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Patentes de software: os últimos 8 dias
Contribuído por jmce em 29-06-05 19:13
do departamento futuros-brilhantes
Europa Em 2000, num inquérito a empresas e associações industriais, mais de 90% das respostas foi contra as patentes de software. A Comissão Europeia recorreu então ao argumento da "maioria económica": deveria ser dada preferência às respostas a favor, por estas alegadamente representarem a fracção mais importante em investimento e em postos de trabalho. Essa "maioria" acabou no entanto por ser surpreendida pela capacidade de resposta dos indivíduos e empresas assim ignorados pela UE. Mas, depois de no passado dia 20 a Comissão dos Assuntos Jurídicos ter deixado praticamente inalterado o texto antes imposto pelo Conselho, a eWEEK citava: "a EICTA afirmou, após a primeira leitura, que tinha errado ao subestimar os oponentes das patentes de software, e que tal não voltaria a acontecer. Eles mantiveram a palavra [...] O Parlamento Europeu está cheio de lobistas a favor da Microsoft, da EICTA, da CompTIA [...] 30 ou 40 lobistas em movimento permanente". Algumas PMEs fazem agora a que pode ser a última tentativa de serem ouvidas: A Maioria Económica Contra as Patentes de Software. Resta agora uma semana até à votação final no Parlamento Europeu. O que se passa? O que pode ainda ser feito?

A arte do disfarce

Em 2003, as associações CEA-PME, ESBA e CEDI, abrangendo no total cerca de 2 milhões de PMEs europeias, apresentaram e justificaram publicamente uma posição claramente oposta à directiva que permitiria patentear software e (e modelos de negócio, e processos de ensino, e mais em geral ideias, tudo adaptável à flexível designação de "invenção implementada em computador"). A inconveniência estratégica desta posição das PMEs para os que defendem essa patenteabilidade como suposto factor de "inovação" torna-se tanto mais óbvia quanto mais se torna perceptível a manobra de relações públicas que tem tentado mascarar a posição de grandes detentores de patentes como se fosse representativa e gozasse de "apoio espontâneo" das generalidade das PMEs europeias:

EICTA

A EICTA enviou 50 "PMEs high-tech" ao Parlamento Europeu em reclamação contra a perda de "protecção" por patentes, mas tratavam-se de facto, na maior parte, de empresas sem grande força em caso de litígio (as chamadas "patent losers"). Dessas, parte tinham patentes sobre métodos de negócio (que a EICTA alega não poderem ser atribuídas no quadro legal proposto...). Outras são detentoras de patentes já legais no âmbito da legislação anterior. Pelo menos dois dos patrões envolvidos são também gestores com altos cargos na Microsoft, e outros são parceiros de negócios de companhias como a IBM. Veja-se a análise em "Mega corporations sending SMEs to European Parliament".

Hoje foi a vez de Lisboa. A APDC participou ontem na divulgação de uma mensagem com origem na CIDOT, uma empresa de (citando) "tratamento de imagem de empresas e instituições", "relações públicas", "gestão de situações de crise", "marketing político", com anúncio de uma conferência de imprensa para hoje (o bold é meu):

Vimos relembrar a realização da Conferência de Imprensa da EICTA, a associação que representa os interesses das empresas europeias do Sector da Electrónica, Tecnologias da Informação e Telecomunicações em toda a Europa, amanhã, no Hotel da Lapa, pelas 11H30.

Ao não protegerem as suas invenções através das patentes, a indústria europeia terá graves prejuízos e muitos postos de trabalho serão ameaçados. A concorrência desleal chinesa (com uma mão de obra muito mais barata, sem direitos sociais ou laborais, copiam todas as invenções sem respeitar qualquer tipo de direitos) terá graves consequências também na indústria tecnológica, à semelhança do que se passa com outros sectores de actividade, como o dos têxteis ou o do calçado.

O PDF anexo prossegue:

PATENTABILIDADE DAS INVENÇÕES IMPLEMENTADAS EM COMPUTADOR E A PROPOSTA DE DIRECTIVA EUROPEIA: O QUE ESTÁ EM CAUSA

Exmos. Senhores Jornalistas:

Na próxima quarta-feira, dia 29 de Junho, pelas 11:30, Mark MacGann, Director Geral da EICTA, Associação Europeia da Indústria das Tecnologias da Informação e das Telecomunicações, dará uma Conferência de Imprensa para explicar o que está em causa na proposta de Directiva Europeia sobre a patentabilidade das invenções implementadas em computador, em debate actualmente no Parlamento Europeu.

Este é um assunto da maior actualidade, e uma excelente oportunidade para o esclarecimento quer das dúvidas quer das posições das forças em presença, pelo que esperamos poder contar com a presença dos senhores jornalistas.

EICTA: Fundada em 1999, a EICTA representa os interesses das empresas europeias do Sector da Electrónica, Tecnologias da Informação e Telecomunicações em toda a Europa. Esta Associação agrupa 51 grandes companhias multinacionais e 32 associações empresariais de 24 países europeus. No seu conjunto, a EICTA representa mais de 10.000 empresas de toda a Europa, com mais de 2 milhões de empregados e uma facturação superior a 200.000 milhões de euros.

Curiosamente, a EICTA não representa nenhuma empresa nem nenhuma associação portuguesas. Pode já ler-se no TEK.sapo um relato das posições defendidas hoje por MacGann.

Mais sobre a EICTA:

BSA

Na Business Software Alliance (BSA) tende a prevalecer o ponto de vista da Microsoft, embora pareça haver alguma divisão quanto às patentes de software. Segundo um artigo recente de Ingrid Marson, a BSA terá tentado apresentar as patentes de software como igualmente importantes para as PMEs e as grandes empresas, recorrendo para isso a um estudo que acaba de facto por mostrar o oposto. Segundo esse estudo:

  • 20% das patentes europeias de "inventos implementados com recurso a computador" pertencem a PMEs, percentagem constante entre 1998 e 2004;
  • metade desses 20% pertencem a empresas dos EUA e Japão.

Portanto, apenas cerca de 1200 PMEs europeias (número aproximadamente igual ao total de TIC da Eslovénia, em 2002) detêm tais patentes (no entanto o autor admite ter incluido empresas de controversa classificação como "PME"). Por outro lado, apenas 37% das patentes das PMEs envolveriam puro processamento de dados, ou seja, caíriam na categoria de "patente de software", embora também essa identificação seja difícil.

Conclusão aparente da BSA: 81 por cento das "inovadoras PMEs europeias" dependem de uma patente. Como, quando apenas 0.018% terão submetido patentes? Com linguagem menos cuidada, ao "tentar" dizer que 81% de PMEs com patentes apenas detém uma...

A "campanha pela creatividade"

E há a... Campanha pela Criatividade, sob o mote "as patentes protegem a inovação" Nesta campanha aparentemente "espontânea" mas orquestrada pela empresa de relações públicas Campbell Gentry, os conceitos de copyright, marca registada e patente são misturados, agrupados como alvo das ameaças de "alguém" difuso que os quer espezinhar --- sejam os "piratas" e ladrões de "propriedade intelectual" ou alguém que procura "intimidar" os orgãos da UE como que para alterar todos esses quadros legais de uma vez. A campanha faz assim um apelo difuso às "comunidades criativas", fotógrafos e compositores incluídos. Com menos "floreado criativo", entre os apoiantes desta campanha encontramos alguns "suspeitos do costume": SAP, Microsoft, CompTIA...

Antes de se entregar a esta campanha, já Simon Gentry estava numa linha de trabalho semelhante: lobbying para a empresa farmacêutica Smithkline Beecham, a favor do patenteamento de genes na Europa, com tanto sucesso que a directiva conseguida chegou a incomodar alguns governos e grandes empresas de genética. Segundo o próprio Simon Gentry, a Smithkline teria reservado 30 milhões de EUR para a campanha, que incluiu manifestações em cadeiras de rodas de associações de doentes, sob a chantagem emocional de... "No Patents, No Cure".

Outro forte apoiante da campanha da "Creatividade" é a empresa Tribeka, de facto sem patentes atribuídas, mas a tentar patentear modalidades de venda de software via Internet

O que se pode ainda fazer?

A FFII continua entretanto o seu trabalho de lobbying, com voluntários que recebem numa semana o que os apoiantes profissionais das patentes de software recebem numa hora...

E decorreu hoje no Parlamento Europen a conferência Claiming Economic Majorities: the Software Patent Case. Veremos em breve até que ponto conseguiu tranmitir a sua mensagem.

aLANtejo 2005 - O Futuro do Alentejo passa por aqui | Sincronização  >

 

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Referências
  • ZDNet
  • CEA-PME
  • ESBA
  • posição claramente oposta
  • "invenção implementada em computador"
  • mascarar a posição de grandes detentores de patentes
  • "Mega corporations sending SMEs to European Parliament"
  • APDC
  • CIDOT
  • nenhuma empresa
  • nenhuma associação
  • relato das posições defendidas hoje por MacGann
  • "Bitkom: Voice of IT corporate patent lawyers in Germany"
  • EICTA statement on patentability of "computer-implemented inventions"
  • Comentarios al posicionamiento de EICTA sobre patentes de software
  • EICTA calls on Commission, Council to Kill Parliament Vote
  • Praise for Irish Presidency's Policy on Software Patents
  • Carta aos elementos da Comissão de Assuntos Jurídicos (JURI)
  • Business Software Alliance
  • artigo recente de Ingrid Marson
  • estudo
  • mostrar o oposto
  • Campanha pela Criatividade
  • aparentemente "espontânea" mas orquestrada
  • empresa de relações públicas Campbell Gentry
  • apoiantes
  • entregar a esta campanha
  • associações de doentes
  • a tentar patentear modalidades de venda de software via Internet
  • O que se pode ainda fazer?
  • Perceber o que está em causa.
  • emendas clarificadoras
  • dados mais pormenorizados
  • Eurodeputados
  • A Maioria Económica Contra as Patentes de Software
  • registaram o seu apoio
  • Call for Action III
  • chamada de atenção via WWW
  • trabalho de lobbying
  • Claiming Economic Majorities: the Software Patent Case
  • inquérito a empresas e associações industriais
  • Comissão dos Assuntos Jurídicos
  • deixado praticamente inalterado
  • Conselho
  • eWEEK citava
  • EICTA
  • CompTIA
  • A Maioria Económica Contra as Patentes de Software
  • Mais acerca Europa
  • Também por jmce
  • Esta discussão foi arquivada. Não se pode acrescentar nenhum comentário.
    A minha carta aos Eurodeputados (Pontos:2)
    por 4Gr em 29-06-05 20:56 GMT (#1)
    (Utilizador Info) http://www.fe.up.pt/~ei02069/blog
    A minha carta aos Eurodeputados:

    Exmos Srs. Deputados,

    Antes de mais, obrigado a todos aqueles que forem disponibilizar o seu reduzido tempo a ler -- e ponderar -- sobre este e-mail. Vou tentar ser o mais curto possível.

