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Ligações à Cibercultura
Contribuído por Xmal em 02-11-01 10:40
do departamento outros-mundos
News Após o sintético anúncio das conferências "Ligações-Links-Liaisons", aqui noutra notícia, estive a assistir à segunda sessão no Porto de um ciclo que dura até ao próximo Domingo. A impressão com que fiquei é que se trata pelo menos de uma visão diferente sobre a "cibercultura".
Meios de reunião expontânea como o Gildot, as demos e campus parties são provavelmente alguns dos locais onde se vive aquilo que se poderá denominar como "cibercultura", se bem que pessoalmente sou bastante avesso aos chavões do momento.

Na sessão de ontem pude contactar com um universo que analisa o fenómeno "online" de uma perspectiva diferente à que é habitual na cultura geek e tecnológica.. Passo a citar para dar um pouco de contexto "A discussão da identidade do novo info-ser surge, assim, como uma questão central perante o conjunto de perplexidades que se colocam a quem se confronta com a condição digital".

O estilo de discurso é no mínimo hermético, mas posso dizer que tive um certo prazer com a experiência e que vou tentar ver mais sessões (No porto em Serralves). É curioso ver como se consegue falar de coisas semelhantes, com discursos tão distintos. Reparem, por exemplo, no seguinte fragmento texto, com a ressalva de estar aqui desenquadrado:

A chamada "modernidade" corresponde ao momento em que tal "mobilização" aboliu todos os "obstáculos", todo o particular, toda a parcialidade. A descoberta nihilista é, eminentemente, a descoberta de que o "particular" é isso mesmo, "irremediavelmente" particular. Falávamos em "abolição", mas também se deve acrescentar "reuso", de reciclagem de todo o "precipitado" histórico, torando-o "leve" e infinitamente "misturável", formas de leveza que mostram o parentesco do "imaterial" com o nihilismo, e o seu jogo de obsoloscência generalizada. Finalmente, trata-se de "inversão" provocada pela simples acelaração. Um pouco como sucede nos loopings dos veículos em movimento, que só se sustentam pelo próprio movimento, constituindo uma espécia fragilíssima de banda de Moebius.

...

A actual euforia com a multiplicidade, o nomádico ou o rizomático paprece não deixar outra hipótese que não seja a de estar "on" ou "off", ligado ou desligado. Sem nunca questionar se é possível "desligar", quais as ligações aceitáveis, etc. Mas é por isso mesmo que as "Ligações" constituem o campo de batalha principal da cultura e política contemporâneas. Muito depende da possibilidade de uma crítica pertinente da tipo de "erótica generalizada" que é propulsada pelo Eros tecnológico. Tudo se joga, ao que parece, na qualidade human das "ligações".

Mais não digo, para já, mas aconselho a lerem os textos de apresentação e o programa, e se forem ao Porto ...

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Referências
  • os textos de apresentação e o programa
  • "Ligações-Links-Liaisons"
  • aqui noutra notícia
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    Leiam isto... (Pontos:2)
    por leitao em 02-11-01 14:27 GMT (#1)
    (Utilizador Info) http://linuxfreesite.com/~nunoleitao/
    Tirado do programa -- eis o que o Delfim Sardo vai apresentar: Título: Conexões low-tech e performatividade

    Resumo
    O texto pretende partir estabelecer uma ligação entre a prática das artes e a ideia de conectividade, a partir do pressuposto de que os processos de representação do movimento necessitam de uma ficção do espaço entre imagens. Em socorro deste ponto de vista, é invocado o trabalho do historiador de arte alemão Aby Warburg, especificamente o seu Bilder Atlas. É neste projecto de rede interminavel de imagens, na sua interpretação cinematográfica e na possível similitude entre o processo de montagem e a metodologia de Kurt Schwitters que se situa um modelo de performatividade, fugidio em relação ao primado da identidade, porque se enraíza no espaço entersticial das imagens.

    Pago 10,000 Escudos a quem conseguir explicar em 5 linhas o que isto quer dizer, e de que forma e' relevante para seja la' quem for.

    "Fanastico Melga!"

    Regards,


    -- "Why waste negative entropy on comments, when you could use the same entropy to create bugs instead?" -- Steve Elias

    Re:Leiam isto... (Pontos:2)
    por TarHai em 02-11-01 15:06 GMT (#3)
    (Utilizador Info) http://www.dilbert.com
    \flashback{

    Uma vez, num congresso, apareceam uns filosofos franceses que queriam fazer a palestra em Frances. Nao os deixaram (maioria de cientistas/tecnicos/engenheiros).

