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Mitos sobre OpenSource
Contribuído por ajc em 11-03-01 12:14
do departamento mitologias
GNU jneves escreve "Têm aparecido no Gildot um conjunto de comentários e artigos sobre OpenSource e Software Livre que assumem um conjunto de pressupostos que, apesar de vulgares, não passam de mitos, ou pior de FUD de algumas empresas. Alguns destes mitos são:
  1. As licenças de software open source representam uma oferta à comunidade de utilizadores.
  2. Existe uma comunidade com valores bem definidos que é preciso ter em conta.
  3. Se alguém ganha dinheiro com um projecto todos os participantes no projecto devem receber qualquer coisa, se não as pessoas "sentem-se mal".
  4. Open Source implica boa vontade.
  5. Open Source não é comercial.
"
jneves:

Em relação ao ponto 1, as licenças não garantem uma oferta à comunidade, apenas que quem tem acesso a um programa tem direito a aceder ao seu código e a distribuí-lo - é portanto garantir um direito ao utilizador. Se o autor decide disponibilizar o código na Internet, passá-lo a um amigo ou vender a uma empresa é com ele. Mas estas acções são independentes da licença.

Quanto ao ponto 2, penso que a simples existência de sites como o slashdot, kuro5hin, advogato e LinuxToday que têm audiências diferentes, com valores diferentes e muitas vezes um sentido de comunidade muito superior a qualquer coisa que possa ser chamado de "comunidade open-source". Mas se houver dúvidas sobre diferenças de valores basta olharmos para a guerra entre software livre e open source. Não são a mesma coisa (só recentemente percebi a diferença do que estava em jogo, mas isso é para outro artigo).

O ponto 3 é para rir à gargalhada. Então eu, porque um dia encontrei um bug no kernel de linux, enviei um patch para o responsável e ele foi aplicado na versão seguinte do kernel, devia, agora sentir-me lesado por não ter recebido nenhuma compensação da SuSe ou da RedHat ? No meu caso pessoal estou habituado a encontrar, identificar e corrigir bugs em vários pacotes de software. Normalmente, se funciona, envio o patch para o autor do software, seja uma entidade comercial ou não. Penso que é a melhor maneira que tenho de agradecer pelo acesso ao software em primeiro lugar, e pelo acesso ao código em segundo (mas não menos importante).

Para o ponto 4 aconselho uma leitura regular da Kernel Traffic (resumo semanal da mailing-list de desenvolvimento do kernel). As guerras que descreve não são inócuas, nem sequer sem consequências. Das mais recentes, lembro-me da perda do Donald Becker (mantinha praticamente todos os drivers de placas de redes e criou o conceito de beowulf) por não concordar com as mudanças na camada de networking para o kernel 2.4, da recusa do Linus em aceitar um kernel debugger, das guerras sobre journalling filesystems, e isto apenas falando de exemplos recentes e só do kernel. Quem tiver dúvidas sobre se isto é normal, pode sempre procurar pela cisão emacs/xemacs, a guerra gnome/kde ou pelas lendárias guerras emacs vs vi.

O ponto 5 é dos mais interessantes. Nem sequer o Richard Stallman, supremo guru do software livre, diz que o software não deve ser vendido, bem pelo contrário. Ainda mais dizer que software open source, cujo objectivo era levar alguns dos conceitos do software livre para o mundo comercial, não pode ser comercial, é no mínimo interessante. Em qualquer caso, podem sempre ver o caso de uma empresa, Zelerate que baseia o seu negócio em vender por uns 5 mil contos software que distribui gratuitamente na Internet, sob a licença GPL.

Espero ter ajudado a esclarecer alguns mitos que são habituais e dão às pessoas uma imagem errada do movimento OpenSource.

linux@gil | Nome para a aplicação de correio electrónico e fór  >

 

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  • Esta discussão foi arquivada. Não se pode acrescentar nenhum comentário.
    Sim (Pontos:1)
    por CrLf em 11-03-01 17:00 GMT (#1)
    (Utilizador Info)
    Acho que há por aí muito fundamentalismo e algumas pessoas esquecem-se que existem muitas nuances dentro do software OpenSource. OpenSource indica uma abertura do código e normalmente uma licença mais liberal, mas o conceito de liberal é que varia aqui. Dizer que não pode se pode ganhar dinheiro com software OpenSource é ridículo porque (e aparte o software criado como hobby) o objectivo é sempre ganhar dinheiro, a ideia de OpenSource só altera a maneira como se ganha esse dinheiro, não impede nada.
    Quanto ao ponto 3, gostava de saber se alguma vez isso sequer aconteceu!