    A mensagem tem como objectivo, à semelhança de muitas outras que já foram enviadas pelas mais diversas pessoas, empresas ou instituições, alertar para o perigo das patentes de software! Ao contrário de uma patente comum, que protege uma invenção, uma patente de software está a priveligiar o abuso indevido de uma ideia. Na boa verdade, as patentes de software são um mecanismo de inventar (patentes), sem na verdade inventar nada.

    Não vale a pena iniciar demagogias sobre a validade das patentes de software: os casos absurdos e ridículos que se podem consultar no departamento de patentes dos EUA comprovam exactamente esta teoria. Por exemplo, o sistema de um clique do rato para efectuar uma compra na Amazon, o duplo clique do rato (patenteado pela Microsoft), um sistema de ajuda comum (patenteado pela Kodak) e poderia continuar indefinidamente... Esta situação abre precedentes, que aliás já estão a ser devidamente explorados pelas gigantes multi-nacionais.

    A contrário do que ainda muita gente pensa, as patentes não são uma forma de proteger os autores -- isso já está garantido pelo copyright. O que se sucede é que as patentes de software inibem a I&D por parte dos pequenos (individuais, pequenas empresas) que não podem competir em tribunal com grandes empresas que detêm uma ideia tão abstracta (pois têm o capital para a adquirir!) que compromete, e retrocede, muito trabalho. As patentes de software, e reafirmo o facto de serem as de software em específico, INIBEM e IMPEDEM a inovação.

    A prova que se trata de um mecanismo legal de ganhar dinheiro ilegalmente é a quantidade abusiva de empresas de patentes, que apenas têm dois objectivos: registar patentes e submeter as acusações para tribunal. Não inventam _nada_. A Microsoft sugeriu recentemente que o sistema de patentes fosse alterado para a patente ser atribuida ao primeiro que a regista, e não ao primeiro que declara a "invenção!

    Uma leitura, por um dos homens mais importantes da história das TI, Richard M. Stallman, aborda o problema de uma forma bastante interessante.

    http://lxer.com/module/newswire/view/38501/index.html

    Dada a época decisiva que se aproxima, eu apelo, consciente da gravidade de um "sim" no parlamento pode significar (e como pode colocar o meu futuro, e de todos, em risco), ao voto informado dos deputados, Vossas Exªs, que me representam a mim e ao povo português. Por favor, indagem e investiguem sobre o tema -- rapidamente constatarão que o cenário é bastante diferente daquele que as grandes empresas (os que ganham com as patentes de software) lhes têm falado.


    Até à data recebi resposta do Sr. Carlos Coelho, que passo a transcrever:


    Muito obrigado pelo seu email e pela sua mensagem.

    Acho que tem toda a razão e que o Parlamento Europeu deve reapresentar as alterações que votou na primeira leitura recusando vergar-se à redacção que foi acordada no Conselho.

    Os melhores cumprimentos

    Carlos Coelho


    Quem dera que todos os eurodeputados tomassem posições idênticas, e não comandadas pelos interesses selvagens, descarados e incontrolados de empresas como a Microsoft.

    Patentes de Software: A arte de inventar patentes e não inventar nada.
    Dominus vobiscum
    Re:A minha carta aos Eurodeputados (Pontos:0)
    por tonidosimpostos em 30-06-05 0:24 GMT (#5)
    (Utilizador Info)
    Oh que linda resposta do Eurodeputado. Sera que foi ele que a deu ou a secretaria ?

    Depois, se tivesse lido com atencao o teu email, e fosse no minimo culto, saberia apontar que as patentes nao protegem apenas invenções, mas também inovações.

    Depois:
    The copyright protects the form of expression rather than the subject matter of the writing. For example, a description of a machine could be copyrighted, but this would only prevent others from copying the description; it would not prevent others from writing a description of their own or from making and using the machine. Copyrights are registered by the Copyright Office of the Library of Congress.

    Enfim, a demagogia do costume, cada lado puxa a braza para a sua sardinha com a desinformação do costume !

    P.S.: Um gajo como tu filho, de boas famílias, deveria saber escrever melhor portugues. Aquele teu paragrafo de introdução é uma boa merda... Enfim :)

    FireFox 1.0.5 released... 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12... Is it a record ? MFSA 2005-51 The return of frame-injection spoofing... Return sounds good!!!

    Re:A minha carta aos Eurodeputados (Pontos:2)
    por Perky_Goth em 30-06-05 2:03 GMT (#6)
    (Utilizador Info) http://www.fe.up.pt/freefeup
    invenções, inovações, na prática do uso é igual. se em marktingles é uma merda diferente, é-me completamente indiferente porque distiguir as duas é tão fudido que cada dicionário tem a sua interpretação.
    a menos q apresentes algum especial.

    anormal, a tua citação sobre o copyright é para dizer que é diferente de uma patente. obrigado, génio. nada altera sobre a estupidez do sistema de patentes.
    e em portugal n se regista nada na biblioteca do congresso.
    aliás, graças à merda da convenção de berna, nem sequer tens q registar nada, basta haver provas da criação.

    quanto à carta, podia tar melhor, mas enfim...
    -----
    Windows: Agora com ecrãs azuis... vermelhos...
    Re:A minha carta aos Eurodeputados (Pontos:0)
    por tonidosimpostos em 01-07-05 1:17 GMT (#21)
    (Utilizador Info)
    Eu nao estou a discutir o sistema de patentes ;) Estou a discutir a manipulação de ideias que ai o génio da cortiça fez.

    Eu por mim, implementava temporariamente o sistema de patentes, com clausula de revogação para tudo. Testava-se, funciona bem, siga, nao funciona lixo com ele. É muito mais fácil do que andar com extrapolações e previsões de uma realidade que se desconhece, baseada em meia dúzia de casos no sistema de patentes actuais.

    FireFox 1.0.5 released... 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12... Is it a record ? MFSA 2005-51 The return of frame-injection spoofing... Return sounds good!!!

    Re:A minha carta aos Eurodeputados (Pontos:1)
    por Zarluk em 01-07-05 10:37 GMT (#29)
    (Utilizador Info)

    Tanta ingenuidade... acreditas mesmo que, uma vez aprovado, consegues reverter a situação se se chegar à conclusão (quem?) que ele é contra-indicado?

    Já agora, (e só como exemplo): concordas com aquela patente das barras de progressão? Achas que se devia aceitar uma patente desse género? ou continuamos naquele filme (genial) do Eddie Murphy, à espera que alguém grave uma conversa de bastidores para desmascarar esta farsa?

    Re:A minha carta aos Eurodeputados (Pontos:0)
    por tonidosimpostos em 01-07-05 16:25 GMT (#34)
    (Utilizador Info)
    Se acredito mesmo ? Porque não havia de acreditar ? Se nao acreditasse é muito fácil colocar todo o sistema legal em causa, exercício que seria do meu agrado ! Para isso mesmo é que deveria ser estabelecido um sistema temporário com cláusulas de revogação no caso de dar barraca. Se os visados nao aceitam tal sistema, a conversa é outra, mas a escolha é entre ter ou nao ter.

    É óbvio que não concordo com pseudo patentes estúpidas ! É obvio que não devem ser aceites patentes óbvios. No entanto, isso passa pela discussão do significado de óbvio, o que pode ser um problema mais complicado do que parece. Aquilo que é obvio, é que à partida estamos a negar algo com argumentos baseados em meia dúzia de casos maus. Para mim é uma extrapolação perigosa, baseada em muito na resistência à mudança. Faz-me lembrar casos do tipo medicamentos de venda livre nos hipers. A resistência começou logo no mesmo dia, com argumentos absurdos, sem realização de qualquer teste que comprova-se a situação. Até porque, o Reino Unido é um país diferente de Portugal.

    Esta luta parece a recente luta contra a globalização, em que muita gente não fazia a mínima ideia daquilo que estava em jogo, apenas protestavam. Baseavam muito daquilo que diziam em aparências...

    FireFox 1.0.5 released... 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12... Is it a record ? MFSA 2005-51 The return of frame-injection spoofing... Return sounds good!!!

    Re:A minha carta aos Eurodeputados (Pontos:2)
    por Cyclops em 01-07-05 22:01 GMT (#40)
    (Utilizador Info)
    Aquilo que é obvio, é que à partida estamos a negar algo com argumentos baseados em meia dúzia de casos maus.
    Meia dúzia de casos maus?

    Faz-me lembrar casos do tipo medicamentos de venda livre nos hipers.
    Isso são especulações, porque dantes não havia.

    No caso das patentes de software já há provas dadas.

    Faz-me lembrar casos do tipo medicamentos de venda livre nos hipers.
    Mas tu pelo menos dás-te ao trabalho de verificar os links, ou atribuis os links a um efeito estético maravilhoso do browser?

    É que dar-te o acesso a provas e evidências não é coisa que tenha faltado...

    Por outro lado, todas as tuas alegações seguem completamente infundadas.
    Re:A minha carta aos Eurodeputados (Pontos:0)
    por tonidosimpostos em 02-07-05 23:39 GMT (#47)
    (Utilizador Info)
    Ok my fault, esqueci-me de colocar as aspas. Não deixam de ser "meia dúzia" nos milhares ou milhões de patentes que existem e potenciais. Nao pega essa.

    Yeah todo o arsenal litigioso em propaganda, não é especulação, é realidade adiada. Certamente que conheces o conceito de realidade adiada, correcto ?

    Nao, nao verifico os links, porque o meu Firefox cada vez que clicko neles, tenta fazer save as, o que torna impossivel clickar em links.

    Ah... é capaz de me ter escapado um tom sarcástico aqui e ali nesta resposta...

    FireFox 1.0.5 released... 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12... Is it a record ? MFSA 2005-51 The return of frame-injection spoofing... Return sounds good!!!

    Re:A minha carta aos Eurodeputados (Pontos:2)
    por Cyclops em 03-07-05 0:01 GMT (#48)
    (Utilizador Info)
    Yeah todo o arsenal litigioso em propaganda, não é especulação, é realidade adiada. Certamente que conheces o conceito de realidade adiada, correcto ?
    Deves estar a tentar fazer alusão ao reduzido número de casos que chegam a tribunal.

    Acontece que a vasta maioria dos casos não chegam às barras do tribunal. Desafiar uma patente significa desafiar algo que o sistema considera válido. É o alegado infractor que tem o ónus da prova da inocência.

    A maioria das entidades acusadas (PMEs, indivíduos, etc...) não têm recursos para desafiar uma patente. Um estudo do Gabinete de Patentes do Reino Unido (UKPTO) chegou à conclusão que este desafio poderia chegar facilmente a algumas centenas de milhares de EUROs.