    Foi girissimo ve-los a contorcerem-se porque nao conseguiam fazer a "representação do movimento" porque tinham necessidade da "ficção do espaço entre imagens" que funciona em frances e portugues mas nao em ingles... Nao sei se estao a ver o que foram as palestras dos filosofos. Pelo menos nao adormeci :P

    Seja como for, fiquei com a ideia que estas coisas ditas de maneira inteligivel ate sao simples de compreender.

    }
    ---
    Leiam isto... parte II (Pontos:2)
    por leitao em 02-11-01 14:34 GMT (#2)
    (Utilizador Info) http://linuxfreesite.com/~nunoleitao/
    Mais um classico a nao perder tirado do programa:

    Fernando José Pereira

    Título: Ligações "livres" - da construção fantasiosa à realidade domesticada

    Resumo
    A constatação absolutamente determinante da internalidade das ligações vem colocar em crise toda a noção de livre. A falta de uma necessária exterioridade coloca, de forma compulsiva, a noção de ligação livre na condição de domesticada. A interioridade da ligação livre afirma a impossibilidade lacaniana de real mas, ao mesmo tempo, possibilita fortemente o relacionamento intenso com os pólos do imaginário e do simbólico, necessariamente através do desejo. Desejo e controlo encontram-se como fenómeno convergente, também, no potenciar das ligações no ambiente digital da rede. Antes de mais porque a sua própria existência se encontra condicionada pela duplicidade que lhe é inerente: causa e efeito, produto e produtor de uma nova ordem controlada nano-digitalmente. Que possibilidades restam então às ligações endógenas? Duas proposições apresentam-se como potenciadoras de investimentos teórico/práticos no presente: as Comunidades Flutuantes e as Zonas Temporalmente Autónomas. Se existe um denominador comum a ambas ele encontra-se na constatação -lúcida- da impossibilidade de exterioridade. A procura de uma possível intervenção que tente resistir ao controlo torna-se, teoricamente, efectiva nas possibilidades de ordenação caótica. A própria existência, necessária, de anomalias no rizoma favorece a presença de uma espacialidade temporalmente efémera que se apresenta como passível de produção de comunidades flutuantes. Aqui, residem algumas das possibilidades emergentes. E se a romantização das ligações em ambiente externo não se apresenta, de forma alguma, como alternativa, já a lúcida constatação da sua internalidade permite uma re-avaliação qualitativa das perspectivas críticas como possibilidade em aberto.

    Regards,


    -- "Why waste negative entropy on comments, when you could use the same entropy to create bugs instead?" -- Steve Elias

    Re:Leiam isto... parte II (Pontos:1)
    por Xmal em 02-11-01 15:06 GMT (#4)
    (Utilizador Info) http://gsd.di.uminho.pt/cbm
    Por acaso esta foi uma das intervenções a que consegui assistir ontem, e segundo um colega meu que assistiu à sessão completa, até foi uma das mais compreensiveis.

    Por exemplo, esta parte em que se fala de "Comunidades Flutuantes e as Zonas Temporalmente Autónomas" refere-se muito provavelmente aos recentes esquemas de rede peer-to-peer. Por seu turno a noção de "se resistir ao controlo" terá a ver com uma eventual maior dificuldade em escrutinar este tipo de redes descentralizadas (até certo ponto) por sistemas tipo Eschelon.


    Re:Leiam isto... parte II (Pontos:2)
    por leitao em 02-11-01 15:55 GMT (#5)
    (Utilizador Info) http://linuxfreesite.com/~nunoleitao/
    Por exemplo, esta parte em que se fala de "Comunidades Flutuantes e as Zonas Temporalmente Autónomas" refere-se muito provavelmente(...)

    "muito provavelmente"... hummm, o que e' o mesmo que dizer "se calhar refere-se", mas o tipo tambem podia estar a falar de batatas fritas e um bife... ;-)

    Regards,


    -- "Why waste negative entropy on comments, when you could use the same entropy to create bugs instead?" -- Steve Elias

    Re:Leiam isto... parte II (Pontos:2)
    por Xmal em 02-11-01 16:07 GMT (#6)
    (Utilizador Info) http://gsd.di.uminho.pt/cbm
    Claro, o problema deste tipo de discurso é ser muito pouco objectivo ...
    Re:Leiam isto... parte II (Pontos:1)
    por virose em 02-11-01 18:55 GMT (#9)
    (Utilizador Info)
    Ora aí está! O facto de ser muito pouco objectivo é que é a sua grande "vantagem"! Podem-se construir textos com uma estrutura densa, com citações a S. Tomás de Aquino, Nietzsch ou Lacan** (independentemente dessas citações se adequarem, ou não, ao contexto), com aspecto de "quem o escreveu sabe umas coisas" e não transmitir qualquer mensagem! Se repararem, grande parte do que foi dito na palestra de ontem, graças à sua "subjectividade" e falta de espírito especulativo (realista), podia ser dito noutro sítio qualquer, sobre temas variadíssimos e totalmente desconexos.