    -- Carlos Rodrigues

    - "I think my men can handle one little penguin!"
    - "No, Mr. Gates, your men are already dead!"
    Já aconteceu (Pontos:1)
    por jneves em 11-03-01 18:05 GMT (#3)
    (Utilizador Info)
    Pelo menos o Linus Torvalds tem "stock-options" de muitas das empresas de Linux que foram para bolsa. Obviamente foram-lhe oferecidas... Mas, como podes imaginar, deve ser caso único.
    Re:Já aconteceu (Pontos:2)
    por buffer em 11-03-01 21:26 GMT (#4)
    (Utilizador Info) http://www.coders-pt.org
    "Pelo menos o Linus Torvalds tem "stock-options" de muitas das empresas de Linux que foram para bolsa. Obviamente foram-lhe oferecidas... "

    Fixe pro rapaz.. ;) Ainda trabalhou para isso.. é para pagar a college das kids dele ..


    -- what was my problem with man You ask? No.. I ask you what was man's problem with me..
    Ler o GNU manifesto (Pontos:1)
    por TarHai em 11-03-01 18:05 GMT (#2)
    (Utilizador Info)
    E sempre bom. Todos os emacs tem-no (ou tinham-no) na dir etc da distribuicao do emacs.

    http://www.gnu.org/gnu/manifesto.html

    e sempre bom para perceber um pouco da motivacao que leva a escrever 'free (as not in beer) software'.
    Mitos, ignorancia, fanatismo e exploração (Pontos:0)
    por Anonimo Cobarde em 12-03-01 1:27 GMT (#5)
    Ora bem...
    Um dos poucos artigos que gostei de ler nos últimos tempos... Logo, vou atirar as minhas opiniões para o terreno:
    Os mitos descritos, infelizmente, estão muito difundidos. A grande massa dos actuais "informáticos" e "entusiastas", filhos do Warez e da Internet, querem software bom, fiável, e sem nenhum tipo de custo, seja ele moral ou financeiro. Aparece-nos, então uma licença free; quase todos sabem, ou dizem saber, que não estamos a falar de valores monetários, mas sim de liberdade de uso desse software; no entanto, e no fundo, acabam sempre por considerar que esse software deve ser gratuito, sem nenhum tipo de restricções, e acreditam que toda a gente envolvida é "amiga do povo" e não tem intenções de proveito pessoal.
    Podem-me responder: "Sim, mas no caso específico do senhor xpto, ele até fez uns programitas, e arrancou com alguns eventos, e nunca tentou vender coisa nenhuma"... Talvez. Acredito que haja uma boa quantidade de pessoas genuinamente interessadas em contribuir a troco de nada. Mas não a maioria. A maior parte de nós ignora, ou prefere ignorar, "pormenores" que apontam claramente para exploração da nossa boa vontade. Tentativas de manipulação comercial, lançamento de produtos ou serviços que acabam por ser a fachada para um negócio qualquer, anúncio de novas ideias maravilhosas (que "apenas" foram roubadas de um grupo de amigos bem-intencionados que partilhou essas ideias com o aldrabão final).
    O fanatismo generalizado por "GNU! Free! Linux! BSD! GPL!" fecha os olhos de muitos, e alimenta os bolsos e os egos de pessoas que não merecem mais que o nosso desprezo. Todas as semanas, alguém abusa dos nossos impostos, ideias, ou boa-vontade, mas acaba sempre por ser desculpado com um "é uma boa contribuição para o mundo opensource".
    Do meu ponto de vista... isto é inadmissível. Consigo pensar claramente nalgumas pessoas que são os "heróis do povo", mas que acabaram sempre por ficar com lucros pessoais no fim. E o triste, é que ninguém nota, e quem nota acha bem...

    Zig
    All your base are belong to us
    Re:Mitos, ignorancia, fanatismo e exploração (Pontos:0)
    por Anonimo Cobarde em 12-03-01 12:04 GMT (#6)
    Tentativas de manipulação comercial, lançamento de produtos ou serviços que acabam por ser a fachada para um negócio qualquer, anúncio de novas ideias maravilhosas (que "apenas" foram roubadas de um grupo de amigos bem-intencionados que partilhou essas ideias com o aldrabão final).

    Uiiiiiii... Esta até doeu!!

    O princípio básico é liberdade (Pontos:1)
    por jneves em 12-03-01 14:07 GMT (#8)
    (Utilizador Info)

    Não concordo contigo. Eu, e a maior parte dos programadores que conheço no mundo do software livre, não me importo que vendam um programa que eu fiz, mesmo que não me dêem nada em troca. Porquê ? Fui eu que quis. A minha opção foi dar liberdade às pessoas para elas fazerem com o meu código o que bem lhes der na veneta, desde que não distribuam versões compiladas sem dar acesso ao código, mesmo que modificado.

    Se existem programadores que não leram a GPL ou outra licença opensource e a usaram para os seus produtos, têm de aguentar as consequências. A escolha, e o erro, foi deles.

    O princípio base é liberdade. Se tu achas que vender um produto feito por outros é manipulação comercial é contigo.Eu por mim sinto-me lisonjeado se alguém gostar de um produto que eu tenha feito a ponto de o vender. Eu não sou vendedor, e não gostei muito das vezes em que me vi nessa posição. Também não vou criticar um vendedor por fazer o seu trabalho (ou vocação).