    E desta forma (chantagem e extorsão) se compram empresas, fecham projectos, se acaba com a inovação. E o mais bonito é que "nunca acontece nada" porque há uns cépticos que se recusam a tirar as palas que os impede de olhar para o lado...
    Re:A minha carta aos Eurodeputados (Pontos:0)
    por mrmv em 03-07-05 9:59 GMT (#51)
    (Utilizador Info) http://spaces.msn.com/members/shadeofwindows
    E desta forma (chantagem e extorsão) se compram empresas, fecham projectos, se acaba com a inovação

    Tu andas à deriva com as dúvidas, as questões, os medo, eu sei lá que mais, mas seria curioso como é que alguém compra uma empresa e acaba a inovação... a inovação só acabará qd todos deixarmos de pensar... e por isso pelo que me diz respeito não estou preocupado ;o)

    My son is now an "entrepreneur." That's what you're called when you don't have a job.
    Ted Turner
    Re:A minha carta aos Eurodeputados (Pontos:0)
    por tonidosimpostos em 04-07-05 0:48 GMT (#63)
    (Utilizador Info)
    Nao, nao estou a fazer alusao ao numero de casos que chegam a tribunal. Litigio legal nao significa tribunal. A maioria dos casos antes de chegar a tribunal fica pelo settlement, já que na maioria dos casos é economicamente mais barata essa solução, e tb pq na maioria dos casos, os "infractores" nao tem grandes hipoteses de contestação. Caso contrário, nao era preciso sistema de patentes para nada, se bastava contestar para ir contra a patente.

    Por outro lado, parte dos casos que tem vindo a publico, sao empresas pequenas, a atacar empresas grandes, tipo Microsoft. Com certeza que te deves lembrar dos ultimos casos em que a Microsoft está envolvida.
    Infelizmente a justiça é cara, o que torna o conceito de justiça um pouco dúbio, aplicando-se isso em todas as áreas, nao apenas no caso das patentes.

    Chantagem e extorsão são conceitos "ligeiramente" diferentes daqueles que lhes atribuis. A compra de empresas, fecho de empresas, etc etc etc, faz parte da economia, tal como faz parte da vida a morte. Curiosamente, isto aqui nao faz referencia às patentes como causa para o possível decréscimo do progresso tecnologico. Claro, é apenas um artigo de opiniao, um estudo, mas no limite, tudo o que apresentares sofre exactamente do mesmo problema.

    O mais bonito, é que ha uns que querem impor aos outros as palas, querem obrigar os outros a olhar para outros lados e a ter opinioes divergentes. Esses "uns", sao os mesmos que supostamente defendem a liberdade e por ai fora, liberdade essa que pode sempre existir enquanto for de acordo com aquilo que eles definem. Faz-me lembrar o sistema Comunista e parecidos. Mas provavelmente és capaz de nao perceber isto...

    Como diria o Pacheco Pereira, se ninguem é do Não, entao eu vou ser, para que exista opinião divergente. Consegues atingir porque é que ele tomou esta atitude ou precisas de um desenho ?


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    Re:A minha carta aos Eurodeputados (Pontos:1)
    por Zarluk em 02-07-05 13:02 GMT (#44)
    (Utilizador Info)
    Se acredito mesmo ? Porque não havia de acreditar ? Se nao acreditasse é muito fácil colocar todo o sistema legal em causa...

    Deixa-me lembrar-te que, há uns anos atrás, havia pessoas cultas que acreditavam que a União Soviética era o sol do mundo... e continuaram a acreditar muito para além do razoável, pela simples razão que, se deixassem de o fazer, teriam que pôr em causa tudo aquilo em que acreditavam.

    Se o teu caso é mesmo de ingenuidade (o que duvido muito dado já teres dado mostras, aqui e ali, de alguma inteligência), um dia abrirás os olhos e verás que o muro foi reconstruído de novo.

    Re:A minha carta aos Eurodeputados (Pontos:0)
    por tonidosimpostos em 02-07-05 23:34 GMT (#46)
    (Utilizador Info)
    Er... estás a comparar duas coisas completamente distintas. Eu estou a falar do sistema legal e democrático. Por muito "injusto" que seja, toda a nossa sociedade é baseada nisso. Não acreditar nele, coloca em causa muitas coisas. Apesar dos problemas, alguns dos quais sinto na pele ou muito próximo, eu acredito no sistema legal.
    O projecto comunista tinha em mente uma nova sociedade, colocava tudo em causa. É algo bastante diferente.
    A ingenuidade muitas vezes é confundida com o acreditar em algo. Não são a mesma coisa.

    FireFox 1.0.5 released... 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12... Is it a record ? MFSA 2005-51 The return of frame-injection spoofing... Return sounds good!!!
    Re:A minha carta aos Eurodeputados (Pontos:1)
    por Zarluk em 03-07-05 8:42 GMT (#49)
    (Utilizador Info)
    Não é preciso dramatizar tanto... colocar as patentes de software em causa não implica colocar em causa o sistema democrático ;-)

    Não será por aí que irá ocorrer qualquer catástrofe. Será, apenas, menos um impecilho ao desenvolvimento de software.

    Re:A minha carta aos Eurodeputados (Pontos:0)
    por mrmv em 03-07-05 10:16 GMT (#54)
    (Utilizador Info) http://spaces.msn.com/members/shadeofwindows
    Será, apenas, menos um impecilho ao desenvolvimento de software

    Com todo o potencial que este sistema (do teu ponto de vista) tem para gerar problemas, o mercado americano continua com vitalidade a gerar inovação e não vemos assim tantos problemas, ou estarei enganado. Estou é mais preocupado pelo facto da europa não ter a mesma dinâmica...

    My son is now an "entrepreneur." That's what you're called when you don't have a job.
    Ted Turner
    Re:A minha carta aos Eurodeputados (Pontos:0)
    por mrmv em 03-07-05 10:17 GMT (#55)
    (Utilizador Info) http://spaces.msn.com/members/shadeofwindows
    E não estou a dizer que não a tem pelo facto de não ter patentes, nem sequer é isso...

    My son is now an "entrepreneur." That's what you're called when you don't have a job.
    Ted Turner
    Re:A minha carta aos Eurodeputados (Pontos:2)
    por null em 03-07-05 11:15 GMT (#58)
    (Utilizador Info)
    Segundo uma análise de dois fulanos do Federal Reserve Bank, o incremento de patentes de software nos EUA está associado a um declínio significativo no investimento em R&D por parte das empresas de software. Os autores tiveram o cuidado de dizer que o efeito não prova a causa, mas para eles, o argumento de que as patentes, no caso do software, estimula a inovação está incorrecto. Se há alterações no sistema legal que promove patentes indiscrimanadas, o resultado bem pode ser menos inovação. Adivinha quem pagou a dois economistas para criticarem este estudo? O mesmo que em 1991 lançou dúvidas sobre as patentes de software e que estas poderiam estagnar a indústria.
    Re:A minha carta aos Eurodeputados (Pontos:0)
    por tonidosimpostos em 04-07-05 0:50 GMT (#64)
    (Utilizador Info)
    http://www.newscientist.com/article.ns?id=dn7616 - este aqui nao refere nada acerca das patentes como factor de abrandamento do progresso tecnologico...

    FireFox 1.0.5 released... 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12... Is it a record ? MFSA 2005-51 The return of frame-injection spoofing... Return sounds good!!!
    Re:A minha carta aos Eurodeputados (Pontos:2)
    por Cyclops em 04-07-05 6:58 GMT (#65)
    (Utilizador Info)
    Qualquer estudo cujo vector para progresso da inovação reside no número de patentes registadas merece muito pouco respeito.

    Sugiro-te antes um estudo a sério, como o famoso estudo de Bessen & Hunt, onde claramente se conclui que os orçamentos para suster o sistema de patentes nas empresas estão a canibalizar os orçamentos para I&D...
    Re:A minha carta aos Eurodeputados (Pontos:2)
    por null em 04-07-05 8:24 GMT (#66)
    (Utilizador Info)
    Obrigado pelo link, era esse mesmo o estudo a que me referia.
    Re:A minha carta aos Eurodeputados (Pontos:0)
    por tonidosimpostos em 05-07-05 0:15 GMT (#71)
    (Utilizador Info)
    Eu sugiro-te que sigas o mesmo conselho que me tentas dar, e comeces a ler as coisas com olhos de ver. Onde é que ali está descrito como vector para o progresso tecnologico o numero de patentes ? Tu é que mereces muito pouco respeito... Geez

    Ele foi buscar as patentes como uma variável para o estudo, para tentar correlacionar aquilo que quer provar. Percebes alguma coisa de Econometria certo ?

    É que os comentários ao artigo, por parte de outros "experts" vão no sentido de duvidar da amostra, não de ter usado patentes para correlacionar. O numero de patentes sempre foi uma variavel a ter em consideracao nestes estudos. Portanto é mais do que natural que ele o tente fazer.

    Quanto ao teu estudo a sério, é mais a sério que os outros porque carga de água ? Provavelmente pq tem um estudo econométrico associado. Claro que tu conheces os problemas da Econometria certo ?
    As conclusões estão cheias de "appear", "may be" e dicas sobre aquilo que encontraram no estudo econométrico. Nao vejo lá nenhuma conclusão firme, bem como a chamada para uma teoria que tente demonstrar aquilo que eles provam. E depois, os dados são relativos à década de 90, que tal como eles dizem, pode ter sido causado pela "arms race" a partir do momento em que as patentes foram aceites.
    Claramente não concluem nada, a não ser que leias qq coisa implicita na conclusão que eu nao consigo ler. Importas-te de demonstrar ? É que eles falam de "strategic patenting" quando observam essa correlação negativa.

    FireFox 1.0.5 released... 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12... Is it a record ? MFSA 2005-51 The return of frame-injection spoofing... Return sounds good!!!

    Re:A minha carta aos Eurodeputados (Pontos:2)
    por Cyclops em 30-06-05 6:54 GMT (#7)
    (Utilizador Info)
    Depois, se (...) fosse no minimo culto, saberia apontar que as patentes nao protegem apenas invenções, mas também inovações.
    E tu acabaste de provar que não percebes nada de patentes, pois o seu propósito é precisamente incentivar que se publique a informação sobre a invenção, concedendo um monopólio de 20 anos sobre essa invenção.

    Inovação também existe no Direito de Autor, ó jackass.

    Enfim, a demagogia do costume, cada lado puxa a braza para a sua sardinha com a desinformação do costume !
    Lá porque dizes que algo é "demagogia" não quer dizer que isso seja verdadeiro. Na realidade a descrição está muito correcta no que remete a registos, o Direito de Autor, quando registado oficialmente (inteiramente opcional e quase irrelevante para o exercício dos direitos).

    A descrição do funcionamento do Direito de Autor também está bem descrita, pelo que gostaria que em vez de ser um demagogo fundamentes a tua opinião.

    Ah, espera... é o tóni...
    Re:A minha carta aos Eurodeputados (Pontos:0)
    por tonidosimpostos em 01-07-05 1:14 GMT (#20)
    (Utilizador Info)
    Oh jackass, o que é que a publicacao da informação da invenção, tem a ver com o facto de a patente proteger invenção e inovação ?
    Claro que aquilo que digo é falso, a sapiência aqui do burgo é tão elevada que os outros são uns meros aspirantes à verdade...

