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A nova economia portuguesa morreu ou nunca existiu
Contribuído por scorpio em 05-12-02 14:41
do departamento ramblings
Portugal vd escreve "De acordo com o Jornal de Negócios, a nova economia portuguesa nunca existiu!
As centenas de empresas que nasceram de ideias inovadoras, muitas acabaram por fechar devido à falta de mercado, ou pior, devido à falta de capacidade de gestão.
Mas algumas sobrevivem e geram lucros, possuem projectos aliciantes e sobrevivem devido a "carolas" que lutam pelo seu futuro.

Das centenas de startups e dotcoms, hoje só um punhado delas ainda existe no mercado e continua a dar cartas. Este artigo, longo por sinal, é uma analise de algumas e de alguns problemas existentes quando se tem o bicho do empreendedorismo. "
"A economia portuguesa está em desaceleração e muitas empresas estão a fechar portas, em todos os sectores. E há, também, a falência de modelos de negócio e o fim de algumas modas. Uma delas foi a das «start-ups» e «dotcoms», que proliferaram entre nós até 2001. A chamada «Nova Economia», constituída por empresas de base tecnológica e rápido crescimento, teve o seu momento de euforia, com o surgimento de muitas empresas ligadas à Internet. O mercado apressou-se a corrigir erros e muitos fecharam as portas.

Mas a crise não atingiu todos da mesma forma. O Jornal de Negócios foi à procura de sobreviventes e encontrou empreendedores que, apesar das dificuldades, resistiram à passagem da moda. As chaves para a sobrevivência pouco têm a ver com os valores que caracterizavam a Nova Economia e prendem-se com regras básicas de gestão, estratégia e capacidade de inovação.

«A recessão está de facto instalada na economia portuguesa», afirma José Dionísio fundador da Primavera Software. A afirmação até parece redundante, mas compreender que a economia evolui em altos e baixos faz parte do caminho, para ultrapassar períodos menos bons. «É na gestão do dia-a-dia dos períodos positivos que as empresas de vem constituir as suas reservas. E é nesses momentos que se deve garantir que as empresas não `engordam' para além do necessário», acrescenta o sócio da companhia de Braga.

Para Miguel Monteiro, líder da Chip7, « a aposta numa equipa de gestão profissional» é a melhor forma de defesa. Este conceito reúne, aliás, consenso entre todas as empresas, independentemente do sector, desde a comercialização de material informático, como é o caso da Chip7, à biotecnologia. Pedro Pissarra, CEO (director-geral) da Biotecnol, não prescinde de uma equipa de gestão «experiente e agressiva».

Quando os ciclos de recessão atingem o seu período mais crítico, as empresas não têm alternativa senão tomar medidas firmes. Na Biotecnol, as decisões passaram mesmo por uma mudança de estratégia. «Largámos os nossos projectos de desenvolvimento interno, criadores de valor a médio-longo, e criámos de raiz uma componente de serviços que não existia na altura, para gerar receitas a curto prazo. Era uma questão de sobrevivência», explica Pedro Pissarra. Hoje, a tecnologia da Biotecnol é utilizada na produção de várias moléculas utilizadas em tratamentos revolucionários.

Expandir para o estrangeiro
Mas nem só de estratégia vivem as empresas. Ter um produto global e a capacidade de o fazer chegar a outros mercados é determinante. Como diz João Brazão, presidente do Grupo Promosoft, «a criação de oferta noutras regiões permite a expansão da actividade e minimiza a exposição dos negócios a oscilações regionais e sectoriais».. Por isso mesmo, esta empresa nascida na Madeira está a expandir a sua actividade para os PALOP, onde já tem vários clientes.

Mas os exemplos são vários. A Critical Software aposta na expansão para o estrangeiro desde a sua criação. Aliás, um dos primeiros clientes da empresa de Coimbra foi a NASA, a quem se juntaram nomes como a ESA, o MIT ou a Siemens. Hoje, «65% do volume de negócios é proveniente de contratos internacionais», adianta João Carreira, CEO da Critical. A Quadriga encontra-se também neste rol de empresas, tendo como cliente mais sonante a Nokia Mobile Phones. O Grupo PIE constitui mais um exemplo, mas numa área diferente - soluções informáticas para a restauração. Segundo Fernando Freitas, CEO, « a solução PIE já é adoptada por 95% das cadeias de 'fast-food' nacionais e internacionais que actuam em Portugal, mil unidades em Espanha, - 300 em Inglaterra e 400 no Brasil.»