    Re:O princípio básico é liberdade (Pontos:0)
    por Anonimo Cobarde em 12-03-01 14:25 GMT (#10)
    boas, como e' q te posso contactar para fazeres uns softwares para mim ? de borla claro :)
    Re:O princípio básico é liberdade (Pontos:1)
    por jneves em 12-03-01 14:30 GMT (#11)
    (Utilizador Info)
    Pelo meu e-mail. Procura um pouco e encontras. Não te esqueças, peças o que pedires, eu vou fazer o que me apetecer, quando me apetecer e da maneira que me apetecer. Se não gostas das condições a preço zero, podemos negociar os outros preços.
    Re:O princípio básico é liberdade (Pontos:0)
    por Anonimo Cobarde em 12-03-01 18:03 GMT (#14)
    resumindo....nao fazes nada de borla :)
    Re:O princípio básico é liberdade (Pontos:1)
    por zhp em 12-03-01 21:14 GMT (#15)
    (Utilizador Info) http://random.sh/zhp.html
    Nada, não. Faz o que ele quer. Isto, em alguns casos (veja-se, por exemplo, um kernel hacker), já é um excelente contributo para a comunidade. Ninguém obriga o Alan Cox a desenvolver isto ou aquilo, e no entanto ele fá-lo.

    --JRS
    Re:O princípio básico é liberdade (Pontos:1)
    por MacLeod em 13-03-01 0:42 GMT (#16)
    (Utilizador Info)
    Bom, obrigar alguém a trabalhar chama-se trabalho escravo. Alguém trabalhar e receber por isso, é completamente diferente. O Alan Cox não é obrigado a nada, mas recebe um chequezito no final do mês.
    Re:O princípio básico é liberdade (Pontos:2)
    por mazevedo em 13-03-01 1:17 GMT (#17)
    (Utilizador Info) http://mazevedo.welcome.to
    Mais umas achas:

    Eu também desenvolvi software para uma entidade. Foi ao abrigo de um contracto, logo era propriedade deles, pagaram-me para isso. Contudo, eles também usavam o Linux e quando perguntei se o software poderia ser OpenSource eles concordaram. Noutro caso, desenvolvi para outra entidade um software também do mesmo género, mas noutra linguagem, também ao abrigo de um contracto e não obtive autorização dessa entidade para o tornar OpenSource.

    Se eu me importo? Quem dita as regras? O programador? Acho que apenas no caso de quando trabalha por conta própria.

    Se essas entidades manipulam, ganham dinheiro, oferecem, etc... isso é da conta delas. Na do caso do OpenSource essa entidade aceitou submeter-se à distribuição desse software pelo modelo GPL.

    Fui pago por ambos os serviços. O melhor é que um programa que fiz circula agora e pode ser útil para outras pessoas (agora, duvido um bocado... já está bastante ultrapassado).

    Cheers!
    ----
    //\anuel /|zevedo

    Ismos (Pontos:2, Interessante)
    por jmce em 12-03-01 12:18 GMT (#7)
    (Utilizador Info)

    É com preocupação que vejo tanta gente usar aqui de ânimo leve palavras como "fanatismo" e "fundamentalismo". Estas são palavras com costas largas, particularmente caras aos fabricantes de consensos e consentimentos dos media dominantes e a outro "ismo", o oportunismo. Chamar "fanáticos" e "fundamentalistas" a outros tornou-se um escape barato para

    • aliviar a nossa consciência à medida que vamos desprezando regras (sejam "apenas" regras de alguma forma de moral ou ética ou leis no sentido... legal, às vezes marcando a diferença entre vida e morte);
    • afirmarmos e promovermos uma imagem de normalidade de um comportamento oportunista procurando passar uma imagem de "anormalidade" de regras ou ideias inconvenientes para a agenda do momento;
    • esbatermos distinções entre conceitos e ideias originalmente distintos, de forma a aproximar os conceitos e ideias que não nos convêm de outros conceitos e ideias com imagem negativa na sociedade.

    Vejo estes adjectivos aplicados demasiadas vezes (por vezes à medida das conveniências) a gente com combinações interessantes de coerência, coragem, empenho sério em agir de acordo com aquilo que se acha correcto, capacidade de defender fundamentadamente pontos de vista, sem isso ter implicado perda de respeito por opiniões alheias, incapacidade de diálogo, superficialidade, agressividade, males para a sociedade.