    FireFox 1.0.5 released... 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12... Is it a record ? MFSA 2005-51 The return of frame-injection spoofing... Return sounds good!!!
    Re:A minha carta aos Eurodeputados (Pontos:2)
    por Cyclops em 01-07-05 22:30 GMT (#43)
    (Utilizador Info)
    Oh jackass, o que é que a publicacao da informação da invenção, tem a ver com (...)?
    Oh, nada de especial. Insignificante, na realidade.

    É apenas o propósito de uma patente.
    Re:A minha carta aos Eurodeputados (Pontos:2)
    por jmce em 30-06-05 8:28 GMT (#8)
    (Utilizador Info) http://jmce.artenumerica.org/

    A "demagogia do costume" refere-se à tua resposta pendurada das palavras "inovação" e "desinformação"? Ou tens algum comentário de "informação", com conteúdo, talvez desmontando a suposta "desinformação"?

    Pelo caminho podes também aproveitar para encontrar e documentar a desinformação e a demagogia no artigo de Gary Reback (advogado que teve entre os clientes a Sun, a Oracle, a Apple, ...) na Forbes, o "Patently Absurd", e explicar melhor isso da "protecção das inovações" neste mundo real. Parece ser necessário recordar periodicamente que não se está a discutir um sistema legal fictício de uma sociedade num espaço paralelo com gabinetes de patentes diferente dos actuais USPTO e do EPO).

    By all means, estamos à espera da tua demonstração de objectividade, contra-desinformação e bom português...


    Re:A minha carta aos Eurodeputados (Pontos:0)
    por tonidosimpostos em 01-07-05 1:09 GMT (#19)
    (Utilizador Info)
    Se desejas perceber qual o significado da palavra inovação e da palavra invenção, inscreve-te numa universidade numa cadeira que trate do assunto. Rapidamente ficas a perceber a diferença.
    Relativamente à desinformação, prende-se com aquele bonito cliché, da arte de inventar nada. A patente protege a invenção e a inovação, não apenas a invenção como aquela bonita frase quer transmitir. Eu sei, fica bonito, dá uma ideia bonita, enfim, é um bonito slogan de marketing. O problema é que está errado. Estando errado passa a transmitir uma ideia falsa, distorcida, etc etc etc. Claro que o Sr Deputado nem contesta isso, apenas está a contra. Faz-me lembrar aquele filme do Eddie Murphy, quando vai Congressista, em que decidem no que é que vao votar a favor e contra. O assunto nao interessa, desde que obtenha mais votos !
    A desinformação está presente em coisas deste género: "Ao contrário de uma patente comum, que protege uma invenção, uma patente de software está a priveligiar o abuso indevido de uma ideia.".

    O argumento primeiro está ferido da definição errada. Mas esquecendo isto, tem uma coisa mais engraçada, que é conduzir e formar a ideia sobre as patentes de software. Começa logo por partir do pressuposto de que é um abuso indevido. Claro que é um abuso indevido, baseado numa série de casos que aconteceram. A questão é, porque razao, e em que base é que se extrapola o principio geral de que vai ser abusado todo o sistema e todas as ideias vao ser apropriadas por meia dúzia de bichos papões ? Está é a desinformação, a deturpação dos factos e a manipulação das ideias. Se calhar devo ser eu que estou a ver coisas a mais. Provavelmente a maioria da malta aqui é um economista superior a mim, dado que dominam a arte do pressuposto com uma primazia fantástica.

    Quanto ao português,

    "Antes de mais, obrigado a todos aqueles que forem disponibilizar o seu reduzido tempo a ler -- e ponderar -- sobre este e-mail. Vou tentar ser o mais curto possível."
    Forem disponibilizar ? Mas isso é português que se escreva a um deputado ?
    Isso é português que um gajo com pedigree como ai o Amorim escreva ? Alguem que manda uns bitaites em público que entrava em qq curso e tem pedigree, deveria ter mais cuidado com aquilo que escreve. Ou então não...

    FireFox 1.0.5 released... 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12... Is it a record ? MFSA 2005-51 The return of frame-injection spoofing... Return sounds good!!!

    Ignorar o pré-observado, acusar de pré-suposição (Pontos:2)
    por jmce em 01-07-05 9:47 GMT (#25)
    (Utilizador Info) http://jmce.artenumerica.org/
    "vamos ver se o assustamos com a universidade", pensa ele
    Jovem, não me impressionas com a "táctica da universidade", eu sei o que é a Universidade e já vi nela, em muitas fases da vida, o melhor e o pior da espécie humana; passei por lá, num curso (física) com disciplinas menos dadas a banalidades do que certas disciplinas na moda debitando em PowerPoint, em prolongamento do estilo do ensino secundário, definições pré-mastigadas para os meninos decorarem palavra a palavra sem perceberem o conteúdo e facilmente resumíveis num pequeno pequeno artigo de enciclopédia. "As patentes protegem a inovação" bem podia ser uma das frases que o aluno copia para o caderno (ou melhor, o aluno vai em seguida levantar as fotocópias a 4 slides por página e 4-6 linhas por slide). Tenho também 41 anos e acho que mesmo sem a gritante falta dessa disciplina (e, note-se, sem qualquer menosprezo pela Economia) já devia ter percebido o que era "inovação"; mas talvez o meu cepticismo actual sobre algum mundo académico seja exagerado e tenhas tido a sorte (rara) de ter um professor e uma disciplina excepcionais sobre esse assunto; e nesse caso poderias dar-nos o benefício do conhecimento adquirido. Sobre essa contribuição não tenho esperanças, por saber muito bem que estás aqui apenas para te divertires.

    "A patente protege a invenção e a inovação", só assim, é também um belo chavão de marketing. Podes justificar a frase no domínio do software, aquele de que se está aqui a falar, tendo em conta que quem estás a insultar tentou ao menos exemplificar resumidamente com a história anterior da prática neste campo? A história anterior, onde reconheces abusos, deixou de ser relevante face às esperanças da aplicação idílica da toda-correcta definição que apresentas? És capaz, além da declaração de intenções "proteger a inovação", apontar como esta directiva vai evitar a repetição dos mesmos abusos? E em que quantidade esses abusos que não negas serão toleráveis como "danos colaterais" da protecção à inovação?

    Quanto à "extrapolação", ela não é necessária, e parece estar mais na tua visão do que o 4Gr escreveu do que no que ele escreveu. Não é necessária a caricatura de que todas as patentes seriam triviais e todos os que solicitam patentes seriam oportunistas sem escrúpulos. Dizer que a patenteabilidade de software priveligia o abuso indevido de ideias não é negado por ti quando reconheces os abusos. Os abusos existem por a ferramenta legal existir, como acontece com muitas outras ferramentas legais. Aquilo que não teria qualquer valor sem a directiva, uma ideia banal das que tu não negas existirem, transforma-se com a directiva numa potente arma de extorsão e litígio. Estando tu menos preocupado com os danos do que até o Alan Greenspan parece estar, e não fornecendo sequer exemplos para, poder-se-ia esperar, tornares irrelevantes os exemplos que ridicularizas, talvez devesses ser mais cauteloso no atirar de pedras à "arte do pressuposto" alheia.

    "Claro que o Sr Deputado nem contesta isso"

    Pela segunda vez acusas basicamente o Carlos Coelho de escrever o que escreveu apenas "para agradar", dizendo o que o que o 4Gr gostaria de ouvir. Isso faz parte da tua excelência na arte do pressuposto, ou tens dados para fundamentar a acusação?

    Re:Ignorar o pré-observado, acusar de pré-suposiçã (Pontos:0)
    por tonidosimpostos em 01-07-05 17:23 GMT (#39)
    (Utilizador Info)
    A Universidade não é nenhuma táctica para intimidação. É uma "táctica" para conhecimento superior. O mundo académico é apenas uma extensão do mundo normal. Tem do melhor e tem do pior. Apanhei excelentes professores e péssimos professores. Felizmente a minha ex faculdade no meu tempo tinha vários horários disponíveis, o que possibilitava a escolha de quem queriamos passar hora e meia a ouvir.
    Para perceber algumas definições, não basta ler a definição da enciclopédia. É preciso perceber o que está por detrás, é preciso perceber o que está à volta. As palavras podem ter significados variados, não são únicas. Caso contrário, é muito bonito ouvir dizer o nosso PM que vamos investir na inovação e toda a gente aplaude e fica contente, sem saber bem o que significa. Afinal vamos fazer o que ? Vamos inventar ou vamos inovar ? Se vamos inovar, o que é que vamos fazer concretamente ? Eu ainda nao percebi aquilo que eles querem fazer ao certo, tu sabes ?

    Aquilo que o génio da cortiça exemplificou, foi o caso que lhe interessava para o assunto. A história anterior, passa-se toda nos Estados Unidos da América, um "país" extremamente interessante e "sui generis". Um país com uma longa tradição litigiosa no dominío legal, um país com uma longa tradição no campo da jurisprudência. No entanto, estamos a discutir a Europa, um "país" bastante diferente, com um aglomerado de culturas muito diferente, e sem a tradição litigiosa legal dos EUA.
    TOda a argumentação tem sido baseada nisto, o texto do Stallman é muito bonito, mas todo baseado na transposição daquilo que se passa nos EUA para a Europa. Tal como o texto da Forbes, em que isso está bem patente naquele paragráfo do "vamos ver quem é o próximo na lista". Se me conseguires explicar porque razão é assumida a mesma causa efeito para a Europa, eu dou o braço a torcer.
    Os abusos existem em todo e qualquer sistema. É demais evidente que no sistema de patentes americano existem muitos abusos, no entanto, tal como o artigo diz, nao pode ser de mais nem de menos, tem que existir um equilibrio. O pressuposto é que isso nunca vai acontecer na Europa, no dia em que a directiva for transposta para o direito nacional de todos os Estados membros, o gabinete de patentes da União, vai ser inundado de patentes estúpidas e absurdas, e no dia a seguir a serem aprovadas, as coitadinhas das PME's vao ser inundadas por processos, e as que nao forem afectas, nos tempos a seguir vão falir porque nao conseguem fazer nada porque está tudo patenteado. Yeah... right...
    Mas note-se ainda, que claramente os EUA são um país estrangulado pelas patentes, em que a invenção e a inovação é nula, em que as PME's são esmagadas. A Europa é pelo contrário o paraíso fantástico da invenção e inovação. Afinal, temos as maiores empresas produtoras de software.