    Desculpem-me os autores, até porque eu não tenho qualquer formação para me colocar na posição de crítica literária, mas quando um texto tem estas características, das duas uma: ou tem uma qualidade tal que, mesmo fora de contexto, é uma mais-valia para os ouvintes; ou então...

    Para ser sincera, o que pensei enquanto os ouvia falar (e tentava entender minimamente o que diziam) é que estava perante um grupo de actores que faziam um "casting" para a escolha de uma personagem. Para isso tinham de ficar durante 30 minutos frente a uma plateia, a debitar um texto sem qualquer conteúdo, representando de tal forma que, por menos nexo que o texto tivesse, parecesse que estavam a dizer grandes verdades... Não queria estar no lugar de quem teria que escolher o vencedor...

    Quanto à última apresentação... Se o trabalho (http://www.virose.pt/linhasestanques/) fosse apresentado como sendo "Web Art", os meus comentários ficavam por aqui. O problema é que essa apresentação veio no seguimento de um discurso de sensibilização para a necessidade de limitar as ligações entre páginas com temas não correlacionados, que levam a uma dispersão de ideias e à introdução de "ruído" indesejável... Depreendo por isso que é esta a sugestão do autor para resolver o problema! Linhas estanques? Assim seja! Implemente-se! Depois, quando tiver de arranjar informação sobre algum assunto, bato-lhe à porta e peço-lhe para me resolver o problema! É por esta e por outras que duvido muito que quando ele menciona as "Comunidades Flutuantes e as Zonas Temporalmente Autónomas" se refira "muito provavelmente aos recentes esquemas de rede peer-to-peer" e que a noção de "se resistir ao controlo" tenha a ver "com uma eventual maior dificuldade em escrutinar este tipo de redes descentralizadas (até certo ponto) por sistemas tipo Eschelon.". Vou mais para a versão de "batatas fritas com bife"!

    Para terminar, excepção seja feita à Maria Teresa Cruz. Falou (e bem) do que sabia, transmitindo a sua mensagem de uma forma clara e fluída sem necessidade de se meter em campos que não domina. Pela comunicação que fez, uma abordagem sociológica sem pretensões a análises existencialistas ou a correntes pós-modernas, não misturando técnica e princípios meta-físicos, valeu o tempo que lá passei!

    E amanhã há mais!...

    ** Tenho que admitir que os meus conhecimentos de correntes filosóficas e afins são demasiado limitados para referir Lacan. Parto no entanto do princípio, depois de consultar o dicionário (on-line...), que "capacidade lacaniana" está de algum modo associada a Lacan.

    lacaniano

    adjectivo

    relativo ao médico e psicanalista francês Jacques Lacan (1901-1981) ou à sua obra, cujo objectivo principal é a reformulação dos princípios e dos conceitos da psicanálise do médico austríaco S. Freud;

    substantivo masculino partidário da doutrina psicanalítica de J. Lacan; (De Lacan, antr.+-iano, ou do fr. lacanien, «id.»)

    Re:Leiam isto... parte II (Pontos:2)
    por TarHai em 02-11-01 18:15 GMT (#7)
    (Utilizador Info) http://www.dilbert.com
    Aposto que se divertiram larguete no final a comparar as diferentes versoes do que foi dito na palestra.

    Eu divito-me a brava com estas coisas, pelo menos nas vou assistindo enquanto nao chego a conclusao que passava melhor o tempo numa esplanada a beber imperiais e a comer tremocos, caracois ou amendoins (dependendo da epoca).

    Mais a serio, se alguem opta por nao transmitir informacao usando um discurso ou uma apresentacao inteligivel, ponho imediatamente em causa a seriedade do trabalho apresentado. Da-me sempre a sensacao que com tanto floreado se esta a meter algo debaixo da carpete.

    PS: Ja agora, "Comunidades Flutuantes e as Zonas Temporalmente Autónomas" E, a meu ver uma referencia ao filme 'water world' onde andavam todos a flutuar em barcas e onde o passado, o presente e o futuro estavam separados em grupos distintos.