    Ao mesmo tempo, sendo a natureza humana o que é, alguns fanatismos e fundamentalismos (sem aspas) tornam-se-nos invisíveis quando estão do "nosso" lado numa cultura dominante. Sendo as técnicas de comunicação o que são, é cada vez maior a subtileza com que alguns deles nos são inculcados, tantas vezes sob uma capa "políticamente correcta". A imprensa actual parece ter herdado parte das funções da Inquisição. Já não se decreta que o fulano X "saia a queimar" no Terreiro do Paço. Mas por vezes a atitude e a prática são bem mais superficiais e não menos tenebrosas que as da Inquisição

    "X [nem sempre se diz exactamente quem] defende a ideia Y [descrita com um rótulo simplista] e é obviamente [não se diz exactamente porquê] fanático|fundamentalista|perigoso|intolerante|diferente; impõe-se queimar X|Y".

    Surfando uma onda de relativismo que proclama que tudo pode ser bom e que todos os pontos de vista são igualmente válidos e verdadeiros, estamos a construir uma sociedade às vezes bem mais perigosa e intolerante que alguns exemplos exibidos para proclamar a sua superioridade. Mas os gestores de imagem vão dando conta do recado.

    Re:Ismos (Pontos:0)
    por Anonimo Cobarde em 12-03-01 14:14 GMT (#9)
    Ou nas imortais palavras de Teresa Guilherme, essa grande referência intelectual dos nossos dias, à Publica do passado domingo: "quem tem ética passa fome".
    Re:Ismos (Pontos:2)
    por Dehumanizer em 12-03-01 15:33 GMT (#12)
    (Utilizador Info)
    Eu tenho SENTIDO DE ética, e não passo fome, excepto quando estou a fazer alguma coisa tão interessante que me esqueço de ir fazer o jantar. :)


    "How are you gentlemen !!
    All your base are belong to us." - Cats, "Zero Wing"
    A mitologia também requer cuidados (Pontos:2, Interessante)
    por jmce em 12-03-01 17:14 GMT (#13)
    (Utilizador Info)

    Quando se fala num "conjunto de comentários e artigos" que assumem um "conjunto de pressupostos", talvez valha a pena esclarecer quais comentários e artigos, pelo menos exemplificando alguns pontos onde se presume que foram assumidos os pressupostos. Isso não está claro, e os próprios pressupostos estão indicados de forma talvez um pouco vaga. Isto abre uma porta para um espectro de interpretações muito grande. Consoante a disposição de cada leitor, este artigo pode parecer uma defesa ou um ataque a uma mesma ideia. A falta de clareza não ajuda a prevenir mitos e FUD.

    Para que fique clara a forma como uso a expressão (e não para atacar pontos de vista diferentes): por "software livre" entendo, no sentido mais estrito, software com a GNU General Public License (num grau ligeiramente menor, a GNU Lesser General Public License). Num sentido mais lato também uso a expressão "software livre" abrangendo diversas outras licenças com diferentes graus de compatibilidade com a GPL (mesmo algumas das não estritamente compatíveis).

    Para que fique claro também, na discussão (nem sempre feliz) "software livre" vs "open source", posiciono-me a favor dos conceitos e ideias englobados classicamente na expressão "software livre", no sentido usado no projecto GNU. Não faço normalmente questão em debater ad nauseam as diferenças, nem promover conflitos entre pontos de vista que em boa parte dos casos me parecem ter o mais importante em comum. Mas refiro-o por causa da tendência natural para a confusão de conceitos, à medida que eles se difundem, e porque há momentos em que as "letras miudinhas" se tornam importantes por questões técnicas e legais. A confusão excessiva serve não os programadores e os utilizadores mas sim o marketing e a publicidade de gente com poucos escrúpulos, tanto para "aproveitar a onda" indevidamente (isto é, usando as palavras mas deprezando os conceitos) como para difamar.

    Um exemplo? Numa workshop, há poucos meses, um senhor da Wolfram Research dizia que a interface J-link (para comunicação com o Mathematica) ia ser disponibilizada como "open source" (se bem me lembro, apenas aos clientes). Perguntei-lhe qual seria a licença, ele disse qualquer coisa sobre os clientes poderem consultar a source para escreverem o seu código, que do ponto de vista técnico era open source, etc. Expliquei-lhe que "I was talking about Open Source in the legal sense, not in the technical sense", e como estávamos no final da palestra (fase de perguntas e respostas) ele escapou com a ajuda do moderador argumentando que era uma questão muito técnica que podíamos discutir depois. Curioso, tendo em conta que a maior parte do público trabalhava na área da comunicação multimedia de matemática, parte dele também criando e distribuindo software (em alguns casos com licença GPL).

    Sobre os cinco pontos:

    1. Se até a licença GPL não me proíbe de a aplicar a um pedaço de código que vou guardar numa gaveta para sempre ou apenas distribuir inicialmente a um grupo restrito, é bom recordar de vez em quando o espírito por detrás da criação dela, que também tem a ver com partilha. Veja-se por exemplo o GNU Manifesto, onde talvez a atitude esteja resumida com

      I consider that the golden rule requires that if I like a program I must share it with other people who like it.
      Claro que o interesse pela GPL pode ter muitas motivações além da "golden rule" [don't know what this is? seek and you shall find :)]. Por exemplo, achar que a difusão livre dos algoritmos e da suas implementações é importante para fazer avançar a "arte", para promover a segurança, ou para fomentar a fiabilidade do código, ou simplesmente para tornar os produtos, através da disponibilização do código, ferramentas mais flexíveis. E também, sem que isso me incomode, motivações comerciais. Se algo que considero bom noutros aspectos também o for comercialmente, nada contra.