Para se chegar a este ponto, o mais importante parece mesmo ser a capacidade de inovação. Na Biotecnol, «a angariação de clientes internacionais começou a ser uma realidade assim que conseguimos obter propriedade intelectual, podendo assim oferecer soluções inovadoras e tecnologia de impacto para o mercado mundial. Talvez isto ilustre que só com inovação se consegue gerar valor e ter impacto num mercado global», lembra Pedro Pissarra. Na Critical Software, o investimento em Investigação & Desenvolvimento é constante e representou 13% do volume de negócios em 2001.

Recursos humanos: o principal activo
Quem quer os melhores resultados procura a melhor equipa. João Brazão, da Promosoft, afirma que «recrutar e manter a melhor equipa possível» foi uma das chaves para combater períodos menos bons. Pedro Pissarra concorda e acrescenta: «Foi devido ás pessoas que trabalham na Biotecnol que tivemos sucesso e nos conseguimos aguentar em 2001». Mas sem loucuras de enriquecimento rápido. Frederico Avillez, sócio fundador da Agrogestão, empresa especializada em « software» para o sector agrícola em expansão para as áreas de consultoria e formação, explica que «prescindimos dos salários e vamos continuar a fazê-lo até sentirmos que o projecto já `levantou voo’. Até lá estaremos em investimento constante».

Se em equipa que ganha não se mexe, manter uma equipa experiente e que conheça bem o mercado onde actua pode ser determinante. «Todos os nossos programadores, menos um, vêm de escolas agrícolas superiores. O conhecimento do mercado é muito importante, dessa forma falamos a mesma língua que os nossos clientes», explica Frederico Avillez. O mesmo sente Miguel Monteiro, que destaca a capacidade da equipa da Chip7 em perceber o potencial da Internet. «O tempo ensinou-nos a melhor forma de utilizar este canal. É verdade que utilizamos a Internet como canal de vendas (hoje, 15% das vendas totais da empresa já são realizadas via comércio electrónico), mas o seu grande potencial revelou-se ao nível da comunicação com os clientes». A Chip7 conta com 80 mil assinantes da «newsletter» que distribui «online».

Todas estas empresas reconhecem estar num período difícil, mas todas lutam para sobreviver. Valério Marques, líder da Quadriga, antecipa: «O efeito, embora nefasto, foi ultrapassado. Neste momento, observa-se já um aumento do volume de projectos em curso».

Aprender com os erros
Porque falharam tantos projectos? Paulo Teixeira Ribeiro, sócio da Change Partners, empresa de capital de risco criada na altura do «boom», não tem dúvidas: «Quase todas as empresas e investidores foram vitimas da euforia generalizada em relação às expectativas de crescimento do mercado. Além disso, desvalorizou-se por completo a importância da gestão, do planeamento e do controlo dentro das empresas e da necessidade de manter estruturas flexíveis-mais assentes em custos variáveis do que em custos fixos». Paulo Ribeiro vai mais longe e realça que «faltam gestores e empresários de qualidade, com experiência e rigor na condução dos negócios e na gestão dos conflitos de agência„.Alguns empreendedores convenceram-se mesmo que «gerir uma empresa é igual a fazer negócios ou a vender». Depois do choque, falta perceber se os gestores evoluíram com os próprios erros. E se todos parecem ter corrigido o excesso de optimismo, o mesmo não se pode dizer quanto à gestão. Paulo Ribeiro questiona-se sobre se os investidores não «pecam» agora por excesso de pessimismo. Apesar de hoje aparecerem poucos projectos, «estes são em média mais bem pensados e/ou são conduzidos por gente com mais capacidade». "


ps: Optei por colocar o artigo "quase" completo (falta só uma breve analise às empresas referidas), por não achar a versão online do mesmo.