    ---
    Paradisciplinariedade transrevisitada (Pontos:2)
    por jmce em 02-11-01 18:33 GMT (#8)
    (Utilizador Info) http://jmce.artenumerica.org/
    Não resisto a ir ao baú do bluff para acrescentar alguns cromos à colecção. Há muito muito tempo (1995), a página em http://www.fccn.pt/arrabida/index.html rezava assim, no anúncio (por Carlos Campos Morais) de uma das Conferências do Convento, chamada ENTRE-AS-REDES: metamorfoses do espaço e do tempo:

    As redes (o Internet) não estão só a transformar o mundo: fazem de nós agentes/receptores/actores de metamorfoses que não vislumbramos. Colocam em questão praticamente tudo o que não nos é estranho ou alienígena: quantos vizinhos já temos no Globo? Que cores dos olhos nos fitam dos antípodas? O que é de quem e com que garantias? Qual o sentido da perenidade, do que resta de entre o que se esvai? Que negócios (e de quantos matizes) nascem, crescem, se reproduzem e morrem de entre a faina das redes? Que espaço, com que textura, toque, peso específico, existe por sobre as malhas do gigantesco conglomerado (que côres dos olhos nos fitam dos antípodas)? Qual o sentido e a exigência da cooperação e da colaboração nas associações/desassociações que se promovem na cena local, regional ou global? Será o autismo o destino último do ensino à distância, do trabalho à distância ou saberemos aproveitar a eficiência inteligente que nos poderá libertar para o próximo? Seremos já, todos, um pouco, lapas electrónicas anunciadas de um rochedo ermo no espaço, rodeado por inebriantes eflúvios de ciberespaços irresistíveis? Que espaço,?, que tempo,?, são estes e quais as suas novas coordenadas?

    Este workshop de três dias foi organizado de modo a proporcionar aos participantes:

    • exposição e debate de temas relevantes
    • enquadramento de algumas problemáticas emergentes das redes
    • sessões práticas de acesso e navegação no Internet
    • sessão prática sobre redes locais
    • sessões práticas de brainstorming electrónico
    • apresentação de vídeos a enquadrar questões de pirataria e fraude nas redes
    • introdução de uma (das muitas possíveis) utopias recobridoras
    • debate final inter/transdisciplinar

    Pretende-se que, ao fim dos três dias, todos os participantes saiam: mais perplexos, mais dubitativos, mais comunicativos e last (and least), um pouco mais informados, já que hoje, dá-se um pontapé numa pedra-filosofal (o Internet, que é, aliás, uma anti-pedra) e jorra de imediato, incessantemente, informação.


    Paradisciplinariedade transrevisitada II (Pontos:2)
    por jmce em 02-11-01 19:21 GMT (#10)
    (Utilizador Info) http://jmce.artenumerica.org/

    Mais da colheita de 95, agora com os resumos de duas comunicações. Creio que havia mais algumas assim, no meio de outras comunicações (essas, poucas) que faziam sentido. Para refrescar os bravos guerreiros que vão conseguindo assistir a estas novas Liaisons, sugiro que ofereçam aos palestrantes (e se possível discutam entusiasticamente com eles) artigos pós-modernistas gerados automaticamente; e mais tarde, depois de convalescer, espreitem os escritos do Alan Sokal sobre imposturas intelectuais.

    Uma actividade potencialmente divertida é jogar bingo com palavras-chave enquanto os palestrantes palestram, como fizeram os estudantes do MIT com o Al Gore. Com algum jeito até podem tornar a coisa oficial com os organizadores das Liaisons: podem dizer que é "uma micro-metáfora local das macro-redes globais reveladora do novo papel do tele-antropos como já não um receptor passivo mas matriciador activo na desconstrução do discurso".

    UMA UTOPIA DA PROXIMIDADE E DO DISTANCIAMENTO

    pelo Dr. Carlos Campos Morais, Investigador
    e membro do Conselho Executivo da FCCN

    Uma utopia é, em si, a ausência de espaço (entenda-se, de espaço tradicional). Para recobrir as promessas do progresso tecnológico (tudo é possível, de repente e em toda a parte) e os interstícios de um pano esburacado (milhões de almas sozinhas num ciberespaço repleto de informação), num espaço de nova métrica, procede-se ao delineamento de uma utopia, como se fosse uma ideologia, uma assímptota.

    As redes aproximam-nos, devido aos ganhos de eficiência que a tecnologia viabiliza, contribuindo para tornar o local (o que é local) mais habitável e aprazível; ao diminuir a distância, cria também outros espaços de proximidade com novos tipos de vivência. Mas estabelecendo também distanciamentos apetecíveis, pela mediação das próprias redes e pela promessa implícita de proximidade.