      A licença GPL não me obriga a difundir activamente um produto que recebi, mas impede-me de colocar barreiras à difusão da source desse produto, se eu quiser distribui-lo. Impede-me de me apropriar com exclusividade de código alheio feito ao abrigo dela. Sendo uma licença que favorece assim a difusão, é natural que numa parte substancial dos casos, especialmente quando se trata de uma ferramenta útil de interesse geral, um produto ao abrigo dela acabe por se difundir. Concorde-se ou não com os ideais originais do Stallman, atinge-se na prática o resultado de partilha que ele pretendia.

      Não se trata de uma "oferta" no sentido de legitimar que se tire o crédito aos autores ou todo o tipo de actos. Não é uma difusão sem restrições como a passagem simples ao domínio público, com a qual se pode aparentemente até fazer uma apropriação privada posterior. Diversas formas de software livre ou "open source" constituem mecanismos de difusão com restrições cujo objectivo é preservar certas liberdades dos utilizadores. É nesse sentido que se pode dizer que estas licenças constituem uma "oferta". Qualquer que seja a motivação de quem faz a licença ou a aplica a um pedaço de código, no fim do dia será de bom tom que fiquemos gratos quando tiramos proveito da licença e dos produtos como programadores, simples utilizadores, ou vendedores.

      Sim, os vendedores. A licença GPL respeita o direito ao comércio. Nem todas as licenças o fazem. Algumas permitem a distribuição livre de um produto desde que gratuita ou quando muito a um preço que abranja apenas o suporte usado (fita, cd-rom, transferência por rede...). A distribuição Debian, muito cuidadosa com a questão das licenças, coloca na secção "non-free" produtos que para alguns pareceriam muito "free" (no sentido de grátis) mas que não o são no sentido do que é permitido fazer com eles, incluindo em termos comerciais.

    2. Que não existe algo que se possa desigar apenas por "a comunidade" parece óbvio. Mas como em muitos campos da vida, também neste parece claro poder-se falar em algumas comunidades, cada uma das caracterizada por um conjunto de interesses e valores, mesmo que seja ingénuo pensar que estas comunidades são coros afinados onde todos dizem e pensam exactamente da mesma forma. Estas comunidades ramificam-se em sub-comunidades, e cada indivíduo escolhe a "sua" colecção de comunidades favoritas com base nos interesses que sente partilhar e nos seus antagonismos de estimação. Às vezes habituamo-nos a falar de "comunidade" sem pormenorizar, mas isso não quer dizer que acreditemos (ou talvez não devesse fazer-nos acreditar) que há apenas uma comunidade ou que há uma comunidade (sempre a "nossa", claro...) onde o pensamento é todo uniforme e toda a gente é perfeita.

      Assim, não percebo bem porquê achar que o sentido de comunidade de algumas audiências de fóruns será superior ao sentido de uma eventual "comunidade open-source". No fundo, é a tal questão da ramificação. Não havendo factores que provoquem reacções exibindo ideias comuns prioritárias para uma comunidade, ficam mais visíveis as diferenças de gostos e valores das sub-comunidades dentro dessa. Facilmente vemos essas diferenças irem até ao indivíduo. Se eu gostar de liberdade de expressão, da licença GPL, de Python, do XEmacs e de arroz, e o vizinho do lado tiver o ideal de um estado policial, adorar a Microsoft, a linguagem Pascal, o Emacs clássico e batatas fritas (sem ofensa para os 3 últimos :-) ), é bem possível que apareçamos do mesmo lado numa discussão Emacs-versus-outro-editor, representando uma "comunidade Emacs", apesar de até nesse ponto cada um preferir uma variante diferente.

      Neste campo das comunidades à volta do software, o simplismo não me parece vir tanto de "dentro", mas mais de fora. Por exemplo, de algum jornalismo mais superficial (às vezes apenas por falta de informação), de quem tenta parecer parte de uma comunidade fingindo partilhar valores dela, ou de quem tenta combater certos valores promovendo na opinião pública a confusão entre comunidades. Dois exemplos interessantes:

      • a sugestão dada pelo Bertrand Meyer de uma coincidência forte entre a comunidade de defensores do software livre e a comunidade de defensores do acesso livre a armas de fogo, partindo de um caso, o exemplo do Eric Raymond;
      • a sugestão dada pela Microsoft de que o software livre é "un-american" (no sentido já tradicional em que o que é "unamerican" é intrinsecamente mau e anti-americano), acompanhada por sugestões (da MS e não só) que pretendem associar na opinião pública software livre a falta de respeito pela lei, nomeadamente respeito pela "propriedade intelectual" (uma expressão estrategicamente vaga por abranger conceitos muito variados, mesmo do ponto de vista legal).

