ininterminaveis quando se fala do nosso Querido, ou do IRC...

Se o problema e falta de gente, eu tv possa ajudar. Hugs
(jmce) Re: Upgrade ao slash... (Pontos:0)
por Utilizador do gildot em 28-03-00 1:08 GMT (#16)
(Utilizador Info)
Nao acho que seja boa ideia impedir "anonimos". O Slashdot teve e tem os mesmos problemas em muito maior escala e vai vivendo com eles. A moderacao ajuda a chamar a atencao para o que a comunidade considera os melhores comentarios sem necessidade de se fazer censura eliminando comentarios com criterios sempre dificeis de estabelecer e faceis de aproveitar abusivamente; no entanto, nao sei se o numero de leitores de Gildot e' ja' suficiente para o mecanismo funcionar eficazmente.

De qualquer forma, o meu comentario destinava-se sobretudo `a imprensa classica; pessoalmente, por enquanto, sinto-me muito mais incomodado com muita coisa que passa por informacao nos nossos jornais e tvs do que com alguns, ocasionais, threads flamejantes do Gildot.
(Cyclops) Re: Upgrade ao slash... (Pontos:0)
por Utilizador do gildot em 28-03-00 10:55 GMT (#96)
(Utilizador Info)
>Nao acho que seja boa ideia impedir "anonimos".

Entao acho que ja chega de reclamar deles (basta lembrar aquela sondagem). Alem do mais, o upgrade ao slash e impedir os anonimos puros, so previne no caso de surgir um mandato. Mas isso nao e a melhor solucao, obviamente. Mas se o pessoal (minimamente responsavel) continua a reclamar, acho que deviam fazer mais algo que abrir a boca.

Intel.
(jmce) Re: Upgrade ao slash... (Pontos:0)
por Utilizador do gildot em 28-03-00 13:24 GMT (#166)
(Utilizador Info)
Um mandato? Parece que a possibilidade de anonimato foi proibida em Franca... mas ca' ainda nao...
(Anónimo) Re: alguns pensamentos (Pontos:0)
por Utilizador do gildot em 28-03-00 10:55 GMT (#120)
(Utilizador Info)
Não acho mesmo nada boa ideia abolir os anónimos. Se calhar nem acho bem abolir as 'flames'.
Como dizia o editorialista... Bem vindos à Internet.

Agora, é verdade que isso coloca problemas com os quais a maioria de nós não se costuma confrontar hbitualmente... mas isso não é razão para descaracterizar o meio que utilizamos.

Se queremos fazer parte da comunidade da net temos que lhe aprender os códigos e dominar a sua linguagem e entender o seu modo de estar no mundo e na rede.

Outrora, os recém chegados eram introduzidos na 'netiquete' pelos veteranos. Com o aumento descomunal do número de utilizadores têm de ser estes a procurar aprender a etiqueta da net ou ir ao encontro dos veteranos... eles já não podem ir ao encontro dos newbies sempre que chega mais um.

Mas fazer parte da comunidade da net implica em primeiro lugar aceitar que a comunidade é auto-regulada e que parte dessa auto-regulação é feita à base, precisamente, de 'flame-wars'. Outro conceito é o de que todos podem usar os mesmos processos para defender as suas opiniões.

É importante assegurar o anonimato. Faz parte do media, do modo de estar da comunidade, permitir o acesso a recursos a quem não tem meios de se "autenticar" perante a rede - quem não dispõem de um endereço de e-mail por exemplo - quer por não ter acesso, quer por não querer - daí os acessos "anonymous" a serviços ftp e telnet e a própria existência de 'nicknames' que não são mais do que uma outra forma de anonimato.

É parte do próprio conceito da comunidade da net ser anónimo até decidir deixar de o ser. Com efeito na net somos *sempre* anónimos a não ser nas ocasiões em que *decidimos* revelar quem somos.

Se alguém "abusa" do anonimato, a comunidade tem de lidar com esse problema... é inclusive para isso que existem moderadores/editores num serviço deste género. Espero que não se caia nestas tentações "controleiras"... só significaria o abandono do serviço por parte da comunidade...


(Anónimo) Re: alguns pensamentos (Pontos:0)
por Utilizador do gildot em 28-03-00 12:52 GMT (#142)
(Utilizador Info)
>Se alguém "abusa" do anonimato, a comunidade tem de lidar com esse problema... é inclusive para isso que existem moderadores/editores num serviço deste género. Espero que não se caia nestas tentações "controleiras"... só significaria o abandono do serviço por parte da comunidade...