    A quantificação do prejuizo e benefício do sistema de patentes europeu não é possivel, porque não existe, logo nao passa tudo de previsões. E as previsões em Economia são um dos maiores flops que a ciência económica tem para oferecer, baseados na bela da Econometria, que apesar de bela, não tem o poder de previsão que muitos lhe pretendem atribuir.
    Mais uma vez, a extrapolação está patente em toda a argumentação que é feita. Ela é mais do que necessária para toda a argumentação que é feita contra o sistema de patentes. Ela é baseada no absurdo de alguns casos. E eu nunca disse que a patenteabilidade do software privilegia o abuso indevido de ideias. Isso é assumir por principio que o sistema é para ser abusado, isto é, a extrapolação que eu estou contra. Reconhecer os abusos é muito diferente de assumir um mau sistema por princípio. Os abusos são uma consequência da natureza e inteligência humana. Não existe um sistema perfeito, seja de que tipo for. Fazendo um paralelo com os sistemas operativos, um Windows é por defeito inseguro, ao passo que um OpenBSD é por defeito seguro (er.. cof cof). No entanto, é perfeitamente possivel tornar o Windows tão seguro como o OpenBSD. Mas continuam os dois a ser possíveis de ser abusados. Por esse facto rejeito o Windows ? Nao...

    "transforma-se com a directiva numa potente arma de extorsão e litígio."
    É o exemplo claro da transposição daquilo de que se passa nos EUA para a Europa, mesmo com culturas muito distintas. Basta ver, que não me lembro de um único TV SHOW europeu sobre questões legais, tipo o "Pratice" (ou la como se chama). No entanto, nos EUA, são a pontapé ;)

    Tornar irrelevantes os exemplos fornecidos, seria tapar o sol com uma peneira, seria um estilo político de negar os factos. Como já te demonstrei, nao nego o absurdo dos exemplos, nego é que sejam supostos como o caso geral, default.

    Claro que a resposta é muito bem fundamentada por parte do Sr Deputado. Mas ainda mais curioso, é aquele conjunto de palavras, "Acho que tem toda a razão". Isto é uma resposta clássica do tipo para despachar. É que tem toda a razão é algo bastante forte para se afirmar, especialmente vindo de um desconhecido, num email escrito num português bastante duvidoso. Se calhar sou eu que sou paranoico e os livros sobre Inteligência Artificial e Linguagem andam a fazer-me mal e a ver coisas que nao existem... Ou se calhar nao...
    P.S.: Não é uma acusação, é uma observação.

    FireFox 1.0.5 released... 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12... Is it a record ? MFSA 2005-51 The return of frame-injection spoofing... Return sounds good!!!

    Re:Ignorar o pré-observado, acusar de pré-suposiçã (Pontos:2)
    por Cyclops em 01-07-05 22:12 GMT (#42)
    (Utilizador Info)
    P.S.: Não é uma acusação, é uma observação.
    Acho que é evidente a partir da página do Carlos Coelho a preocupação que ele tem por vários direitos civis.

    Quanto mais não seja é um dos Eurodeputados que me trás pena de se votar partido a partido em vez de deputado a deputado!
    Re:Ignorar o pré-observado, acusar de pré-suposiçã (Pontos:0)
    por mrmv em 03-07-05 10:11 GMT (#53)
    (Utilizador Info) http://spaces.msn.com/members/shadeofwindows
    O pressuposto é que isso nunca vai acontecer na Europa, no dia em que a directiva for transposta para o direito nacional de todos os Estados membros, o gabinete de patentes da União, vai ser inundado de patentes estúpidas e absurdas, e no dia a seguir a serem aprovadas, as coitadinhas das PME's vao ser inundadas por processos, e as que nao forem afectas, nos tempos a seguir vão falir porque nao conseguem fazer nada porque está tudo patenteado. Yeah... right...
    Mas note-se ainda, que claramente os EUA são um país estrangulado pelas patentes, em que a invenção e a inovação é nula, em que as PME's são esmagadas. A Europa é pelo contrário o paraíso fantástico da invenção e inovação. Afinal, temos as maiores empresas produtoras de software.


    Esta é que é a questão neste momento, onde anda a europa no dominio da inovação no desenvolvimento de sw? É por isso que eu digo quem nada faz prefere não ter, acredita que se houvesse muita inovação neste dominio do lado de cá haveria outra posição (mais clara e a favor) sobre a questão das patentes.

    Embora eu ache que a questão que vai começar a preocupar as pessoas vai ser o reformular do actual sistema, parece-me inevitável, mas que ele é importante disso não tenhamos dúvida.

    My son is now an "entrepreneur." That's what you're called when you don't have a job.
    Ted Turner
    Re:A minha carta aos Eurodeputados (Pontos:1)
    por fly em 30-06-05 9:26 GMT (#9)
    (Utilizador Info)

    "P.S.: Um gajo como tu filho, de boas famílias, deveria saber escrever melhor portugues. Aquele teu paragrafo de introdução é uma boa merda... Enfim :)"

    Brasa, escreve-se com S, e não Z.

    Re:A minha carta aos Eurodeputados (Pontos:1)
    por floWS em 01-07-05 10:14 GMT (#28)
    (Utilizador Info)
    P.S.: Um gajo como tu filho, de boas famílias, deveria saber escrever melhor portugues. Aquele teu paragrafo de introdução é uma boa merda... Enfim :)

    er...

    Makes me want make the Tshirt:
    Osama Bin Laden is pirating music
    NOW will you go catch the fucker?

    a tua sig foi traduzida pela equipa da Toaplan? All your base are belong to us!

    Cumps,
    floWS

    Re:A minha carta aos Eurodeputados (Pontos:0)
    por tonidosimpostos em 01-07-05 16:27 GMT (#35)
    (Utilizador Info)
    Copy & Paste do /. :)

    FireFox 1.0.5 released... 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12... Is it a record ? MFSA 2005-51 The return of frame-injection spoofing... Return sounds good!!!
    Victor Hugo (Pontos:2)
    por null em 29-06-05 22:22 GMT (#2)
    (Utilizador Info)
    Se alguém quiser acrescentar ao seu apelo um exemplo de como as patentes são desnecessárias, eis um excelente exemplo
    Re:Victor Hugo (Pontos:2)
    por jmce em 30-06-05 0:00 GMT (#4)
    (Utilizador Info) http://jmce.artenumerica.org/
    Sim. E provavelmente ficará disponível amanhã em português :)
    Re:Victor Hugo (Pontos:1)
    por mrmv em 30-06-05 14:58 GMT (#11)
    (Utilizador Info) http://spaces.msn.com/members/shadeofwindows
    Desde já assumo que não sou um especialista no tema, mas penso que o exemplo é inteligentemente apresentado mas é errado:

    - O desenvolvimento de software é mais a um processo produtivo, repara que é a construção de produto e não criativo ou artistico como o exemplo do livro ou pintura (seria mais correcto quando comparado com técnicas ou materiais relacionados com os processos artisticos apresentados)
    - Existe grande investimento em investigação e desenvolvimento nesse processo o que não com a escrita ou pintura, por exemplo
    - Muitas vezes nesse processo pretendes reutilizar trabalho de outros

    E poderia continuar a apresentar algumas das diferenças que encontro para considerar que os defensores do não, apenas procuram exemplos simples mas aparentemente não muito justos...

    A questão pode estar no que poderá ou não ser patenteável, mas isso é uma discussão diferente, até porque patentes ridiculas não ajudam a credibilizar um sistema, se calhar o que deveria acontecer era reformular o actual sistema, por exemplo acho que 20 anos nesta área é um absurdo, mas penso que um sistema rejuvenescido poderia ser o caminho.

    My son is now an "entrepreneur." That's what you're called when you don't have a job.
    Ted Turner
    Re:Victor Hugo (Pontos:2)
    por jmce em 01-07-05 0:20 GMT (#18)
    (Utilizador Info) http://jmce.artenumerica.org/

    Algumas discordâncias:

    Sobre processo criativo e artístico: claro que no desenvolvimento de software se funciona em vários "modos", mas de criativo e mesmo artístico ainda há muito (leia-se o que o Knuth diz da programação como arte, mas não é preciso ser um Knuth para sentir isso mesmo em projectos pequeninos), apesar de alguns processos mais mecanizados tentando tornar menos crucial a competência individual (mas outros poderão melhor julgar o sucesso desses "processos"). A analogia da programação com a literatura é particularmente interessante até por ambas acabarem por ser recombinação de miríades de pequenos elementos que podem ser reutilizados com fins muito diversos. Não é por acaso que falamos em linguagem de programação. Esta questão do enorme número de pequenos elementos é crucial face às patentes de software (talvez fique mais claro abaixo). Outro ponto interessante na analogia é que a barreira à entrada é muito baixa nas actividades de produção literária e de escrita de software.

    Sobre o investimento em "investigação e desenvolvimento": nem que seja investimento individual, talvez o menosprezo resulte de um mal entendido sobre trabalho artístico, infelizmente comum a alguns artistas, talvez mais em países como o nosso e num tempo como o nosso: a ideia de que para trabalho artístico é só preciso "o abandono à liberdade artística e deixar fluir a imaginação". Nos tempos que correm talvez o trabalho feito nesse pressuposto tenha algum sucesso, sendo as modas (dizer que se gosta porque contrariar "ficaria mal") e a "promoção cultural" o que são, mas o mais fácil dessa atitude é resultar lixo. Ainda recentemente, depois de eu ter ficado admirado com a qualidade da peça Copenhaga, um amigo me disse: `ah, mas o autor dessa farta-se de fazer trabalho de investigação histórica; por cá temos alguns autores que nunca se esforçaram muito nem aprenderam muito na vida e acham que basta a "inspiração"'.

    Sobre reutilização do trabalho: a reutilização está intensivamente em todo lado: na ciência, na arte, na técnica, como algo fundamental ao "respirar" de todas essas actividades. Agora, com a legislação sobre copyrights e patentes a desequilibrar-se e desvirtuar-se, demoniza-se em extremo a reutilização como "ataque à propriedade" onde antes nem se pensava nesses termos. Mais tarde ou mais cedo, muito mais gente perceberá os resultados dessa atitude extremada contra a reutilização: vai dando para alguns conseguirem lucro adicional imediato, nem sempre à custa de trabalho próprio, mas vai tendo efeitos cada vez mais "paralisantes" na tecnologia, na arte, e mesmo, infelizmente, na ciência. Longo de explicar... O Lawrence Lessig explica-o muito bem. Alguns temem a proximidade do que chamam a "utopia Stallman", sem reparar que os desenvolvimentos legislativos não vão de forma alguma nesse sentido; vão sim, e cada vez mais, no sentido contrário.

    Mas o que é agora realmente importante sai da expressão "os defensores do não": está-se discutir o não a quê? Perceber claramente isso pode ajudar a perceber porque alguns que até aceitariam o patenteamento de certos pedaços/tipos de software estão contra a directiva comunitária conforme saída do Conselho.

    Pode-se discutir se seria possível delimitar o que é "código de razoável patenteabilidade" do que é "ridículo patentear". Sim, essa é uma discussão diferente. Pessoalmente concordo com quem diz que essa fronteira, aparentemente acessível ao "bom senso", não é de facto definível em termos legais de forma clara que evite os abusos actuais.