      Assim, não me parece que a existência de comunidades com alguns valores bem definidos, mesmo que apenas na forma mais básica, seja um mito (um mito seria a uniformidade absoluta das comunidades e da percepção dos conceitos dentro delas) Não faltam exemplos de reacções individuais, às vezes a tornar-se colectivas, quando acontece ou parece que alguém despreza valores partilhados. Ter em conta alguns desses valores quando se dá valor à comunidade não fica mal, mesmo que não seja preciso no sentido de não ser obrigatório. A propósito de comunidades, o software livre promove a colaboração do desenvolvimento em comunidade: cada um fica em princípio com acesso a um pacote comum de ferramentas e pontos de partida, e eventualmente mais tarde contribuir para ele. Algumas das vantagens vistas neste modelo de desenvolvimento têm precisamente a ver com a colaboração e a análise por comunidades mais amplas que o usual (tanto de programadores como de utilizadores finais).

    3. O ponto 3 também está muito vago para se lhe poder chamar um mito. Acho que ninguém afirmou algo tão forte aqui. Há projectos em que formalmente todos são supostos partilhar os benefícios económicos; nesses, é óbvio que se alguem for roubado tem todo a legitimidade em sentir-se mal. Já quando participamos de um pedaço de software com a licença GPL e algumas outras, se conhecermos a licença com que concordámos sabemos que ela permite que outros, mesmo não tendo trabalhado no desenvolvimento, ganhem dinheiro com o produto desse trabalho sem o partilhar connosco. Se pesados os prós e os contras, se escolheu essa via tem de se saber viver com ela. Em qualquer das duas modalidades, há regras claras.

      Mas há casos em que, mesmo sendo formalmente cumpridas todas as regras, as pessoas se "sentem mal" sem isso nos dever fazer rir à gargalhada. Esses casos podem resultar de se esconder informação, de actos que indiquem oportunismo ou falta de respeito por essas pessoas, ou simplesmente de mal-entendidos. Neste ponto, o facto de se tratar de de desenvolvimento de software livre ou de fóruns de discussão públicos e a existência ou não de comunidades óbvias não são factores fundamentais, embora um mau exemplo possa prejudicar a imagem de toda uma comunidade. Fundamental é que em geral as pessoas se sentem mal quando as suas expectativas são frustradas.

      Por isso é importante ter cuidado com as expectativas e com a transparência mesmo quando as intenções são as melhores. Se eu um dia quiser desenvolver uma solução complexa para um cliente e decidir arrancar um projecto de software livre que me permita aproveitar a colaboração de competência externa para resolver parte do problema, a GPL não me obriga a fazer nenhum dos outros autores externos participar dos lucros nem me obriga a revelar-lhes o lado comercial do projecto. Só que a GPL não abrange todos os aspectos da vida e das relações humanas, e no mínimo o respeito pelos outros não me deixaria esconder a intenção comercial imediata. A GPL não serve de alibi para o desprezo por princípios éticos ou morais, e o desprezo por estes só piora a imagem da GPL.

    4. Qual é a definição de Open Source assumida aqui? Bom, em geral a "boa vontade" (por exemplo, em termos de relações humanas, em termos de abertura e honestidade do trabalho científico e técnico) não é estritamente essencial para haver "open source" ou software livre. Se este fosse um mundo pleno de boas vontades, não teríamos necessidade de licenças de software, nem sequer da GPL. As licenças de software livre contribuem precisamente para prevenir o resultado de várias "más vontades". Ou seja, como eu tentei recordar acima, existe na origem dessas licenças uma intenção de "boa vontade" (chamemos-lhe assim, embora alguns possam não concordar) em fomentar a partilha e a liberdade dos utilizadores.

      Concordo com a frase "Open Source não implica boa vontade" se significar que estamos num mundo complicado onde boas vontades puras serão muito difíceis de encontrar, onde realisticamente se deve esperar que todos temos defeitos e motivacoes de tipos muito variados, onde discordamos por tudo e mais alguma coisa achando que cada um tem a suprema razão e facilmente participamos em guerrinhas tristes, e onde as motivações para seguir a via "Open source" podem (felizmente) ser das mais variadas.

      Não concordo com a frase se, num ato de simplificação supostamente "desmistificador", ela for usada por outros para varrer vários anos de história para baixo de um tapete de pura conveniência comercial. Infelizmente, já vários ouviram falar de casos em que se pega em software livre e se finge que é software exclusivamente desenvolvido por quem o vende, não apenas demonstrando "má vontade" e falta de respeito pelos autores originais mas também efectivamente violando as regras da licença. Convém não darmos a entender a esse tipo de fauna (que por vezes é da que mais ferozmente vem a público defender licenças tão fechadas quanto possível) que uma licença de software livre lhes dá esse tipo de liberdade.