2 coisas, uma, concordo contigo, mas onde estao os meios no codigo actual do gildot para a comunidade controlar os trolls e as flamebaits? Nao esta. Segunda: continuam a haver posts perfeitamente anonimos, mas anonimos com responsabilidade. A comunidade nao sabe quem eles sao, e so sob mandato judicial e que essa informacao poderia ser libertada.

Note-se que eu prefiro sem duvida que nao houvesse um probelma judicial, mas, especialmente desde que os editores assumiram responsabilidade sobre os posts no gildot (censurando alguns excessos de trolls) o gildot passou a assumir que afinal era responsavel pelos posts.

Ve a perspectiva do gildot... se um anormal se lembra de ameacar processar o gildot por alguma coisa grave que um AC disse? Que proteccao tem o gildot neste momento? Desde a censura, nenhuma.

Anonimidade e uma coisa... abuso da anonimidade e outra perfeitamente diferente! Agora e preciso nao esquecer que quem abusa pode pisar os calos de alguem que se pode chatear.

Eu sou da opiniao que os AC devem existir, mas que tb deve haver um meio de poder ilibar o gildot de responsabilidades. E sobretudo note-se que que o meio de controlo do slash sob os logins e via um e-mail (que pode ser perfeitamente @megamail.pt, ja que la ate contas desaparecem).

Para bom entendedor, meia palavra basta.
(Anonimal) Agree (Pontos:0)
por Utilizador do gildot em 28-03-00 1:17 GMT (#32)
(Utilizador Info)
Concordo... e assino por baixo... na integra! Nao e' que seja a resposta que o PQ merecia, mas esta ai uma bela exposicao, apresentada com clareza e muito sentido de oportunidade... eu diria...
uma verdadeira peca de verdadeiro jornalismo, mas infelizmente, parece que nao e' disso que o Expresso gosta/precisa... e' pena.

Nao mude, caro jm.

Anonimal
(drdude) concordo em tudo que disseste. (Pontos:0)
por Utilizador do gildot em 28-03-00 9:47 GMT (#54)
(Utilizador Info)
mas Jmce... onde começa e acaba a linha das regras essenciais :

>>rejeitar, em casos extremos, comentários que violem algumas regras essenciais.

(jmce) Re: concordo em tudo que disseste. (Pontos:0)
por Utilizador do gildot em 28-03-00 15:23 GMT (#198)
(Utilizador Info)

Não disse que era fácil...

Até agora, os casos com que lidei foram apenas:

  • "Palavras" de centenas de caracteres (como "BAHAHAHAAAHAHAH...."). Estas alteram a largura "natural" da página no browser e forçam os leitores a fazer literalmente alguns metros de scrolling para conseguir ler qualquer dos outros comentários. Nestes casos apenas inseri alguns espaços na sequência "culpada", e mantive o comentário, por mais "content-free" que fosse. Para poupar tempo precioso dos editores, uma regra razoável poderia ser a rejeição (eventualmente automática) de comentários com "mega-palavras". Isto não limitaria propriamente a liberdade de expressão: trata-se apenas de tentar fazer os comentários respeitar os limites deste suporte (WWW, browsers...)
  • Comentários duplicados. Estes acontecem em geral por acidente, e acho que apagar a segunda cópia não é controverso.
  • Comentários com código malicioso. Quando apareceu o artigo sobre URLs fatais para MS-Windows (com "CON","AUX", ...) , alguém submeteu um comentário com um desses URLs, e limitei-me a remover o URL. Aqui houve abuso de liberdade do autor, ao inserir material perigoso para outros leitores.
  • Artigos submetidos mostrando receitas para intrusão em máquinas específicas. Aqui, acho que é de boa cidadania na Internet avisar primeiro a instituição em causa e esperar um pouco antes de publicar (parece-me ser esta a forma habitual dos editores de lidar com estes casos). Não defendo a segurança pela ocultação (pelo menos como parte essencial de uma estratégia de segurança), mas não acho certo publicarmos imediatamente uma receita para violar a segurança de uma máquina específica de uma instituição específica. Pode ser relevante vir a fazê-lo, por exemplo, para chamar a atenção para instituições públicas que persistam na negligência, mas mesmo nesses casos não podemos prejudicar vítimas inocentes, nomeadamente pessoas cujos dados privados estejam armazenados nos computadores em causa. Mas não tenho problemas em expor imediatamente falhas de configuração de serviços WWW que não comprometam o sistema como um todo ou dados privados de terceiros.
  • Publicação de artigos submetidos em geral: Por vezes cito integralmente o artigo submetido, outras vezes corrijo-lhe a ortografia ou traduzo partes para português, outras altero os links para evitar o que chamo a "síndrome do link" e fazer palavras relevantes serem os links. Outras vezes cito excertos. Note-se que, ao contrário dos comentários por baixo dos artigos, cujo conteúdo é, dentro dos tais limites largos difíceis de definir, "sagrado", as propostas de artigos podem não ser aceites, podem ser parcialmente citadas (tentando não deturpar), a notícia pode ser transmitida sem citar as palavras de quem enviou a sugestão, ou várias propostas podem ser fundidas numa: à medida que o número de contribuições sobe, muita gente chama a atenção para uma mesma notícia. De qualquer forma, um artigo que nos chegue bem composto terá sempre alta probabilidade de ser publicado depressa e sem correcções...