    Muita gente que, com as melhores intenções, pressupõe que a patenteabilidade de software agora em discussão não é "tão má quanto a pintam" e fala sobre "estímulo à inovação" e "dinamização da economia" parece desconhecer a profusão de incidentes de litígio dos últimos anos nos EUA e estar a partir de alguns pressupostos além da tal possibilidade de delimitação clara do patenteável:

    • que vivemos num mundo mais próximo do ideal, talvez com mais ética no comportamento das empresas, ou pelo menos regulação mais pesada contra o abuso de legislação como ferramenta para competir fora do mercado;
    • que o USPTO (EUA) e o Gabinete de Patentes Europeu têm comportamentos e estatutos bem diferentes dos que têm na prática: que analisam cuidadosamente, com tempo apropriado, todas os pedidos, que não são recompensados "à patente", que são devidamente controlados pelos estados envolvidos para o seu comportamento não divergir para extremos indesejados;
    • que as patentes pedidas e sobretudo as concedidas dizem sobretudo respeito a sistemas completos, complexos, raros, e não a ideias vagas sobre pequenos componentes presentes numa imensidade de sistemas (mas frequentemente sem qualquer implementação prévia por parte dos candidatos), ainda por cima com reinvidicações vastas sobre o que é abrangido;
    • e, em geral, que a legislação proposta não é o que é; por exemplo, achar que ela permitirá, a curto prazo, alterar o limite de 20 anos que o próprio mrmv acha absurdo.

    Ora bem, o que se está discutir não é um sistema de patentes de software rejuvenescido e ideal num mundo ideal. O que se está a discutir é uma directiva que institui na Europa um sistema semelhante ou pior do que o actualmente existente nos EUA, para funcionar sob o controle de um gabinete de patentes também semelhante ou pior e que já demonstrou, ainda por cima aceitando antecipadamente (ilegalmente) o registo de dezenas de milhares de patentes de software, modelos de negócio, etc., o tipo de patentes que está disposto a aceitar.

    É neste contexto que o Stallman faz a analogia com as obras literárias, não no universo paralelo ideal, e é por isso que a comparação é especialmente apropriada. O programa de computador tem miríades de pequenas partes, como Os Miseráveis tem miríades de palavras, técnicas, personagens, desenvolvimentos. Muitas das patentes de software atribuídas correspondem impecavelmente a alguns daqueles exemplos de patentes literárias: genéricas, amplamente aplicáveis, de uma trivialidade ridícula. Qualquer uma delas disseminada por imensos sítios no código, provavelmente nenhuma delas sendo directamente importante para a parte mais crucial da inovação do mrmv mas que fazem parte das "formas literárias" do programador, às centenas. Qualquer uma delas transformada num ponto vulnerável por onde o litígio pode começar. A maior parte delas desconhecidas pelo mrmv, mesmo que tenha um gabinete jurídico pronto a comparar o seu código, linha por linha, com milhares de patentes publicadas ou pedidas. E, neste mundo não ideal, não basta perante um juíz alegar o ridículo da situação, por mais óbvio que seja ao programador.

    E neste mundo não ideal, as patentes de software como existem nos EUA e podem existir na Europa são uma barreira importante à entrada de quem quiser projectar uma carreira ou empresa a mais longo prazo, especialmente em um ou poucos produtos, com a tal investigação e desenvolvimento. Um belo dia tudo pode terminar abruptamente por causa de algumas patentes a abrangir pedaços do que se fez. E não basta ter a sua própria patente estimação; uma IBM ou Microsoft terá várias dezenas para contrapôr. A barreira à entrada está aí: no litígio em que o jogo é com patentes, a larga maioria dos jogadores que são postos em jogo pelos jogadores maiores está destinada a perder.

    Dizendo o mrmv o que diz sobre o "absurdo" dos 20 anos e sobre o interesse do "rejuvenescimento" do sistema de patentes, eu atrevo-me a dizer que ele é no fundo um "defensor do não" quando considerada a directiva como ela é. Isto porque, uma vez aprovada a directiva sem as emendas que eliminam as patentes de software, a porta terá sido aberta. O sistema "absurdo" e envelhecido ficará legalizado na Europa em todo o seu esplendor. E depois, quantos anos e mártires de litígio passarão até o sistema rejuvenescer e se parar com os absurdos? Nos EUA, já há vários anos que muita gente reconhece a necessidade de mudança, e até Alan Greenspan já se pronunciou sobre o problema. Alguém acha que vai ser fácil? E perante o poder da euro-burocracia, alguém acha que será ainda mais fácil resolvê-lo na Europa do que nos EUA?

    Neste momento a discussão possível e urgente é apenas sobre se queremos passar a ter exactamente esse mesmo problema, de um dia para o outro. É "apenas" isso que os Parlamento Europeu vai votar. Se conseguirmos evitar esse problema, poderemos, então sim, discutir menos utopicamente modelos rejuvenescidos e prevenções dos absurdos.


    Re:Victor Hugo (Pontos:0)
    por mrmv em 01-07-05 2:26 GMT (#22)
    (Utilizador Info) http://spaces.msn.com/members/shadeofwindows
    Gostaria de responder a algumas passagens que me parecem que beneficiariam de uma visão diferente das coisas, mas não sei se vou ter tempo... ;o)

    Mas queria esclarecer uma coisa, eu não disse que no desenvolvimento de sw não utilizavas a criatividade, mas considero-o essencialmente um processo produtivo (é um projecto, tens naturalmente planeamento, objectivos, tentas ter previsibilidade, etc. tudo isso estraga qq tentativa de o colocar num plano puramente criativo, como o da escrita de um livro ou no da criação de um quadro, o mais aproximado é o campo da investigação que tipicamente é caro pois requer muito investimento sem garantia de retorno).

    Em relação à reutilização, estamos a falar de coisas distintas (são niveis de abstração distintos por isso é tão dificil discutir assuntos destes), eu falo ao nivel dos componentes e tu ao nivel do código, sem implementação, o meu sem dúvida é mais concreto... pelo menos no teu exemplo em relação ao livro, desculpa mas eu não consigo comparar ambos os processos... porque não a acho adequada.

    Hoje estamos a decidir sobre este modelo, mas o rejuvenescimento do modelo americano já começa a ser falado mesmo pelos seus apoiantes, o que significa que as pessoas se preocupam e aceitam que os dias de hoje mereçem mudanças... dizer apenas que não se aceita nenhum tipo de protecção é que me parece não ser solução e parece-me que todos perderemos mais do que ganharemos e eu penso sempre como consumidor que sou.
                                                                       
    My son is now an "entrepreneur." That's what you're called when you don't have a job.
    Ted Turner
    Re:Victor Hugo (Pontos:1)
    por Zarluk em 01-07-05 11:03 GMT (#30)
    (Utilizador Info)

    "As patentes, ou o caos" (mas aonde é que já ouvi isto?)

    O software já está abrangido pelo copyright e isso, pelo menos para quem vive da produção e manutenção de software, parece-me proteção suficiente.

    Por outro lado, não penso que uma pequena empresa, ou um programador individual, possa sequer pensar em registar uma patente... terás ideia dos custos envolvidos, por acaso?

    Re:Victor Hugo (Pontos:0)
    por mrmv em 01-07-05 17:13 GMT (#36)
    (Utilizador Info) http://spaces.msn.com/members/shadeofwindows
    terás ideia dos custos envolvidos, por acaso?

    Sim e isso tb já foi colocado em causa por muita gente, aliás qt mais falamos mais me parece que a mudança seria imprescindivel o acabar com elas não me parece a solução, até acho que a Europa poderia pela primeira vez ser inovadora e dar um passo nesse sentido criando algo mais adequado aos dias de hoje e colocando a pressão do lado dos EUA mas nahhhh, a Europa é demasiado complexa... a alternativa é entre ter ou não ter, parece-me curto.

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    Re:Victor Hugo (Pontos:2)
    por Cyclops em 01-07-05 22:04 GMT (#41)
    (Utilizador Info)
    a alternativa é entre ter ou não ter, parece-me curto.
    Então define lá o intermédio, ó grande iluminado.

    É que menos que 20 anos não podes (tratados internacionais), e definir uma fronteira no domínio absatracto é algo que até hoje ninguém foi capaz.

    Mas estou disposto a vergar-me perante a tua virilidade se fores capaz de provar o contrário.
    Re:Victor Hugo (Pontos:0)
    por mrmv em 03-07-05 10:26 GMT (#56)
    (Utilizador Info) http://spaces.msn.com/members/shadeofwindows
    Eu não preciso definir a melhor opção, mas parece claro que nesta indústria provavelmente as coisas andam a uma velocidade diferente e obviamente os produtos possuem ciclos de vida relativamente curtos e alguma diferenciação (até pelo aparecimento do Open Source) poderia ser introduzida no periodo de detenção de uma patente.

    A mudança é sempre uma questão de força e motivação, parece que já muita gente tem dito que a mudança seria útil, até algumas das grandes forças e por isso é uma questão de mover os interesses nesse ou noutro sentido, mas obviamente que a discussão não será individual e entre nós, mas alternativas e ideias concerteza não vão faltar, embora da forma como tu falas parece que pensar em soluções é impossível porque não há... (tu não deves resolver muitos problemas a julgar por essa linha de pensamento)
     
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    Re:Victor Hugo (Pontos:2)
    por Cyclops em 03-07-05 12:24 GMT (#59)
    (Utilizador Info)
    embora da forma como tu falas parece que pensar em soluções é impossível porque não há... (tu não deves resolver muitos problemas a julgar por essa linha de pensamento)
    Quem és tu para além de um demagogo? Porque deveria alguém valorizar a tua opinião completamente baseada em ficção (não há um único facto sustentável na tua argumentação) quando grandes economistas, o Deutche Bank Research, e a vasta maioria dos estudos concluem o contrário do que dizes nesta matéria?

    És o elo mais fraco.
    Re:Victor Hugo (Pontos:0)
    por mrmv em 04-07-05 10:19 GMT (#67)
    (Utilizador Info) http://spaces.msn.com/members/shadeofwindows
    Tu andas submerso na m* dos documentos e estudos, e pelos vistos andam a fazer-te mal. Então explica lá o que os grandes economistas e a equipa de research do DB diz? quando muitos dos representantes desta industria acham que deveriam promover alterações ao actual sistema...

    Amigo é o que te digo, andas a dormir pouco, de tanto ler, mas isso tem-te feito mal...

    My son is now an "entrepreneur." That's what you're called when you don't have a job.
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    Re:Victor Hugo (Pontos:2)
    por Cyclops em 04-07-05 14:22 GMT (#68)
    (Utilizador Info)
    Não, os estudos mais favoráveis a patentes de software dizem que estas não são importantes para o negócio.

    Aliás, o último estudo que mais se lhe aproximou foi o da BSA que diz que 81% ds PMEs europeias dependem de patentes de software.

    Mas na realidade... o estudo diz que 20% das patentes de softwar detectadas pertencem a PMEs, destas apenas metade são Europeias, e 81% do total detém apenas uma.