    5. Alguém defendeu aqui que o software livre não pode ser vendido?

    Re:A mitologia também requer cuidados (Pontos:1)
    por jneves em 13-03-01 10:40 GMT (#18)
    (Utilizador Info)

    Agradeço desde já o interesse. Poucas pessoas se dariam ao trabalho de fazer uma resposta tão completa. Como disse anteriormente, não vou entrar na discussão software livre vs opensource, mas quanto ao resto, penso que devo dar alguns esclarecimento.

    Quando se fala num "conjunto de comentários e artigos" que assumem um "conjunto de pressupostos", talvez valha a pena esclarecer quais comentários e artigos, pelo menos exemplificando alguns pontos onde se presume que foram assumidos os pressupostos.

    Um dos exemplos mais recentes é o artigo Empresas e Comunidade Open-Source, embora muitas das ideias sejam partilhadas em vários artigos anteriores. A ordem porque apresentei estes mitos corresponde à ordem porque os entendi neste artigo.

    Quanto à forma um pouco vaga, princípios, como eu os entendo, são genéricos. Embora seja possível definir exemplos que ilustrem cada princípio, o que tentei fazer.

    Quanto à história do ponto 3, de ninguém ter feito uma afirmação semelhante relembro a frase do Xmal:

    Poucas pessoas estão dispostas a oferecer o seu tempo a projectos que tenham interesses comerciais em que o retorno ($) não as venha a incluir.

    Excepções como a do projecto apache, que é desenvolvido por várias empresas com intenções comerciais, parecem-me contradizer directamente esta afirmação.

    Quanto ao ponto 4, qualquer afirmação fora de contexto pode ser usada por gente sem escrúpulos e sem ética. Infelizmente cheguei à conclusão que se me preocupar com isso não posso nem escrever nem dizer nada, porque esse risco está sempre presente.

    Quanto ao ponto 5, posso ter entendido mal, mas foi essa a sensação com que fiquei dos 2 últimos parágrafos do artigo do Xmal. Na prática pensei que fosse esta a justificação para a duplicação de esforços. Relendo agora, tenho as minhas dúvidas.


    Mais mitologia (Pontos:1)
    por Xmal em 13-03-01 14:31 GMT (#21)
    (Utilizador Info) http://gsd.di.uminho.pt/cbm
    Vou tentar responder ao ponto 3, uma vez que parece ser o menos claro. Passo a citar:

    Quanto à história do ponto 3 (" Se alguém ganha dinheiro com um projecto todos os participantes no projecto devem receber qualquer coisa, se não as pessoas "sentem-se mal" "), de ninguém ter feito uma afirmação semelhante relembro a frase do Xmal:

    Poucas pessoas estão dispostas a oferecer o seu tempo a projectos que tenham interesses comerciais em que o retorno ($) não as venha a incluir.

    Excepções como a do projecto apache, que é desenvolvido por várias empresas com intenções comerciais, parecem-me contradizer directamente esta afirmação.

    Dando um pouco mais de contexto à minha frase, posso juntar a que a antecede:

    Ora, quando surge um qualquer projecto que se oferece à comunidade é importante que fique claro, qual o enquadramento desta oferta. Poucas pessoas estão dispostas a oferecer o seu tempo a projectos que tenham interesses comerciais em que o retorno ($) não as venha a incluir.

    Ou seja, acho que é importante conhecer o posicionamento dos projectos para que as pessoas vejam o que lhes podem oferecer. A última frase mostra o meu cepticismo na oferta de esforço a projectos comerciais onde não haja retorno do esforço (apesar do "$" indicar o contrário, o retorno pode não ser estritamente monetário). É claro que a fronteira não é muito clara, e que no limite cada um é livre de fazer as suas opções.

    Quanto ao apache, e sem bem percebi, o que temos são empresas a contribuir para um projecto, que é distribuído com uma licença própria e que é gerido por uma associação sem fins lucrativos (... the Foundation has been incorporated as a membership-based, not-for-profit corporation in order to ensure that the Apache projects continue to exist...).

    As empresas sendo estruturas optimizadas para o lucro e não podendo ser ineficazes nesse objectivo (pelo menos por muito tempo e em economias não distorcidas) estão provavelmente a fazer um bom investimento na sua contribuição ao desenvolvimento do Apache e têm as suas formas de retorno em termos da qualidade do producto final que é obtido. As empresas também cooperam, noutros domínios, para a obtenção de plataformas de interesse comum, como seja em comitês de standardization. Posto isto, parece-me que o apache não é um bom contra-exemplo para a minha afirmação, uma vez que a minha dúvida é na contribuição não comercial para projectos comerciais, e não o contrário.