Pelo menos nos casos acima, acho que não estou a violar a liberdade de expressão dos outros. Mas claro que haverá casos de decisão bem mais difícil. De preferência as regras devem ser muito poucas, simples e consensuais (quanto possível), mas poderá sempre acontecer algo não previsto... Nos casos de manifesta e grave difamação ou com certos tipos de tentativa de publicidade, pode ser particularmente difícil estabelecer fronteiras. No mínimo, quando se toma uma decisão controversa relativamente a estes, acho que deve ser dada conta ao público de que isso aconteceu (parece-me que isso tem sido feito), para ficar claro que não é política local eliminar comentários de forma silenciosa e indiscriminada à medida de puros gostos pessoais ou tentações de exercer poder de censura.

(faustino) Lindo (Pontos:0)
por Utilizador do gildot em 28-03-00 10:48 GMT (#72)
(Utilizador Info)
BRAVO
Cá no Pico, chamamos a isto uma bofetada de luva branca. E tão bem dada que ela foi.
Parabens, do melhor que li nos últimos tempos.
(Bruno) subscrevo (Pontos:0)
por Utilizador do gildot em 28-03-00 14:04 GMT (#182)
(Utilizador Info)

Este é um exemplo de que a qualidade também impera no Gildot.
Todos temos algo a aprender, e neste sentido também as pessoas ligadas aos media, que de certa forma vivem protegidas das críticas por parte do público, e talvez por isso estejam mal habituadas quando estas são feitas (umas construtivas outras nem por isso). Por isso existem este tipo de iniciativas, onde se podem debater vários assuntos e todos o podem fazer. Penso que o artigo sobre o irc, deva ser considerado como um exemplo, porque situações destas acontecem por todo o lado e todos os dias, e que se devem ser expostas por alguma falta de qualidade que o sejam e as críticas efectuadas.
Isto é a somente a minha opinião de como eu vejo as coisas, e que acredito talvez nem seja a mais correcta. Mas é para isso que aqui estamos, para debater ideias, sempre com o intuito de aprender mais alguma coisa.

Só para finalizar gostava sinceramente que este "thread" do jmce conseguisse tantos "hits" como os tão famigerados assuntos sobre o irc e etcs., porque ...nem só de irc vive o homem :)


(buffer q) bonito... (Pontos:0)
por Utilizador do gildot em 28-03-00 14:52 GMT (#184)
(Utilizador Info)
" Não se admirem se o que dizem e como o dizem dentro e fora do Gildot for alvo de especial atenção; ao contrário de quase todos os outros participantes, vocês, jornalistas, são afinal profissionais da comunicação.
"

bonito..

bons pov.s (point of view.sK)
(Cármen Arez) Sem assunto (Pontos:0)
por Utilizador do gildot em 28-03-00 15:53 GMT (#208)
(Utilizador Info)
Parabéns jmce pela tua clareza de espirito! Bem hajas!

Não foram as imprecisões técnicas do artigo do Paulo Querido, apesar de achar que um jornalista/pessoa que passa informação para algumas centenas ou milhares de leitores deve ter algum cuidado nesse ponto, que me provocaram alguma consternação. Tive o cuidado de mostrar o artigo, não fosse eu estar a tirar conclusões precipitadas, as algumas pessoas, pessoas essas que enquadro na tal faixa de “público pouco ou nada conhecedor”. A ideia com que ficaram acerca do IRC/Internet, depois de ler o artigo, não foi de todo a melhor.
A Internet tem coisas boas e outras menos boas. Todas as poderosas tecnologias tendem a ter um lado mais “negro”. A biotecnologia, por exemplo, que nos trouxe curas para algumas doenças e, consequentemente, o prolongamento do tempo médio de vida do indivíduo permitiu também o desenvolvimento de vírus mortais usados na guerra biológica. A Internet tem a capacidade de juntar pessoas de regiões distantes do nosso planeta para partilharem ideias e cultura, permite-nos acesso imediato a grandes volumes de informação em todo o mundo...mas a ideia que a maior parte do “público pouco ou nada conhecedor” tem da Internet não é essa. Não é essa porque na maior parte dos casos os “media”, nunca mentindo, mas por vezes omitindo, passa mensagens pouco claras para quem desconhece o que é a Internet nas suas várias vertentes. Leio por vezes artigos que me passam a ideia de que a Internet é o agente culpado por todos os males do mundo, que fomenta a pedófilia, o uso e abuso de drogas, etc, etc, etc...Infelizmente, e como em tudo na vida, algumas pessoas encontraram na Internet uma maneira de explorar o “próximo”, mas são uma percentagem mínima da chamada “comunidade internautica” e não vistas com bons olhos pela restante percentagem, majoritária, que faz bom uso desta ferramenta/meio de comunicação.
Não quero com isto dizer que o Paulo Querido, ou os muitos “Paulos Querido” dos nossos “media”, seja o réu nestas questões mas vai desculpar-me Paulo, se estiver a ler isto, quando lhe digo que a sua comunidade, enquanto jornalistas, tem responsabilidades. Os meios de comunicação social são hoje em dia meios potentes de informação e, uma vez que podem levar os “consumidores” a “assumir” determinado tipo de opinião, são de certa forma meio de formação das ideias dos seus leitores. Tratar noticias, sejam elas sobre “este” ou “aquele” assunto, de animo leve parece-me um tanto ou quanto leviano e perigoso.