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Referências
  • Mais acerca Portugal
  • Também por scorpio
  • Esta discussão foi arquivada. Não se pode acrescentar nenhum comentário.
    Os Tachos.... e a burocracia em Portugal.. (Pontos:1, Interessante)
    por Anonimo Cobarde em 05-12-02 17:53 GMT (#1)
    "A nova economia portuguesa morreu ou nunca existiu"
    Não não morreu, e existiu.
    O problema da nova economia é o mesmo problema da velha economia, ou seja os Tachos e a burocracia em Portugal, que dificultam tudo e todos.
    Os sobreviventes da nova economia, ou estão englobados nas grandes multinacionais, ou estão por seu mérito próprio e a muito esforço ainda activos.
    O problema é sempre o mesmo, vira o disco e toca o mesmo.... O problema está nos politicos e na politica elitista e discriminatória dos mesmos.
    Em Portugal é mesmo assim, quem pode pode, quem não pode lixa-se fortemente...
    Não há mercado?? Não há mercado?? Então não estamos numa de globalização? Não há mercado?? Não temos "n" antigas colónias para explorar?? Não há mercado?? Vão mas é todos apanhar na ....
    Falam, falam e não dizem nada, discutem, discutem, e não chegam a nenhum sitio...
    Há mercado, há pessoas que querem trabalhar, há ideias que queremos concretizar, há algum dinheiro para investir, há força de vontade para avançar!!!!
    O que já não há é paciência para aturar a m**** dos politicos em Portugal e da burocracia necessária para mexer um dedo...
    Nova economia .. só para alguns. (Pontos:4, Interessante)
    por macphisto em 05-12-02 20:01 GMT (#3)
    (Utilizador Info)
    A nova economia existiu parcialmente em Portugal. Mas nada do que se comparou ao fenónomo americano. Nalguns países europeus houve algum entusiasmo, mas muito mais prudente do que nos Estados Unidos.
    Qual foi a diferença ? Nos Estados Unidos existe uma grande industria de capital de risco e seed-capital. A loucura abrangeu essencialmente este nicho, em que milhares de jovens (e outros menos jovens) criavam empresas dot.com, uma boa ideia ou produto, e arranjavam financiamento com uma facilidade assustadora. Não que os investidores acreditassem no negócio em si, mas porque sabiam que os lucros dos primeiros dias da oferta inicial na Bolsa compensavam todo e qualquer risco. Era um dado certo ganhar-se muito dinheiro nos primeiros dois ou três dias. O negócio dos investidores estava aí. Quem assumia os verdadeiros riscos de negócio eram os que compravam acções posteriormente.

    Em Portugal o fenónomo foi muito diferente. Aqui não existiu uma verdadeira cultura de criação de negócios. Ao contrário do que os Media por cá davam a entender, poucos eram de facto os projectos de jovens a ver toneladas de dinheiro para investir. Quem lesse uma maling-list do First-Tuesday ficava com a impressão de que por cá andava tudo a rolar da mesma forma, mas não era verdade. Havia gente a procurar investidores até para fazer um portal sobre uma banda de musica. Loucura ? Não, quase nada se investiu dessa forma.
    Por uma razão muito simples: não havia o tal negócio chorudo da entrada em Bolsa, pois o mercado de capitais português (e de outros países europeus) nem sequer aceitava entrada em bolsa de empresas jovens, daí a razão da criação à pressa do Novo Mercado, completamente fracassado pois nasceu tarde de mais, e porque a estrutura do capital para investimento em portugal é muito mais conservador.

    Então onde existiu nova economia em Portugal ? Existiu nas empresas de considerável dimensão e que podiam estar presentes no mercado de capitais. Apenas esses. E mesmo entre esses, apenas alguns poucos visionários perceberam o negócio a tempo de lucros chorudos: PTMultimedia, Cofina, Pararede e poucos mais. Houve uma legião de muitos outros que se seguiram, mas acordaram tarde demais: Impresa, Sonae.COM, PTM.COM e muitos outros. Ainda hoje pagam caro o atraso.

    Portanto para mim, a nova economia e respectiva loucura foi um fenónomo muito limitado em Portugal, com poucas empresas envolvidas. Mesmo loucuras a sério houve poucas, como a valorização astronómica da PT Multimedia nos primeiros dias (comparável ao negócio dos IPO’s americano), as subidas das acções da Cofina ao sabor das inagurações de sitezinhos da Tinta Invisivel, os 70 milhões de contos gastos pela PT a comprar o brasileiro ZIP ou a avaliação dada ao portal TerraPortugal (da Pararede ) de mais de 20 milhões de contos feita pelo Banco Big.
    fenó quê? (Pontos:2)
    por André Simões em 06-12-02 1:53 GMT (#7)
    (Utilizador Info) http://hesperion.catus.net
    "fenómeno"


    --- Omnia aliena sunt: tempus tantum nostrum est. (Séneca)

    Re:Nova economia .. só para alguns. (Pontos:1)
    por jamaica em 06-12-02 1:56 GMT (#8)
    (Utilizador Info) http://ainda.nao.tenho
    apenas alguns poucos visionários perceberam o negócio a tempo de lucros chorudos: PTMultimedia
    Houve uma legião de muitos outros que se seguiram, mas acordaram tarde demais: (...) PTM.COM e muitos outros..

    só para esclarecer que PTMultimedia == PTM.com

    Queria referir um ponto: se pensarmos bem as novas tecnologias estão aí para ajudar o Homem, e não para substituí-lo. De uma forma ou de outra (quase) todos nós usufruímos (por vezes até sem notar) das vantagens q o digital trouxe face às do analógico.. mas uma coisa não substituí a outra.