    Quando o software é a composição de milhares de ideias, ter a patente de apenas uma não vale de muito contra multinacionais com milhares de patentes.
    Re:Victor Hugo (Pontos:0)
    por mrmv em 04-07-05 17:30 GMT (#69)
    (Utilizador Info) http://spaces.msn.com/members/shadeofwindows
    Se leres com alguma distância os estudos que apontas, nenhum consegue estabelecer de forma clara uma relação causa/efeito sobre o estabelecimento de patentes e a ausência de inovação (aliás como o contrário).

    Até porque basicamente os modelos são de acordo com o que é possível medir, e muitas vezes o impacto de determinadas medidas são apenas observaveis algum tempo depois, ou sofrem impacto de decisões estratégicas de um grande da industria, etc. e a única coisa que eles conseguem dizer é que "acreditamos que sim ou que não", daí eu achar que estamos todos a perder o nosso tempinho...

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    Re:Victor Hugo (Pontos:2)
    por Cyclops em 04-07-05 19:30 GMT (#70)
    (Utilizador Info)
    e a única coisa que eles conseguem dizer é que "acreditamos que sim ou que não", daí eu achar que estamos todos a perder o nosso tempinho...
    Tendo em conta a tua falta de peso [na argumentação], acho que te descreveste como uma luva.

    Só sabes dar a "tua" opinião, não a fundamentas, e ainda pões em causa a opinião de muitos que revelam ter um entendimento sobre a matéria diversas ordens de grandeza maior que o que revelas, fundamentando as suas opiniões perante dados concretos: como por exemplo da remoção de fundos da I&D para a base processual e litígiosa de patentes. Isto é quantificável... não é uma opinião ou uma correlação.
    Re:Victor Hugo (Pontos:0)
    por mrmv em 05-07-05 9:31 GMT (#72)
    (Utilizador Info) http://spaces.msn.com/members/shadeofwindows
    como por exemplo da remoção de fundos da I&D para a base processual e litígiosa de patentes

    Oh meu amigo eu já te disse que não sendo este tema um dos meus temas preferidos, parece-me contudo que tens a mania que percebes da coisa, e já agora sempre te posso dizer que essa tua ideia é provavelmente de outra pessoa qq e olhando para as patentes em abstracto (já que pelo que conheço não me é fácil ir ao detalhe), e que a mim me parece apesar de tudo marginal na discussão que vinhamos tendo, quando aquilo que tentava discutir é o processo em si, criação e protecção do investimento.

    No resto como te disse li os links que enviaste e parece-me que nenhum deles tira grandes conclusões (porque de facto não é fácil), mas todos são utilizados por ti ou por pessoas que pensam da mesma forma habilidosamente (e nem sequer acho que o mérito seja teu mas de quem já o escreveu primeiro).

    My son is now an "entrepreneur." That's what you're called when you don't have a job.
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    Companhias Portuguesas (Pontos:2)
    por Cyclops em 29-06-05 23:42 GMT (#3)
    (Utilizador Info)
    Jutem-se à Maioria Económica contra patentes de software. Escrevam aos Eurodeputados e aos Deputados nacionais a pedir para apoiarem as emendas de compromisso Rocard-Buzek!

    É urgente tomarem posição sob pena de verem plantado um campo minado na já suficientemente turva estrada para o sucesso.
    Re:Companhias Portuguesas (Pontos:2)
    por Cyclops em 30-06-05 9:59 GMT (#10)
    (Utilizador Info)
    Atenção! Também têm de pedir para apoiar mesmo, pois a abstenção nesta votação conta como sendo a favor de manter a versão do Conselho Europeu de Ministros, que permite as patentes de software.

    Isto não é "interpretação subjectiva" da abstência, são mesmo assim as regras da segunda leitura no Parlamento Europeu...
    Pedido de esclarecimento (Pontos:2)
    por bêbado em 30-06-05 16:47 GMT (#12)
    (Utilizador Info)
    Algum sábio me pode explicar em poucas (ou muitas) palavras o que é que uma micro, pequena ou média empresa portuguesa da área das TIs tem a ganhar com a introdução deste sistema de patentes sobre software na Europa?

    Nomeadamente se contribui para:

    • Alargar a oferta de produtos e serviços
    • Expandir para novos mercados
    • Criar postos de trabalho
    • Proteger os seus investimentos
    • Reduzir custos
    • Incentivar a investigação e desenvolvimento

    Antecipadamente grato.

    "September the 4th, 2001, I stood in the ruins of the Twin Towers. It's a day I will never forget."
    George W. Bush
    Re:Pedido de esclarecimento (Pontos:2)
    por Cyclops em 30-06-05 17:45 GMT (#13)
    (Utilizador Info)
    Boas questões, espero que esta resposta te satisfaça:

    Incentivar a investigação e desenvolvimento
    Os estudos feitos revelam que mesmo nas grandes empresas os orçamentos para patentes de software são subtraídos aos orçamentos de I&D, logo há menos dinheiro disponível para despesas de I&D por ser necessário gastá-lo com todos os processos de patentes de software (advogados, pesquisas, registos, litígios, etc...).

    Alargar a oferta de produtos e serviços
    Menos I&D implica menor oferta de produtos e serviços.

    Expandir para novos mercados
    Essencial para expandir para novos mercados é poder reaproveitar o know-how existente para reduzir fortemente os custos de expansão. Se este know-how já se encontra prejudicado por patentes de software então vai manter-se afectado. As patentes de software afectam conceitos e não as implementações práticas, logo se os conceitos forem reaproveitados, continuará a ocorrer infracção.

    Criar postos de trabalho
    Cria postos de trabalho nos departamentos de patentes (para suster o fluxo de registos), cria postos de trabalho nos grupos legais dentro das empresas (para suster as tarefas de patentes como registos e litígios).

    Como as empresas de tecnologia necessitam de postos de trabalho de tecnologia mais do que postos de trabalho de litígio, e como há menos orçamento para I&D, os postos de trabalho que interessa fomentar são afectados.

    Para além disso, um número suficiente de patentes (pensem em 20 patentes a pedir cada uma 5% dos lucros, por exemplo) a pedir uma porção dos lucros na licença, pode facilmente levar uma empresa à falência, ou à incapacidade total de manter e gerar emprego nas áreas de I&D.

    Proteger os seus investimentos
    Um estudo recente da Business Software Alliance revelou que das 17000 patentes de software que encontrou no European Patent Office, apenas cerca de 20% pertencem a PMEs, e apenas metade dessas são Europeias. Mas 81% apenas detém uma (1) patente. Como o software é a conjunção de milhares de ideias, o que é mais fácil de acontecer?:
    • Quem tem uma patente infringir nalguma de milhares de patentes...
    • ou quem tem milhares de patentes infringir naquela única patente de uma empresa?


    Reduzir custos
    Os custos das patentes são muito elevados, e normalmente são fatais para PMEs, que normalmente cedem antes de ir à barra do tribunal e se deixam comprar por um determinado valor irrisório antes que sejam levados à falência por um custoso litígio.

    Registar uma patente ascende a vários milhares de Euros, os litígios ascendem a várias dezenas de milhares de euros, podendo chegar às centenas.

    Como pode alguém pensar que reduzem custos é algo que me custa a perceber.
    Re:Pedido de esclarecimento (Pontos:0)
    por mrmv em 30-06-05 17:52 GMT (#14)
    (Utilizador Info) http://spaces.msn.com/members/shadeofwindows
    Eu penso que quem nada faz nada tem a ganhar, se o objectivo for ter acesso de forma "livre" ao trabalho dos outros, acho que a forma mais eficaz é não ter patentes...

    Mas de facto falas bem, como proteger o investimento dos pequenos?

    - Se o código for oferecido
    - Qual o incentivo para a investigação e desenvolvimento

    E repara que não sei qual a forma adequada de o conseguir fazer, mas acho que temos de ter mecanismos que o permitam fazer, na minha opinião claro.

    E em relação a isto eu penso nos "novos modelos" de negócio e casos recentes como da da JBoss por exemplo:

    http://www.forbes.com/intelligentinfrastructure/2005/06/15/jboss-ibm-linux_cz_dl_0615jboss .html?partner=yahootix&referrer=

    Coisa curiosa apenas 4% dos seus "clientes" querem serviços associados, ora se os grandes com capacidade de investimento suficiente até quase para oferecer serviços se meterem, como vais conseguir sustentar a tua pequena empresa...

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    Re:Pedido de esclarecimento (Pontos:2)
    por Cyclops em 30-06-05 19:07 GMT (#15)
    (Utilizador Info)
    Mas de facto falas bem, como proteger o investimento dos pequenos?
    - Se o código for oferecido
    - Qual o incentivo para a investigação e desenvolvimento
    FUD alert. Assumes que o modelo de negócio baseado na remoção de direitos dos utilizadores é algo moralmente correcto, e que é a única forma de entrada de dinheiro a reinvestir em I&D.

    É certo que se o software for livre (de notar que pode ser bem cobrado por isso), os que o receberem podem redistribuir mais barato, e no limite de graça. Isto apenas significa que o modelo de negócio do software proprietário não resulta bem com software livre.

    Com efeito, não é conclusão de rocket scientist, para escrever em "inglês" que é fino. Evidentemente que o modelo tem de ser diferente.

    Coisa curiosa apenas 4% dos seus "clientes" querem serviços associados, ora se os grandes com capacidade de investimento suficiente até quase para oferecer serviços se meterem, como vais conseguir sustentar a tua pequena empresa...
    FUD alert. 4% dos utilizadores (mascarar com "" não transmite a realidade) de JBoss são clientes da empresa que faz o JBoss.

    Deixando de parte o facto de que até segundo a Microsoft o licenciamento são apenas 4% a 6% do custo de uma solução, a verdadeira pergunta é se os clientes da empresa gostam do serviço que compraram, e se são suicientes para a empresa se dar bem no mercado e vir a crescer. A atitude, um pouco agressiva demais para o meu gosto, da empresa leva-me a crer que esse poderá ser o seu pior trunfo.

    Por exemplo, porque prefere a Red Hat trabalhar com o JOnAs e não com o JBoss? Não será um reflexo da abertura de uma comunidade face à outra?
    Re:Pedido de esclarecimento (Pontos:0)
    por mrmv em 30-06-05 19:56 GMT (#16)
    (Utilizador Info) http://spaces.msn.com/members/shadeofwindows
    Assumes que o modelo de negócio baseado na remoção de direitos dos utilizadores é algo moralmente correcto...

    Essa da remoção de direitos dos utilizadores é engraçada, qd compro um produto Sony tb não tenho direito para fazer tudo o que quero, e se ainda assim achar aceitável...

    e que é a única forma de entrada de dinheiro a reinvestir em I&D

    Pois a outra forma é o subsidio...

    a verdadeira pergunta é se os clientes da empresa gostam do serviço que compraram, e se são suicientes para a empresa se dar bem no mercado e vir a crescer

    O que tu não percebes é que fica na mesma à mercê dos grandes, porque os seus melhores recursos não vão andar por lá muito tempo, e o resto já tu sabes...