    Ainda quanto ao ponto 3, temos de ter em conta que ao contrário das empresas os índividuos não necessitam, por definição, de ser tão eficientes económicamente como as empresas pelo que podem em plena liberdade contribuir desinteresadamente para projectos comerciais sem daí ver nenhum proveito. Penso é que a maioria das pessoas não se vê muito confortável nesse papel, e que tirando pequenos bug reports e patches pontuais por puro gozo, não deve haver por ai muita gente a programar de borla para outros depois venderem como código fechado. Como já disse os indíviduos não precisam de ser tão eficientes como as empresas, pelo menos enquanto têm as suas necessidades básicas asseguradas.

    Tal como disse o JNeves não há problema nenhum em se pode vender (ou melhor: redistribuir) software aberto. A natureza da licença, que protege o livre acesso ao código, é a garantia de que se mantem o retorno.

    Por fim, queria reforçar o interesse desta discussão pois são temas que valem bem a pena analisar com cuidado, e cujo tratamento só nos pode enriquecer.

    Mitos? Quem os cria? (Pontos:0)
    por Anonimo Cobarde em 13-03-01 13:24 GMT (#19)
    1 - A questão resume-se apenas ao rigor com que interpretas a palavra oferta. Fazer uso de uma licença open source não implica obrigatoriamente uma doação gratuita de software, mas tão pouco vi isto ser afirmado. Vale também notar, que a palavra oferta pode significar algo posto à venda. De qualquer maneira penso que o sentido com que é frequentemente relacionada com software livre é muito mais abrangente. 2 - A afirmação de que há grupos que defendem valores com um grau maior ou menor do sentido de comunidade em nada os opõe. Não no que diz respeito aos direitos que entendem ser legítimos aos utilizadores de software. Provavelmente, se o principal idioma utilizado no meio informático fosse o português esta separação entre open sorce e software livre nem tivesse ocorrido. As batalhas daí resultantes fundamentam-se muito mais na tomada de consciência e clareza com que é transmitido o sentido de ser do movimento. 3 - Parto do pressuposto que ninguém afirmaria o ou afirmou algo assim aqui. O que se coloca em causa é o facto de não haver clareza quanto aos interesses envolvidos. É bem provável que haja gente disposta, mesmo sem haver remuneração financeira, a participar em projectos que a partida é sabido terem fins comerciais. Por outro lado, o nível de satisfação tem grandes possibilidades de não ser o mesmo se os objectivos reais forem camuflados. 4 - A melhor das intenções de boa vontade sempre poderá dar margem as mais variadas atitudes quando posta em prática. 5 - É possível que algumas pessoas façam mesmo alguma confusão quanto a isto afinal o preço com que se adquire algo sempre assume algum grau de notoriedade. Na verdade software livre e lucro financeiro não são antagónicos. Nem se quer há limites impostos a tais lucros. Não é este o verdadeiro beneficio em causa e sim a liberdade adquirida. De qualquer forma não acredito ter visto isso ser posto em causa na discussão ocorrida aqui.
    Mitos? Quem os cria? (Pontos:0)
    por Anonimo Cobarde em 13-03-01 13:26 GMT (#20)
    1 - A questão resume-se apenas ao rigor com que interpretas a palavra oferta. Fazer uso de uma licença open source não implica obrigatoriamente uma doação gratuita de software, mas tão pouco vi isto ser afirmado. Vale também notar, que a palavra oferta pode significar algo posto à venda. De qualquer maneira penso que o sentido com que é frequentemente relacionada com software livre é muito mais abrangente.

    2 - A afirmação de que há grupos que defendem valores com um grau maior ou menor do sentido de comunidade em nada os opõe. Não no que diz respeito aos direitos que entendem ser legítimos aos utilizadores de software. Provavelmente, se o principal idioma utilizado no meio informático fosse o português esta separação entre open sorce e software livre nem tivesse ocorrido. As batalhas daí resultantes fundamentam-se muito mais na tomada de consciência e clareza com que é transmitido o sentido de ser do movimento.

    3 - Parto do pressuposto que ninguém afirmaria o ou afirmou algo assim aqui. O que se coloca em causa é o facto de não haver clareza quanto aos interesses envolvidos. É bem provável que haja gente disposta, mesmo sem haver remuneração financeira, a participar em projectos que a partida é sabido terem fins comerciais. Por outro lado, o nível de satisfação tem grandes possibilidades de não ser o mesmo se os objectivos reais forem camuflados.

    4 - A melhor das intenções de boa vontade sempre poderá dar margem as mais variadas atitudes quando posta em prática.

    5 - É possível que algumas pessoas façam mesmo alguma confusão quanto a isto afinal o preço com que se adquire algo sempre assume algum grau de notoriedade. Na verdade software livre e lucro financeiro não são antagónicos. Nem se quer há limites impostos a tais lucros. Não é este o verdadeiro beneficio em causa e sim a liberdade adquirida. De qualquer forma não acredito ter visto isso ser posto em causa na discussão ocorrida aqui.


     

     

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