Fiquem bem.

Cármen Arez aka KUIKY

(Paulo Querido) Sem assunto (Pontos:0)
por Utilizador do gildot em 28-03-00 18:16 GMT (#216)
(Utilizador Info)
Caro jmce:

Gostei imenso de ler este teu comentário.
Porque trouxe a público um debate que considero fundamental (o relacionamento entre uma cultura que já foi underground e se prepara para ser dominante, a cultura dos info-habilitados - para não perder maos tempo com definições -, e a cultura tradicional dominada pelo gosto imposto pelos media de um só sentido).
Porque está bem escrito e bem fundamentado - duas preciosidades raras de encontrar em foruns electrónicos como o é o Gildot.
Porque o debate sobre aquele meu texto despretencioso e «fait divers" sobre os canais da PTnet acabou por dar lugar a um debate muito mais interessante e profundo.

Por tudo isso, bem hajas (e engulo desportivamente as tuas críticas pessoais, que espero possamos discutir em frente a umas cervejas um destes fins de tarde).

Um abraço!

PS: eu fiz o exercício que recomendas (o problema técnico de como conseguir promoção mantendo o anonimato). Ora vê lá http://www.gildot.org/commentShow.pl?sid=1000325/172200um&pid=150 e seus links.
(João Luís Marques Pinto Lamego) Muito bem dito (Pontos:0)
por Utilizador do gildot em 28-03-00 19:58 GMT (#240)
(Utilizador Info)
Começo por dar os parabés ao jmce por este bom artigo, depois de tanta coisa que já aqui foi dita, resta-me frisar que a falta de conhecimento ou de contacto com uma comunidade mais virada para as tecnologias do que para as artes do jornalismo não deve servir como desculpa para o tratamento dessa mesma comunidade de uma forma menos séria. Neste caso específico do IRC, o desconhecimento do publico em geral deste meio "tecnológico" (IRC), não deveria servir para a apresentação de um artigo de uma clara natureza poética mas muito escasso em veracidade. Por isso repetindo uma ideia já aqui expressa, é necessário maior responsabilidade dos media no que diz respeito aos assuntos tecnológicos. A mentalide do "vamos apresentar algo bonito(mesmo que mau) porque eles não percebem nada disto" não deveria (também) reinar entre os media.

(Antonio Soares) Parabens... (Pontos:0)
por Utilizador do gildot em 29-03-00 23:53 GMT (#252)
(Utilizador Info)
Os meus parabens ao jmce pelo excelente editorial com conteudo extenso mas de leitura simples e cativante...

Os meus parabens ao Paulo Querido por ter a coragem de enfrentar um publico do qual os jornalistas normalmente falam mas fogem, ie, "gostam muito" de falar (com ou sem razao - para o caso é irrelevante) mas não gostam de ver comentado.

Por fim, parece-me de inteira justiça notar que ainda não há muito tempo, alguém se queixava que não havia artigos interessantes no Gildot, sendo este artigo um excelente exemplo daquilo que se pode e deve fazer. Só nos falta a todos sermos (um pouco) de jmce's e fazer artigos desta qualidade.

PS: Como já vem acontecendo há algum tempo, não "segui" o(s) thread(s) sobre o IRC nem li a noticia do PQ (embora tenha o Expresso, não tive tempo de o ler, ainda) sobre o caso, mas embora a base de sustentação deste editorial tenha sido o artigo, parece-me muito mais abrangente do que isso...

Parabéns, portanto ao Gildot, ao jmce e ao Paulo Querido...

 

 

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