    Em relação ao outro comentário, as empresas e os grupos definem as suas estratégias e não têm de encaixar na minha ou na tua ou na lógica de quem quer que seja, para mim é perfeitamente natural, o que não percebes é que no fim os objectivos de negócio são os que prevalecem...

    Em relação ao termo FUD, a história contada pelo artigo que apresentei é tão veridica, e olha que o futuro vai concerteza reservar-nos muito mais do mesmo... estaremos todos cá para ver ;o)

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    Re:Pedido de esclarecimento (Pontos:2)
    por Cyclops em 30-06-05 20:27 GMT (#17)
    (Utilizador Info)
    Essa da remoção de direitos dos utilizadores é engraçada, qd compro um produto Sony tb não tenho direito para fazer tudo o que quero, e se ainda assim achar aceitável...
    Analogia errada. Não há direito de autor sobre esses produtos, nem têm custo zero de replicação e distribuição do conhecimento, pelo que não faz qualquer sentido a comparação.
    Re:Pedido de esclarecimento (Pontos:0)
    por mrmv em 01-07-05 2:36 GMT (#23)
    (Utilizador Info) http://spaces.msn.com/members/shadeofwindows
    Isso é uma grande treta o conhecimento pode sempre ser distribuido, normalmente quem o detém e o considera de valor é que não acha muita piada em o fornecer gratuitamente qd pode lucrar com ele, o que é perfeitamente legitimo (o mesmo tb é legitimo se preferir oferecê-lo).

    O custo de replicação, é engraçado porque custos existem sempre, embora tu prefiras pensar que não, mesmo que a distribuição seja online. A única diferença é que tu podes fazer um produto mais barato por o poderes vender a vários clientes, essa apesar de tudo é uma vantagem tb para o cliente.

    Fazer o produto não é grátis... embora para ti seja, nada fazes e utilizas o trabalho de outros, a ideia atrai muita gente é sem dúvida excelente, mas só funciona enquanto os outros o quiserem...

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    Re:Pedido de esclarecimento (Pontos:2)
    por Cyclops em 01-07-05 7:39 GMT (#24)
    (Utilizador Info)
    Isso é uma grande treta o conhecimento pode sempre ser distribuido, normalmente quem o detém e o considera de valor é que não acha muita piada em o fornecer gratuitamente qd pode lucrar com ele, o que é perfeitamente legitimo (o mesmo tb é legitimo se preferir oferecê-lo).
    1. Ninguém detém uma obra, mas sim um monopólio temporário concedido pelo governo sobre a distribuição de cópias da obra

    2. Este monopólio foi criado porque é importante difundir a obra para espalhar o conhecimento, e fazer cópias é muito caro.

    Como hoje em dia fazer cópias digitais tem um custo virtualmente zero, faz sentido reclamar o direito à cópia de volta.

    O custo de replicação, é engraçado porque custos existem sempre
    Mas são virtualmente zero. Já ouviste falar em vizinhanças matemáticas?

    Fazer o produto não é grátis...
    Rejeito esta visão de merceeiro (ou mercenário conforme preferires) sobre a criação e difusão de conhecimento.

    Conhecimento não é um produto, é um bem universal.
    Re:Pedido de esclarecimento (Pontos:0)
    por mrmv em 01-07-05 13:54 GMT (#33)
    (Utilizador Info) http://spaces.msn.com/members/shadeofwindows
    Rejeito esta visão de merceeiro (ou mercenário conforme preferires) sobre a criação e difusão de conhecimento.

    Por esse caminho amanhã nem os serviços valem um tusto... e o melhor é mudares de área e já...

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    Re:Pedido de esclarecimento (Pontos:1)
    por Zarluk em 01-07-05 9:54 GMT (#26)
    (Utilizador Info)

    Se 4 ou 5% dos utilizadores recorrem ao suporte (e pagam por ele) isso há-de aproximar-se bastante do do que acontece com software proprietário, pelo menos cá em Portugal, onde quase que sou insultado cada vez que me recuso a instalar ou manter software pirateado (há um certo glamour em estar fora-da-lei, sentem-se autênticos "Zés do Telhado").

    Quanto ao incentivo à investigação e desenvolvimento, se pensares melhor, o modelo das patentes de software também não favorece as pequenas empresas... quando não há dinheiro para contratar um advogado para reaver os calotes que alguns clientes vão deixando, como é que haverá para contratar um advogado de patentes?

    Se a lei for aprovada, entre outras coisas, terás de pedir autorização (e pagar!) cada vez que quiseres usar uma simples barra de progressão... pensa só qual a dimensão que uma software-house terá de ter para enfrentar esses custos...

    Re:Pedido de esclarecimento (Pontos:0)
    por mrmv em 01-07-05 10:01 GMT (#27)
    (Utilizador Info) http://spaces.msn.com/members/shadeofwindows
    Se a lei for aprovada, entre outras coisas, terás de pedir autorização (e pagar!) cada vez que quiseres usar uma simples barra de progressão...

    Um dos problemas do actual sistema é que ainda está por provar a validade/legitimidade de muitas das patentes atribuídas... não será assim como dizes.
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    Re:Pedido de esclarecimento (Pontos:1)
    por Zarluk em 01-07-05 11:18 GMT (#31)
    (Utilizador Info)
    Um dos problemas do actual sistema é que ainda está por provar a validade/legitimidade de muitas das patentes atribuídas...

    E, mesmo assim, defendes a aprovação desta lei? O teu paizinho terá, por acaso, acções da Microsoft (ou da IBM, ou da Nokia, ou...)?

    Re:Pedido de esclarecimento (Pontos:0)
    por mrmv em 01-07-05 17:16 GMT (#37)
    (Utilizador Info) http://spaces.msn.com/members/shadeofwindows
    Eu não estou a defender nada, apenas digo que me parece que não ter patentes tb não me parece ser a solução, e que embora não esteja por dentro de toda a discussão, se perdeu demasiado tempo entre o sim/não e nem sequer se ponderou um modelo "actualizado" e menos criticável... mas que esperar desta Europa...

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    Re:Pedido de esclarecimento (Pontos:1)
    por Zarluk em 02-07-05 13:13 GMT (#45)
    (Utilizador Info)
    Se me conseguires explicar para que é que me servem as patentes de software... é que deu-me uma branca e não me ocorre nada.

    Desenvolvo software, não trabalho numa multi-nacional, o meu paizinho não é milionário e eu também não sou (portanto, faltam-me 300.000¤ para registar uma patente)... qual a vantagem dessa pôrra, afinal?

    Re:Pedido de esclarecimento (Pontos:0)
    por mrmv em 03-07-05 9:55 GMT (#50)
    (Utilizador Info) http://spaces.msn.com/members/shadeofwindows
    De forma directa provavelmente nada, mas se pensares que estamos onde estamos porque muita gente procurou inovar, e colocar-te em casa (e claro nas empesas) sistemas cada vez mais poderosos e baratos, ai já podes ver um beneficio.

    E em relação ao teu sw podes continuar a desenvolvê-lo e a tentar inovar que não creio que venhas a ter problemas, tal como não o foi para a grande maioria das empresas que desenvolve sw até aos dias de hoje... (sim mas tu acredites que vai deixar de ser assim, não é?)

    My son is now an "entrepreneur." That's what you're called when you don't have a job.
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    Re:Pedido de esclarecimento (Pontos:2)
    por Cyclops em 03-07-05 10:03 GMT (#52)
    (Utilizador Info)
    De forma directa provavelmente nada, mas se pensares que estamos onde estamos porque muita gente procurou inovar, e colocar-te em casa (e claro nas empesas) sistemas cada vez mais poderosos e baratos, ai já podes ver um beneficio.
    Se pensares que tudo isso foi feito sem patentes de software e muito bem, aí já podes ver a falta de necessidade de patentes de software...
    Re:Pedido de esclarecimento (Pontos:2)
    por null em 03-07-05 10:55 GMT (#57)
    (Utilizador Info)
    "E em relação ao teu sw podes continuar a desenvolvê-lo e a tentar inovar que não creio que venhas a ter problemas, tal como não o foi para a grande maioria das empresas que desenvolve sw até aos dias de hoje... (sim mas tu acredites que vai deixar de ser assim, não é?)"

    Vai dizer isso à RIM, que nem está a ter problemas com uns bacanos de uma "empresa" catita que dá pelo nome de NTP...

    Re:Pedido de esclarecimento (Pontos:2)
    por null em 03-07-05 21:57 GMT (#62)
    (Utilizador Info)
    Lembrei-me mais tarde do seguinte: a Real in Motion é canadiana e realmente trouxe nova dinâmica com a sua oferta, a tal ponto que uma multinacional de Redmond já quer a sua parte no bolo (isto de querer fazer/ter tudo e mais alguma coisa só traz maus resultados, mas enfim), mas é uma empresa americana, nos EUA, que está a meter travão nisto e sem mérito, não conheço nenhuma implementação concreta por parte da NTP, só patentes...
    Re:Pedido de esclarecimento (Pontos:1)
    por Zarluk em 03-07-05 14:05 GMT (#60)
    (Utilizador Info)
    Não me acontecerá nada enquanto a empresa for pequena... se, por outro lado, começar a dar nas vistas, habilito-me a uma visita de senhores de fatos azuis para me extorquirem dinheiro.
    Re:Pedido de esclarecimento (Pontos:2)
    por Cyclops em 03-07-05 15:16 GMT (#61)
    (Utilizador Info)
    Testemunhos de PMEs europeias
    Re:Pedido de esclarecimento (Pontos:2)
    por Cyclops em 01-07-05 11:36 GMT (#32)
    (Utilizador Info)
    Um dos problemas do actual sistema é que ainda está por provar a validade/legitimidade de muitas das patentes atribuídas... não será assim como dizes.
    Os peritos de patentes são os gabinetes de registo de patentes. Logo cada patente é válida por omissão quando concedida. Tu é que tens de ir a tribunal provar a inocência se fores acusado ou ameaçado. Tens estofo para isso?

    A maioria das entidades não, e por isso acabam por fazer acordos fora do tribunal (este é o motivo pelo qual há tão poucos casos que realmente chegam a tribunal), e muitas empresas são compradas a valor irrisório pelos detentores de patentes que elas infringem. É aliás a maneira mais fácil de comprar uma empresa: ameaçar processá-la até ela ir à falência, a menos que se venda bem baratinho...
    Re:Pedido de esclarecimento (Pontos:0)
    por mrmv em 01-07-05 17:18 GMT (#38)
    (Utilizador Info) http://spaces.msn.com/members/shadeofwindows
    Os peritos de patentes são os gabinetes de registo de patentes. Logo cada patente é válida por omissão quando concedida. Tu é que tens de ir a tribunal provar a inocência se fores acusado ou ameaçado. Tens estofo para isso?

    E quem disse que tem de ser assim, o que eu digo é que apenas se procurou discutir o sim/não nos moldes conhecidos por todos e não procurar um modelo menos criticável...

    My son is now an "entrepreneur." That's what you're called when you don't have a job.
    Ted Turner

     

     

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