    O caso de Portugal é extremamente similar a tudo o que acontece neste país à beira-mar plantado.. em relação ao q escreves, macphisto, tudo isso aconteceu na escalar proporcional ao país q é Portugal, afinal quantas pessoas sabem que a Finlândia, um país só similar ao nosso em termos de tamanho, produziu dois grandes (gigantes?) da informática: Nokia e Linux?? 'nuff said...
    ---------------------
    The worst moment for the atheist is when he is really thankful and has nobody to thank. Dante Rossetti

    Re:Nova economia .. só para alguns. (Pontos:1)
    por macphisto em 06-12-02 6:46 GMT (#9)
    (Utilizador Info)
    >só para esclarecer que PTMultimedia == PTM.com

    Não, não eram a mesma coisa. Mas com essa confusão só pões o dedo na ferida. A PT ganhou tanto com o primeiro IPO da PT Multimedia, que inventou uma teceira empresa e tentar a sorte pela segunda vez. O que só prova que de facto o negócio estava na entrada em Bolsa e nada mais.
    PTMultimedia != PTM.com (Pontos:2)
    por Karlus em 06-12-02 15:13 GMT (#12)
    (Utilizador Info) /dev/null
    só para esclarecer que PTMultimedia == PTM.com

    Errado... são coisas diferentes, a PTM.com é detida a 100% pela PTMultimedia. Sao duas coisas diferentes.

    Uma coisa é a 'PT Multimédia - Serviços de Telecomunicações e Multimédia SGPS, SA' outra coisa é a 'PT Multimedia.com - Serviços de Acesso à Internet, SGPS'.
    A segunda é detida na totalidade pela primeira, apesar de a PTM.COM até à pouco tb estar na bolsa.
    Ver aqui.

    A velha nova economia (Pontos:2, Redundante)
    por chbm em 05-12-02 22:49 GMT (#4)
    (Utilizador Info) http://chbm.nu/
    1) esturrar dinheiro em copos e bê-émes descapotáveis
    2) ???????
    3) lucro
    Re:A velha nova economia (Pontos:2)
    por slug em 05-12-02 22:56 GMT (#5)
    (Utilizador Info)
    andas a ler demasiados threads no slashdot :)
    Re:A velha nova economia (Pontos:2)
    por chbm em 06-12-02 0:08 GMT (#6)
    (Utilizador Info) http://chbm.nu/
    honestamente não :) mas admito que este formato é conhecido e não é mais uma das minhas ideias geniais ;)
    Re:A velha nova economia (Pontos:2)
    por grumbler em 06-12-02 10:55 GMT (#11)
    (Utilizador Info)
    Por acaso essa mais parece uma cópia do episódio de South Park em que apareciam os duendes que roubavam cuecas, e cujo plano era: fase 1) roubar cuecas fase 2) ????????????? fase 3) lucro E isso de facto resume um pouco o que foi a patranha da "nova economia", conversa criada pelos jornalistas e analistas de negócios para justificar um modelo de negócios cujo unico objectivo era a capitalização bolsista, independenteme das empresas serem ou não rentáveis. Do meu ponto de vista, tirando os problemas sociais que o rebentamento da bolha especulativa veio criar, a economia só ganhou com a erradicação desta "funny companies".

    --
    What, Me Worry?
    Re:A velha nova economia (Pontos:2)
    por leitao em 06-12-02 9:00 GMT (#10)
    (Utilizador Info) http://scaletrix.com/nuno/
    1) esturrar dinheiro em copos e bê-émes descapotáveis

    E ? O que farias tu em 1998 se te visses com $5,000,000 de seed capital aos 25 anos de idade ? O problema foi demasiado zelo por parte de alguns investidores.


    "Monogamy is for guys that can't get pussy." --Steve-O.

     

     

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