    ARQUITECTURA NO ESPAÇO EM REDE NO DOMÍNIO DO TANGÍVEL OU DO INTANGÍVEL

    pelo Arq. Emanuel Dimas de Melo Pimenta,
    compositor e arquitecto

    "O ser humano, actor e intérprete da natureza, só expande suas acções e seus conhecimentos quando suas observações, das coisas ou do espírito, se prendem à natureza; nada mais sabe, nada mais pode."

    Francis Bacon

    Certamente, a arquitectura tem sido uma das actividades mais controversas da Humanidade.

    Algumas vezes classificada como arte, outras como ciência, a arquitectura é um dos modelos transdisciplinares mais antigos do planeta.

    A ideia fundamental aqui apresentada manifesta a formação de "schematta", o que entendemos por modelação, e mesmo "representação" enquanto processamentos trans-sensoriais directamente ligados à percepção espacial.

    Em arquitectura as mutações iconológicas são indíces directos do rebaixamento do uso de alguns sentidos e da intensificação de outros. Essa é a questão central do que é nomeado "outputs sensoriais".

    Por outro lado, nossa paleta sensorial é uma forte componente na formação plástica de patterns sinápticos, i.e. de nossos "inputs sensoriais".

    A natureza interactiva do processo cognitivo "desenhado" por loopings sensoriais - confundindo inputs e outputs - caracteriza a arquitectura como uma espécie de clone congelado de constelações sinápticas.

    Assim, certamente pela primeira vez, o estudo da arquitectura torna-se o estudo do próprio ambiente. Ambiente no sentido atribuido pelos estudos de Inteligência Artificial.

    O termo "ambiente" foi originalmente criado com a montagem das palavras "ambi" (do Grego "amphi" que significa "em torno de" e que passou para o Latim significando "ambos") e do sufixo "ente" que lança a sua raiz etimológica no Indo-Europeu "ant" e provalvelmente em "an" - que significa "sopro". Isto é: "ambiente" significaria, em última instância, tudo o que compõe uma determinada coisa. A ideia de sopro em torno de alguma coisa. Turbulência e totalidade. Este é o significado resgatado pela Inteligência Artificial.

    Por isso, neste contexto, a noção de "espaço" não pode ser entendida sem "tempo" - elemento essencial da condição do sagrado.

    Um possível modelo para a compreensão morfogenética de sistemas sinápticos seria a combinação de diferentes elementos matemáticos não lineares: atractores estranhos, mapas cognitivos, sistemas gravitacionais, selecção, acaso e catástrofe. Curiosamente, esses elementos possuem uma notável identidade com principios de natureza aparentemente distinta como a formação do mito, dos arquétipos e a estruturação dos códigos de linguagem.

    Todo o universo de cultura passa, então, a revelar-se uma questão especular. E a cultura material adquire uma dimensão virtual.

    Assumindo a estruturação plástica ao nível sináptico como a representação mais radical do que chamamos "mentalidade", a arquitectura e o urbanismo apresentam-se como poderosos diagramas em contínua mutação.

    O aparecimento de tecnologias como Telepresença, Realidade Virtual e Ciberespaço produziu - pela primeira vez - uma realidade formalizada por clones sinápticos super flexíveis. Tudo torna-se, então, mudança todo o tempo. O ser humano previsível e hierárquico do século XIX dá lugar ao ser humano criativo, tubulento e interactivo da passagem do milénio.

    Cria-se uma nova humanidade: o "tele-antropos".

    Essa mudança global não apenas transforma profundamente os bolsões iconológicos que se distribuem pelo planeta, como - interligando-os e inaugurando uma época de contaminação total - acaba com a ideia de "iconologia" enquanto fenómeno estável.

    Assim, a estrutura do conhecimento é profundamente alterada. Mudando a estrutura do conhecimento, muda-se a estrutura do poder.

    Clone do pensamento, a arquitectura transforma-se - diante deste novo modelo iconológico - na representação não linear de complexos sinápticos.

    Arquitectura como indice imediato do inconsciente.

    Arquitectura como prótese da própria inteligência.


    Re:Paradisciplinariedade transrevisitada II (Pontos:1)
    por Xmal em 02-11-01 20:41 GMT (#11)
    (Utilizador Info) http://gsd.di.uminho.pt/cbm
    ... sugiro que ofereçam aos palestrantes (e se possível discutam entusiasticamente com eles) artigos pós-modernistas gerados automaticamente; e mais tarde, depois de convalescer, espreitem os escritos do Alan Sokal sobre imposturas intelectuais.

    De facto, o gerador de textos pós-modernistas é excelente e inclusíve parece citar os autores certos (Lacan e cia). Tudo isto me tem dado vontade de voltar à leitura do Sokal que ficou a meio há uns tempos atrás ...

     

     

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